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Entrevista - Steve Hackett

Relacionado com: Genesis, GTR, SQUACKETT, Steve Hackett
Data da Entrevista: 15/02/2018
Autor: André Luiz Paiz
Traduzido por: André Luiz Paiz

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EXCLUSIVO para o 80 Minutos.

Steve Hackett é conhecido por seu enorme talento e inovação no rock. Ele era o guitarrista da formação clássica do Genesis: Gabriel, Collins, Banks e Rutherford. Esse time fez álbuns aclamados como Selling England by the Pound. Em março de 2018 os brasileiros poderão assistir o artista ao vivo em Porto Alegre (Espaco Araujo Vianna, 20 de março), São Paulo (Espaço das Americas, 22 de março), Rio de Janeiro (Vivo Rio, 23 de março) e Belo Horizonte (Palácio das Artes, 25 de março). As apresentações fazem parte da Top Cat Series, sequência de shows internacionais promovida pela Top Cat Produções Artísticas. 

A turnê pretende englobar toda carreira de Hackett, incluindo o projeto Genesis Revisited, novas e antigas canções solo e um pouco do supergrupo GTR, que formou com Steve Howe, nos anos 80.
Com a versatilidade que demonstra como compositor e instrumentista, ele tem influência de muitos gêneros, como jazz, world music e blues. Seus discos clássicos contam com versões para compositores como Bach e Satie. As composições de Hackett para o violão são admiradas por nomes como Yehudi Menuhin. Um de seus trabalhos mais ambiciosos é a gravação de A Midsummer Night's Dream, acompanhado pela Royal Philharmonic.

Com o Genesis, Steve na guitarra produziu momentos inesquecíveis: desde a sensibilidade do seu som acústico em Horizons e Blood on the Rooftops aos solos dramáticos em Firth of Fifth e Fountain of Salmacis. Quando embarcou na carreira solo, Steve explorou novos horizontes, inventando sons e técnicas inovadores, como a do 'tapping'. Sua carreira solo incluiu o hit Cell 151, e também a superbanda GTR.

Após o GTR, Steve trabalhou com grandes nomes como Paul Carrick, Bonny Tyler, John Wetton e Brian May, que cita Steve como influência. Hackett produziu Genesis Revisited, álbum que fez sucesso. Buscando suas raízes ele compôs Blues with a Feeling, enquanto continuava desafiando seus horizontes misturando sons, gêneros e um toque de exotismo.

Seus discos recentes possuem um alto grau de sofisticação, percebido na atmosfera dramática de Darktown e Wild Orchids ou na viagem colorida pelo tempo e espaço de To Watch the Storms. Em 2009, o lançamento de Out Of The Tunnel's Mouth, escrito e gravado em meio a problemas pessoais e profissionais, obteve resposta positiva dos admiradores e críticos, sendo considerado seu melhor trabalho até então. Logo após o lançamento de OOTTM aconteceu Beyond the Shrouded Horizon (2011), que também foi muito bem recebido. Em 2012 Steve colaborou com Chris Squire, do Yes, no disco ‘A Life Within a Day’, do projeto ‘Squackett’ .

As apresentações ao vivo de Hackett levam o público para uma jornada extraordinária, que tem base numa rica herança musical. Clássicos do Genesis como Firth Of Fifth se combinam com o melhor do seu trabalho solo e material recente, demonstrando que Steve é um artista de alto nível. Com o auxílio de alguns dos melhores músicos do planeta, o estilo único da guitarra de Steve continua sendo a base desse show.

A entrada do Genesis no Hall da Fama do Rock, em 2010, é prova da qualidade de sua música. Steve sempre respeitou o som do Genesis. Seu álbum duplo Genesis Revisited II, lançado em 2012, traz uma seleção de artistas icônicos tocando canções populares do grupo. A excursão mundial de Genesis Revisited em 2013 foi repetida em 2014 e 2015. 

Sem se acomodar, Steve continua produzindo material novo. Seguindo o successo de Wolflight, seu mais recente disco The Night Siren chegou às paradas em muitos países, incluindo o top 30 na Inglaterra. 

A vinda de Steve Hackett é parte do Top Cat Concert Series, projeto iniciado ano passado, que trouxe Renaissance e 10.000 Maniacs ao Brasil. Em 2018, o Top Cat Concert Series continua, com shows e eventos internacionais com música de qualidade, dando ênfase ao jazz, blues e rock clássico e progressivo de todo mundo, procurando agregar o publico em todas as suas apresentações.

1. Olá Steve, meu nome é André e falo em nome do 80 Minutos, um site colaborativo criado para as pessoas que gostam de avaliar os seus álbuns favoritos.

Olá André!

2. Primeiramente, gostaria de elogiar o seu último trabalho solo, "The Night Siren", que é extremamente interessante. É algo notável que você se mantém criativo e ainda inspirado a compôr sólidos álbuns. O que lhe mantém motivado a seguir criando música e fazendo turnês?

Fico feliz que tenha gostado de "The Night Siren". Ultimamente, tenho estado extremamente inspirado por música e instrumentos ao redor do mundo. Há vinte artistas de vários países neste álbum, incluindo a América, Islândia, Hungria, Reino Unido e um israelense trabalhando ao lado de um palestino. Já tenho inclusive um músico indiano de cítara que planejo incluir em meu próximo álbum.

3. Você chegará ao Brasil com um possível setlist que está deixando os fãs brasileiros alvoroçados. Você está preparando algo especial para os fãs daqui? Afinal, você é gosta bastante de música brasileira, não é?

Estou incluindo várias canções favoritas do Genesis, que tenho certeza que os fãs brasileiros são apaixonados, como: Supper’s Ready, One For The Vine, Fountain Of Salmacis, Firth Of Fifth e The Musical Box. Também teremos When The Heart Rules The Mind do grupo GTR e várias favoritas da minha carreira solo, como:  Shadow of the Heirophant, Every Day, The Steppes e também algumas canções do "The Night Siren".
Sim, eu gosto bastante de música brasileira. Já estive em contato com músicos do Brasil, com o Ritchie e gravei várias músicas brasileiras em meu álbum "Till We Have Faces". Gosto muito dos ritmos e percussões brasileiras. Estou empolgado em levar a minha música novamente ao Brasil.

4. Steve, em 1977 você anunciou publicamente que estava saindo do Genesis. Logo em seguida, a banda iniciou uma drástica mudança de direcionamento, buscando visibilidade e, consequentemente, criando uma sonoridade mais acessível, fazendo com que a banda passasse a ganhar grande atenção da mídia. Pra você, houve algum arrependimento ou intenção de retorno em algum momento?

Não. Apesar de ter gostado bastante de estar no Genesis, não me arrependi de ter saído. Eu sentia uma grande necessidade de ter autonomia, seguir o meu próprio caminho e explorar minhas ideias musicais.

5. Em 2014, foi lançado o documentário "Genesis: Together and Apart", também nomeado "Sum Of The Parts" em alguns lugares. Foi ótimo saber mais sobre o Genesis com depoimentos e imagens. Porém, como ponto negativo, é notável que há certa diferença de espaço sobre a carreira solo de alguns membros em relação a outros, principalmente à sua, que recebeu menor destaque. Houve algum acordo contratual que garantisse uma divisão por igual entre os membros? Diante das especulações de reunião do grupo naquele período, foi este o momento em que foi colocado um ponto final em definitivo?

Sempre fico contente em acompanhar a história do Genesis sendo celebrada em documentários, já que foi uma banda incrível. Naturalmente fiquei desapontado que a minha carreira solo não foi sequer mencionada no documentário, mas mantenho minha amizade com todos os membros e não há nenhum ressentimento.

6. Em 2015, nós recebemos a triste notícia do falecimento do grande Chris Squire. Vocês eram amigos próximos? Havia planos para uma continuação de Squackett?

Sim, éramos amigos próximos e adorávamos trabalhar juntos. Sim, nós estávamos pensando em fazer mais um álbum do Squackett. Ele foi um baixista fenomenal, único e com muitas ideias originais. Fiquei muito triste ao saber que tinha falecido e sempre sentirei a sua falta.

7. Falando sobre novos projetos, há alguma novidade que você pode compartilhar?

Estou trabalhando em um novo álbum, que já está começando a criar vida. Também tenho trabalhado algumas ideias com Steve Rothery, do Marillion. Então, ali também há possibilidade de um novo projeto.

8. Hoje em dia é bem comum a criação de projetos em que grandes artistas se reúnem para a formação de novas bandas, conceito também conhecido como supergrupo. Como você também já participou de alguns, é mais fácil ou mais difícil trabalhar com músicos que já possuem carreiras de sucesso? Por exemplo, o GTR não foi muito além por causa de diferenças criativas. É complicado aplicar a democracia que uma banda exige em situações deste tipo? É por isso que alguns músicos preferem seguir carreira solo após conseguirem sucesso?

O projeto GTR realmente foi curto, porém muito bem-sucedido, com um disco de ouro na América e um hit lançado como single e que estará no setlist desta turnê. Geralmente, é um pouco complicado trabalhar com outros músicos de sucesso, pois nós costumamos ter ideias fortes e gostamos de defendê-las. Porém, às vezes pode funcionar muito bem, o que faz o resultado ser inacreditavelmente especial. Mas, nem sempre é possível fazer com que as coisas deem certo.

9. Vamos supor que eu comece a falar sobre a carreira de Steve Hackett para um novo fã. Qual álbum você me sugere para que eu indique a ele como ponto de partida?

Muitas pessoas amam "Spectral Mornings", que inclusive também é o meu favorito. Eu também recomendaria "The Night Siren", pois demonstra o desenvolvimento da minha música, o que me deixa bastante orgulhoso, além de ser um álbum bastante acessível. Há canções ali para vários tipos de pessoas.

10. O conceito do nosso site é permitir com que os usuários relatem a sua experiência durante a audição de um álbum de música. Você poderia nos dizer um álbum que você ouviu recentemente e que recomendaria?

Recentemente ouvi o álbum "The Resistance" do conjunto Muse, que achei muito bom.

11. Steve, nós agradecemos a atenção ao 80 Minutos e desejamos que a sua visita ao Brasil faça com que queira retornar sempre que puder. Sucesso na turnê e em projetos futuros!

Obrigado! Sempre tenho intenção de voltar ao Brasil, com suas plateias tão vibrantes. Será ótimo tocar para vocês mais uma vez.


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