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Artigo

Os 25 anos de Nightingale

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Por: Vitor Sobreira

03/06/2019

Dan Swanö é um músico e produtor sueco que por meio de sua criatividade – aparentemente sem limites -, sempre se manteve envolvido em diversos projetos solos, bandas, participações especiais e ainda atuando em estúdios, seja na produção, mixagem, gravação ou masterização. Não é difícil dizer que o cara é uma das mentes mais produtivas da Música Pesada nas últimas duas décadas e meia.

A lista é bastante extensa, mas aqui, ater-me-ei especificamente a um desses seus trabalhos, o Nightingale. Fundado em 1994, para suprir a necessidade de trabalhar sozinho em algo, inicialmente uma veia Gothic pulsava salientemente em meio aos elementos Progressivos. De um modo geral, as composições da banda sempre apresentam a preocupação de seu criador em não soar como uma mera cópia de alguma outra banda. O resultado disso, são composições trabalhadas, com atenção redobrada em alguns detalhes, climas viajantes e sombrios – seja em qual álbum for.

O debut ‘The Breathing Shadow’ saiu em 1995 pela Black Mark Productions (famosa pelos “misteriosos” lançamentos do Bathory), com nove composições e um jovem e solitário Dan cuidado de todos os instrumentos e de parte da produção. No mesmo ano, também seria lançado o segundo disco do Unicorn, ‘Emotional Wasteland’, já mais voltado ao Rock Progressivo e onde nosso amigo sueco tocava bateria e cantava. No ano seguinte, foi a vez de ‘The Closing Chronicles’, que deu uma enxugada no Gothic e começou a trabalhar ainda mais o Prog Metal. Em paralelo, no mesmo período saiu o quinto álbum do Edge of Sanity, ‘Crimson’ – com uma única música de 40 minutos (!!) -, buscando (quase que pioneiramente) promover a combinação de Death Metal com o bendito Prog!

O terceiro full do Nightingale demoraria um pouco mais para sair, já em 2000 e intitulado como ‘I’. Ah, não podemos nos esquecer que a partir do segundo trabalho, a presença de Dag Swanö (irmão de Dan, comumente creditado como “Tom Nouga”) se tornou constante, dando apoio nas guitarras, baixo, violão, teclados e mais tarde até nas composições. ‘Alive Again: The Breathing Shadow Part IV’ saiu em 2003, ainda sob a mesma gravadora e tendo como um dos destaques a faixa “Shadowland Serenade” – que indiscutivelmente tem um dos melhores refrões que já ouvi.

O tempo as vezes é cruel em sua passagem, e logo em 2004 trouxe mais um disco, ‘Invisible’, reafirmando a chegada dos reforços Erik Oskarsson (baixo e backing vocal) e Tom Björn (bateria), presentes desde o disco anterior e que por sua vez, também possibilitariam a realização de shows. A capa foi assinada pelo húngaro Gyula Havancsák (Annihilator, Destruction, Grave Digger e outras).

Segundo registros, 2005 pode até ter sido um ano mais “fraco” na agenda de Swanö, mas não passou em branco – de maneira relevante – com a mixagem do excelente ‘The Pale Haunt Departure’, do Novembers Doom (onde também executou o solo de guitarra na faixa “Dark World Burden”) e com o lançamento especial de ‘Nightfall Overture’, composto em sua maioria por músicas regravadas dos quatro primeiros álbuns do Nightingale, além de um cover do Edge of Sanity e da faixa inédita “Better Safe Than Sorry”. A capa novamente foi feita por Gyula.

Mantendo tudo nos conformes, ‘White Darkness’ saiu em 2007, e depois disso, apenas em 2014 o Nightingale ressurgiria das cinzas (mais uma vez) e lançaria o seu oitavo álbum de estúdio ‘Retribution’, com a sonoridade intacta, mas em parceria com a gravadora alemã InsideOut Music e com trabalho gráfico providenciado pelo igualmente brilhante Travis Smith (Anathema, Control Denied, Opeth, entre inúmeras outras). Também foram liberados o boxed set ‘Box of Rock’ (2009) – com demos e uma apresentação de 2006 em Moscou/Rússia – e o ao vivo ’Rock Hard Live’ (2017), gravado na edição de 2016 do festival alemão Rock Hard Festival. Nada mal, hein?!

Pois é meus amigos, entre idas e vindas, lá se vão 25 anos de história de uma banda (ou projeto, como preferir) que vale a pena ser conferida, caso você queira inalar um pouco da viagem proporcionada pela musicalidade Progressiva de um trabalhado Rock/Metal, elaborado quase que alquimicamente por uma mente incansável. Mais um típico caso de um nome que merecia ter conseguido mais atenção…

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