Bem-vindo ao 80 Minutos

Nós amamos música e adoramos compartilhar nossas avaliações sobre os álbuns de nossas bandas favoritas.

...

Entrevista - Arno Menses E Markus Steffen

Relacionado com: Sieges Even, Subsignal
Data da Entrevista: 23/04/2018
Autor: André Luiz Paiz
Traduzido por: André Luiz Paiz

Acessos: 522

Compartilhar:

Facebook Twitter Google +

O grupo de Rock Progressivo Subsignal acaba de anunciar o lançamento do seu quinto álbum de estúdio: "La Muerta". Formado por dois grandes músicos do extinto grupo Sieges Even, Arno Menses (vocal) e Markus Steffen (guitarras) deixaram sua marca com o clássico "The Art of Navigating by the Stars", que ganhou grande atenção da mídia. Após o lançamento de "Paramount" e com a certeza de que era fácil o trabalho em conjunto, ambos partiram para esta nova caminhada.

Ambos falaram exclusivamente com o 80 Minutos na intenção de divulgar o seu novo trabalho e da vontade de um dia poder visitar o Brasil.

Você pode adquirir a sua cópia de "La Muerta" aqui!.

1. Olá Markus e Arno. Meu nome é André e falo em nome do 80 Minutos, um site gratuito feito para que os ouvintes possam avaliar os seus álbuns favoritos. Desde já, obrigado pela entrevista.

Markus: Obrigado por falar conosco.

Arno: Olá André, sem problemas.

2. O Subsignal está lançando um novo álbum chamado “La Muerta”. Como vocês estão se sentindo?

Markus: Bem… empolgados, como sempre quando estamos diante do lançamento de um novo álbum. São dois anos de trabalho pesado que ficam para trás. É um sentimento maravilhoso quando o álbum é finalmente lançado. Além disso, mal podemos esperar por um feedback do nosso trabalho.

Arno: Estamos nos sentindo ótimos e confiantes. Este álbum, novamente, é algo a mais, algo que está se tornando um padrão do Subsignal.

3. “La Muerta” será um álbum conceitual? O que vocês podem nos dizer sobre as músicas e as letras?

Markus: Não, “La Muerta” não será um álbum conceitual. Cada música possui a sua própria história. Nosso último trabalho “Beacons of Somewhere Sometime” contava com alguns temais musicais que conduziam o ouvinte por todo o CD. Agora, com “La Muerta”, tudo está diferente. Foi nossa a proposta de compôr 10 ou 11 faixas que se sustentam sem depender umas das outras. Desta vez, o nosso foco foi criar música que fosse acessível, mas também desafiadora. Assim, alguns detalhes se tornaram mais importantes: a produção e o amor pelas coisas simples e pequenas. Acredito que, se você ouvir este álbum com fones de ouvido, vai constatar o que estou dizendo. Já na parte lírica, são 10 histórias diferentes. Em sua maioria, são bem pessoais, mas sempre foi minha intenção escrever da maneira mais aberta possível, para que o ouvinte possa criar a sua própria interpretação da história.

Arno: Não há links entre as canções, liricamente ou musicalmente. Nós simplesmente começamos a compôr sem qualquer conceito pré-definido, que é o que fizemos em “The Beacons Of Somewhere Sometime”. Markus tinha as suas ideias e eu as minhas. Nós trocamos essas ideias para músicas e trabalhamos nelas até ficarmos satisfeitos. Basicamente é este o método que foi utilizado para este álbum.

4. Vocês juntos mudaram completamente a sonoridade do grupo Sieges Even assim que começaram a trabalhar juntos. O álbum “ The Art Of Navigating By The Stars” é um clássico do rock progressivo e merecedor de todos os elogios. Vocês poderiam nos contar um pouco sobre o processo de criação deste trabalho? Vocês ainda sentem orgulho dele?

Markus: Com certeza ainda me sinto orgulhoso dele. É uma grande parte da minha carreira musical. Foi criado intencionalmente como uma única canção dividida em várias partes. É um álbum conceitual que conta a história de vida de um homem. Quando estávamos com o tema principal do álbum, foi bem fácil escrevê-lo. Acho que este é um disco que valeria a pena ser lançado em vinil.

Arno: Eu também ainda me sinto muito orgulhoso. Tenho que dizer que é uma pena que o Sieges Even tenha terminado daquela maneira. Imagine onde poderíamos ter chegado neste momento. Mas, você nunca consegue prever estas coisas. Em contrapartida, o Subsignal segue vivo e caminhando muito bem. “ The Art Of Navigating By The Stars” foi o nosso primeiro álbum juntos e foi onde percebemos que trabalhar juntos seria extremamente fácil, e é assim até hoje. Foi a primeira vez que o Sieges Even ousou experimentar e trabalhar com corais e teve contato com o AOR, o que acho uma grande simbiose, combinar Rock Progressivo com melodias do AOR.

5. Em seguida, vocês lançaram o álbum “Paramount” e acabaram por sair do grupo, em um processo que resultou na criação do Subsignal. Houve algum arrependimento? Foi realmente a coisa certa a se fazer? Vocês podem nos contar um pouco mais sobre este período?

Markus: Nós não tínhamos outra opção senão sair. Havia um conflito constante entre duas partes – eu e Arno de um lado com Alex e Oliver do outro. Mas, não me arrependo da nossa decisão. É claro que o Sieges Even foi uma grande parte da minha vida, já que fundei a banda nos anos 80. Para mim, não havia mais motivação para continuar. Pessoalmente, foi um período muito difícil. Não era mais divertido no final. Olhando para trás, me sinto feliz pelos álbuns que fizemos, mas também me sinto feliz por Arno e eu termos criado o Subsignal. Com este grupo, nós podemos fazer o que queremos, sem necessitar da aprovação de ninguém.

Arno: Foi um período ruim, que começou já nas sessões de composição. Na minha opinião, havia somente um compositor principal no Sieges Even: Markus. De repente, o restante também achou que deveria compôr (incluindo a mim), então o álbum e a banda ficaram sem rumo. Como disse, talvez teria sido possível resgatar aquela atmosfera de banda novamente e lançar mais alguns bons álbuns, mas estar em estúdio, gravar, alguns momentos de “horror”, principalmente nas turnês, não faziam as coisas melhorarem. Então, os relacionamentos estavam tão prejudicados que nos levaram a um caminho sem volta, infelizmente.

6. E depois de todos estes problemas e após o lançamento de quatro ótimos álbuns, o Subsignal segue vivo e pulsante. O que a experiência com os álbuns anteriores contribuíram para a produção de “La Muerta”. Com a bagagem de hoje, vocês mudariam algo nos álbuns anteriores?

Markus: Não.. não mesmo. Digo, eles são como um diário musical daquele período em que foram escritos. Então, você não mudaria o que escreveu em um diário, não é mesmo? Em algum momento você tem que deixar para trás e focar no que está adiante. Com cada uma destas etapas você consegue mais experiência como compositor e produtor. Experiência que é o mais importante para mim. Aprendizado e mais aprendizado.

Arno: Bem, você se torna mais experiente como músico e compositor. Você sabe do que é capaz, mas, o mais importante, você sabe o que não fazer. É claro que sempre há algumas partes em algumas músicas em que a decisão parecia certa naquele momento e você acaba registrando daquela maneira. Mas, no geral, estou bem contente com o que gravamos nos últimos 4 álbuns. Neste momento, estou mais satisfeito com “La Muerta”, mas, em 1 ou 2 anos, provavelmente acharei que deveria ter feito diferente em alguns momentos. Acredito que seja um processo natural das coisas.

7. Arno, estou enganado ou há uma forte conexão entre o rock progressivo e o AOR nas músicas do Subsignal? Parece que esta sonoridade está bem evidente principalmente em “The Beacons Of Somewhere Sometime”. Este é um dos estilos musicais que você admira? Eu gosto bastante desta combinação e acho que permite tornar a música inteligente também mais acessível.

Arno: Bem, você acaba de responder a sua pergunta (risos). Isso é o que Markus e eu sempre tentamos alcançar desde o início. Combinar aquela sonoridade desafiadora com músicas agradáveis. Já não é um segredo que sou grande fã de AOR e Westcoat, então as minhas linhas vocais sempre terão esta abordagem com estes ingredientes.

8. Markus, eu considero o Subsignal como uma banda com sonoridade única. Como você a define?

Markus: Eu não mudei os meus métodos de composição desde os primórdios do Sieges Even. Mas, a diferença principal em relação aos tempos atuais, é que Arno contribuiu muito mais com o Subsignal do que contribuía na nosso antigo grupo. Isso é ótimo, porque ele consegue trazer mais das suas influências, o que ajuda a compôr a sonoridade da banda. É uma combinação de diferentes gêneros e estilos.

9. Vocês se especializaram na criação de álbuns em que as canções se completam e formam uma espécie de conceito. Vocês podem nos contar um pouco do processo de criação e composição das músicas do Subsignal?

Markus: Com exceção do álbum “Navigating” do Sieges Even, somente o “Beacons” pode ser considerado como uma espécie de álbum conceitual. O processo é bem simples: você toca algumas canções em seu instrumento até que algo interessante surge em algum momento. É sempre assim que as coisas começam. À partir da primeira canção, o resto passa a seguir o mesmo caminho. “La Muerta” foi a primeira música que fiz para o novo álbum e foi o ponto de partida. Em seguida, a mesma direção foi utilizada para as demais.

Arno: Com exceção do “Beacons“, nós nunca nos sentamos para planejar um álbum conceitual. Markus ainda é o principal compositor e letrista da banda. Então, a maior parte das ideias são escritas por sua caneta. Sem mergulhar em muitos detalhes, Markus estava passando por muitos problemas pessoais em sua vida durante a produção daquele álbum. Naturalmente você acaba compondo de acordo com o seu humor e disposição. Tudo começa com o primeiro riff, que mostra o que são estas emoções, até o momento em que o último acorde é tocado para finalizar o álbum. Se você ouvir “La Muerta“ agora, você rapidamente irá notar que os tempos realmente mudam e, por trás das nuvens, o sol voltará a brilhar.

10. Arno, você iniciou a sua carreira como baterista para depois se tornar um vocalista. Você pode nos contar um pouco das suas influências musicais e dos artistas que lhe motivaram a se tornar músico?

Arno: Uau… bem, eu sempre quis ser o baterista de alguma banda, mas simplesmente não deu certo. Eu era bom, mas achava que iriam dizer que eu era ótimo (risos). Eu ficava preso em ensaios de bandas que não chegariam a lugar nenhum e eu também era bem chato por ficar atado a elas por tanto tempo. Até que surgiu um anúncio para o Sieges Even, procurando por um vocalista. Eu já era fã da banda por tanto tempo que, não importava a função, eu queria agarrar esta oportunidade de me tornar um membro deles. O problema é que eles queriam um vocalista e não um baterista. Eu tinha algumas gravações em fitas em que eu cantava alguns covers e decidi enviá-las para o Markus. Como dizem por aí, o resto é história. Hoje, olhando para trás, fico contente por ter me tornado um vocalista. Principalmente após ter tocado com bateristas como Dirk Brand e Alex Holzwarth, que me mostraram que eu jamais teria sorte atrás de um kit de bateria.
Minhas principais influências são Steve Walsh e o Kansas. Além disso, todos os grandes artistas de Westcoast e AOR do final dos anos 70 e início dos 80.

11. E você Markus? Pode nos contar um pouco das suas influências musicais?

Markus: Esta é uma questão bem difícil. Minhas principais influências foram (e sempre serão) do Rush. Alex Lifeson ainda é o meu herói. Mas, eu também toco bastante guitarra clássica, pois acho que me ajudou muito a desenvolver as minhas ideias para melodias. Em “La Muerta” eu toco guitarra clássica em uma canção que compus chamada “Teardrops Will Dry In Source Of Origin”. Além disso, eu ainda ouço muita música, de diversos estilos e sem fronteiras.

12. Quais os seus álbuns de rock e rock progressivo favoritos de todos os tempos?

Markus: 
Hold your fire – Rush
Up – Peter Gabriel
Clutching at straws – Marillion
Duke – Genesis
Crush – Dave Mattews Band

Arno:
In The Spirit Of Things - Kansas
A Sense Of Change - Sieges Even
Glossolalia - Steve Walsh
Hughes/Thrall – Hughes/Thrall
Airplay – Airplay
If That’s What It Takes - Michael McDonald
Turn Back - Toto
Balance – Balance
Behind Enemy Lines - S.P.Y.S.

Está bom? Posso ir adiante, pois a lista é infinita.

13. Há algum tema específico que vocês gostariam de abordar em algum trabalho futuro? Um filme, série, etc.

Markus: Bem, está cedo para falar sobre isso agora, mas eu tenho algumas ideias em mente. Talvez eu faça um álbum baseado em alguma literatura. Seria fascinante criar algo baseado no trabalho de Edgar Allan Poe, por exemplo.

Arno: Acho que não... Para mim, as melhores letras são aquelas baseadas em eventos e emoções da vida normal. Por isso que admiro pessoas como: Tom Waits, Nick Cave e David Lee Roth.

14. Vamos supor que eu comece a falar sobre a carreira do Subsignal para um fã iniciante. Na opinião de vocês, qual álbum seria o melhor ponto de partida para indicar?

Markus: Comece com “Beautiful & Monstrous”. Embora seja o nosso primeiro álbum, ele já possui todas as nossas características: melodias, arranjos de voz de Arno, peso e melancolia.

Arno: É difícil responder, pois nós variamos muito as nossas propostas. Sei que existem muitos fãs de “Touchstones” por aí, ou outros que preferem a melancolia de “Beautiful & Monstrous” ou do “Beacons”. Realmente depende do ouvinte. Mas, como estou promovendo o nosso último álbum, comece pelo “La Muerta” (risos).

15. O conceito do nosso website é permitir que os usuários relatem a sua experiência durante os 80 Minutos da audição de um álbum. Vocês poderiam nos dizer qual o último álbum que ouviram e que vale a recomendação?

Markus:  Acabo de ouvir o último álbum do Tesseract - “Sonder”, que é bem interessante.

Arno: Um álbum de AOR desconhecido de 1985 feito por uma dupla chamada Drama. O álbum chama “Scene From A Distance”. Grandes composições e ótimos vocais.

16. Markus e Arno, nós agradecemos enormemente a participação de vocês e desejamos enorme sucesso com “La Muerta” e na turnê de divulgação. Esperamos vocês no Brasil assim que possível. Muito obrigado!

Markus: Muito obrigado pela entrevista. Gostei muito! Espero que seja possível levar o Subsignal até o Brasil um dia. Será um sonho se tornando realidade.

Arno: André, agradeço pela disposição em nos ouvir. Agradeço a todos no Brasil que apoiam o Subsignal (e também o Sieges Even) por todos estes anos. Nós sinceramente esperamos que “La Muerta” os agrade e esperamos nos encontrar um dia, em algum momento. (Arno usa o trocadilho “Someday, Somewhere, Sometime” com o nome do álbum anterior da banda).


Quer Mais?

Veja as nossas recomendações:

Fábio Caldeira

Relacionado com: Maestrick
Data da Entrevista: 06/10/2018

Cadastro por: André Luiz Paiz
Em: 07/10/2018

Johnny Gioeli

Relacionado com: Axel Rudi Pell, Gioeli-Castronovo, Hardline
Data da Entrevista: 20/08/2018

Cadastro por: André Luiz Paiz
Em: 27/08/2018

Drannath

Relacionado com: Gosotsa
Data da Entrevista: 20/08/2018

Cadastro por: André Luiz Paiz
Em: 24/08/2018

Dieter Hoffmann

Relacionado com: Starfish64
Data da Entrevista: 14/08/2018

Cadastro por: André Luiz Paiz
Em: 21/08/2018