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Entrevista - Bobby Kimball

Relacionado com: Bobby Kimball, Kimball Jamison, Toto, Yoso
Data da Entrevista: 09/05/2018
Autor: André Luiz Paiz
Traduzido por: André Luiz Paiz

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Bobby Kimbal é mais conhecido por ser a famosa voz dos hits “Africa” e “Rosanna”, da banda Toto. Com duas passagens pelo grupo, sendo a primeira na formação inicial da banda, Bobby possui hoje uma longa carreira, com diversas participações em projetos e frequentemente é citado por grandes músicos como um dos melhores vocalistas da história da música. Seu timbre é inconfundível.

Ainda promovendo seu último lançamento, o álbum "We're Not In Kansas Anymore", Bobby gentilmente nos atendeu para uma agradável conversa, em que fala sobre as suas influências, seu carinho pelo Brasil e, é claro, o Toto.

Confira esta exclusiva do 80 Minutos.

Foto: https://www.growingbolder.com

1. Olá Bobby, é um prazer falar contigo. Nós representamos o site 80 Minutos, um site brasileiro criado para os usuários que gostam de avaliar os seus álbuns favoritos. Diga olá para o Brasil!

Olá e bom dia a todos. Gostei muito de visitar o Brasil e participar de alguns concertos por aí. Todas as pessoas que conheci em seu país são fantásticas e foram extremamente gentis sobre as minhas apresentações. Eles me fizeram a pessoa mais feliz possível, então, ambos sentimos que passamos um ótimo tempo juntos. Mal posso esperar para estar aí novamente.

2. Já passou mais de um ano desde o lançamento de "We're Not In Kansas Anymore", que é um álbum bem agradável. Você pode no dizer um pouco sobre ele?

Foi muito bom gravar "We're Not In Kansas Anymore". Escrevi algumas canções novamente com "John Zaika", que juntos fizemos o álbum "All I Ever Needed", no ano 2000. John é um excelente co-escritor e um ótimo amigo. Há muitas canções que gosto neste álbum e as minhas favoritas são: "On My Feet", "Flatline", "Too Far Behind", "Hey It's Me" e "Hold On".

3. Você anda bem ocupado ultimamente. O que tem feito?

No último dia 6 de março, estive ao leste dos Estados Unidos, por três semanas em um cruzeiro, fazendo vários shows. Quando fui para casa, fiquei por umas dez horas e voei para Dalas, no Texas, para participar de mais um concerto. Logo após, fui de Dalas para a Alemanha, para participar de 8 shows em 8 dias. Voltei pra casa e voei para Londres e depois Dubai, para participar de um evento com Bill Champlin, que fez parte do Chicago por 28 anos e Dave Bickler, vocalista original do Survivor. No palco, tocamos com uma banda de dez pessoas e uma orquestra de Moscou com 50 membros.
Voltei recentemente para casa, mas amanhã terei que voar para Paris e seguir com Don Kerry (empresário) para Cannes, onde faremos um show para o "The Cannes France Film Festival". Em seguida, iremos para a Bulgária, onde cantei para mais de 15.000 pessoas na última vez que estive lá. Foi muito divertido.

4. Bobby, o tempo passou e você continua cantando muito bem. Você faz algo para cuidar da sua voz?

Eu nunca tive problemas com a minha voz que necessitasse de cuidado. Mas, ocasionalmente, se o monitor que uso em meus ouvidos não funciona devidamente e não consigo me ouvir como deveria, isso dificulta as coisas e pode parecer que não estou cantando bem. A maioria das músicas que preciso cantar possuem notas bem altas e, se não tenho o retorno soando alto em meus ouvidos, isso pode prejudicar a minha voz durante um tempo. Se o equipamento está OK, eu nunca deixo de alcançar aquelas notas.

5. Em 2011 você lançou um ótimo álbum com Jimi Jamison em um projeto chamado Kimball/Jamison. Pouco depois, Jimi nos deixou de uma forma bem triste e trágica. Vocês chegaram a conversar sobre a possibilidade de gravar um segundo álbum? Vocês eram amigos próximos?

Jimi Jamison foi o meu melhor amigo por mais de 30 anos. Foi fantástico gravar aquele CD do "Kimball/Jamison" com ele. Nós fizemos mais de 150 shows juntos após o lançamento do álbum. Eu recebi um contato do selo italiano que produziu o primeiro CD. Eles me pediram para falar com Jimi para criarmos um novo álbum juntos. Tentei contato com ele por diversas vezes, porém não obtive resposta e deixei algumas mensagens. Não soube de nada por uns 10 dias, até que a filha de Jimi me ligou dizendo que ele havia morrido. Me senti muito mal, pois tinha perdido um dos meus maiores amigos.

6. Eu fiz recentemente uma entrevista com o grande Jeff Scott Soto para o nosso site. Ele citou você como uma de suas maiores influências. Como você se sente ao ouvir/ler algo do tipo?

Eu preciso dizer a você que, para mim, Jeff Scott Soto é um músico/cantor fantástico. Além disso, muitos músicos o consideram como uma ótima pessoa. Eu sempre gostei de sua música e amizade.

7. Você pode nos contar um pouco sobre os artistas que lhe influenciaram a se tornar músico?

O primeiro músico e cantor que me impressionou quando criança foi o Ray Charles. Inclusive, meu irmão mais velho tocava piano e cantava como ele, mas ele já faleceu em 2015. Gosto muito dos três vocalistas do "Three Dog Night", do grupo "Blood Sweat And Tears", de Chaka Kahn, Stevie Wonder, Elton John, dos Rolling Stones, James Brown, Elvis Presley e muitos outros.

8. Bobby, é impossível não falar sobre o Toto, já que você é parte da história e legado do grupo. Eles estão neste momento comemorando o quadragésimo aniversário. Você recebeu algum convite para participar?

Eu preciso dizer que o Toto é a melhor de todas as bandas que eu já participei. Estive com eles por 18 anos, em dois períodos distintos. Eu fui o vocalista original do grupo lá no início, em 1977. O primeiro single de sucesso que lançamos juntos foi "Hold The Line", em que fiz o vocal principal e de apoio. Eu simplesmente amo todos os membros do Toto e amo a música que fazem. Amarei também cantar com eles novamente em qualquer momento em que eu for convidado. Eu sei que seria a melhor coisa que poderia acontecer para mim, além de achar que eu poderia contribuir para que a banda soe ainda melhor. Se você tiver oportunidade de presenciar uma apresentação do Toto, por favor não perca, pois você irá se apaixonar.

9. Em 1983, o Toto tinha acabado de ganhar um Grammy por melhor disco do ano, vencendo álbuns clássicos como o "Tug Of War", de Paul McCartney. A banda estava em seu melhor momento. Mas, repentinamente, você saiu. O que aconteceu de tão grave? Qual a sua versão da história?

Em 1984, eu tive um problema que não aconteceu exatamente como foi contado, mas eles acabaram pedindo para que eu saísse por causa dele. Eles contrataram 3 vocalistas após a minha saída, mas todos foram demitidos muito rapidamente. Eu recebi uma ligação dos melhores músicos do Toto, Steve Lukather e David Paich, por volta de 1998, em que eles me pediram para retornar ao grupo. Aquele foi o melhor momento da minha vida profissional.

10. Após o seu retorno, você chegou em ótima forma, cantando muito bem e trazendo a identidade do grupo de volta. "Mindfields" é um bom álbum, com ótimas apresentações suas, principalmente em "Mindfields", "Caught in the Balance" e na espetacular "Mad About You". Você pode nos contar um pouco sobre este período?

Assim que retornei para o Toto, nós gravamos o álbum "Mindfields", o que gostei bastante. Eu escrevi as letras para a faixa-título e acabei ficando com eles por dez anos.

11. Após este lançamento, vocês lançaram um álbum de covers, chamado "Through the Looking Glass". Você gosta dele? De quem foi a ideia?

Eu também me diverti fazendo este álbum com o Toto, pois as performances dos músicos ficaram de altíssimo nível. Quando a gravadora nos pediu para lançar um álbum comemorativo de 25 anos de aniversário da banda, nós não tínhamos canções suficientes para entregar dentro do prazo que nos deram. Assim, resolvemos gravar algumas de nossas canções favoritas.

12. Após este período, a banda lançou mais um ótimo trabalho, o álbum "Falling In Between". Mas, foi possível notar que algo estava errado. Dave já não estava mais com o grupo nos palcos e parecia haver uma certa tensão entre os membros. O grande e saudoso Mike Porcaro também saiu e, pouco depois, a separação do grupo foi consolidada em definitivo e você nunca mais retornou. O que aconteceu?

Quando nós gravamos "Falling In Between", eu participei ativamente, escrevendo 8 letras para o CD. Mike Porcaro saiu do grupo em 2008 porque estava adoecendo, então contratamos Leland Sklar para substituí-lo. Por volta de duas semanas depois, David Paich nos informou que a sua única irmã viva precisava se submeter a dois transplantes de pulmão. Ele precisava voltar para Los Angeles e ajudá-la. Nós contratamos Greg Phillinganes para tocar em seu lugar. Eu gostava muito de como o Toto soava com aqueles dois membros.
A turnê com o Toto terminou em 2008 e a banda ficou sem excursionar por dois anos. Eu estive em várias outras turnês, até que, em 2010, o Toto estava se preparando para fazer 10 shows pela Europa e eles simplesmente chamaram Joseph Willians para cantar nestas apresentações. Não tenho nada contra Joseph, principalmente porque somos bons amigos há anos. Eu cantei alguns vocais de apoio em dois dos seus álbuns solo, além de ter cantado em outros dois CDs do West Coast All-Stars com ele.

13. Eu sempre achei que o Toto deveria ter feito uma turnê com você, Joseph e Fergie nos anos 2000. Uma pena isso não ser mais possível, já que Fergie não está mais conosco. Teria sido espetacular, não é?

Eu cantarei com o Toto sempre que eles quiserem. Joseph está fazendo um bom trabalho e gosto bastante. Fergie e eu fizemos por volta de 30 apresentações juntos após a sua saída do Toto. Depois que ele morreu, fiz 4 concertos beneficentes para arrecadar dinheiro como auxílio para os seus filhos. Fergie sempre soava fantástico toda vez que eu o ouvia.

14. Você ainda tem contato com alguém da banda?

Eu falo ocasionalmente com David Paich e Steve Lukather pelo telefone ou através de mensagens. Ano passado eu encontrei Luke (Steve Lukather) no NAMM (National Association of Music Merchants). Dei-lhe um abraço e disse: "Eu te amo". Luke me abraçou e disse o mesmo. Eu sempre me importei com todas as pessoas do Toto.

15. Tenho certeza que, não importa onde você vá, as pessoas pedem para você cantar “Africa” e “Rosanna”. Após anos e mais anos, você ainda sente a mesma sensação ao cantar estas músicas?

Eu sempre as canto nos meus shows, pois fazem parte das minhas favoritas. Eu também canto "Hold The Line". Uma coisa que gosto de fazer em entrevistas é isso: (Bobby se empolga e canta bem alto o refrão de Africa) "Gonna Take A Lot To Drag Me Away from You".

16. Tem mais alguma canção do Toto que está entre as suas favoritas?

Eu adoro "Falling In Between", mas gosto de praticamente todas as canções que cantei ou escrevi com alguém do Toto.

17. Você pode nos contar algo sobre você que os seus fãs provavelmente não sabem?

Sempre que os fãs querem saber algo sobre mim, eu respondo diretamente a eles no final das minhas apresentações. Eu autografo milhares de coisas, além de tirar fotos com todos que me pedem. Quando estou me apresentando e olhando para as suas expressões, vendo estão felizes, eu os convido para conhecer os bastidores ou vou até eles na plateia. As suas expressões e os relatos de felicidade deles me fazem a pessoa mais feliz do mundo. Eles me fazem feliz, me sinto vivo e novamente jovem.

18. Você possui uma longa discografia solo, recheada de participações em vários projetos. É possível enumerar alguns dos seus trabalhos favoritos?

Eu recebi milhares de mensagens dizendo que "We're Not In Kansas Anymore" é o meu melhor CD solo. Eu gosto muito dele, mas também gosto de "Rise Up", "All I Ever Needed" e o CD do YOSO (supergrupo formado por Bobby e albuns membros do Yes). Gostei bastante do último álbum do Toto (Toto XIV) também, pois cantei em algumas destas canções antes de serem retrabalhadas.

19. Bobby, nós agradecemos enormemente a sua atenção e desejamos a você uma longa e bem-sucedida carreira. Será maravilhoso ter você de volta ao Brasil. Nós adoramos ouvir a sua voz nas rádios todos os dias. Obrigado!

Obrigado pelo espaço meu amigo. Quero que saibam que eu amo o Brasil e amei estar aí em todas as vezes. São pessoas fantásticas e que amam a música de verdade neste lugar maravilhoso. Espero que me agendem para shows por aí em breve.


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