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Artigo

Quando Los Angeles tornou-se a capital mundial da música

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Autor: Roberto Rillo Bíscaro

25/05/2019

Nos anos 80, Lulu Santos cantava sobre o sonho de ir à Califórnia, viver a vida sobre as ondas e ser artista de cinema. O estado mais rico da federação norte-americana fascina desde a corrida do ouro, em meados do século XIX. Depois, ofuscou o mundo com as lantejoulas e diamantes de Hollywood. 

Em termos musicais, porém, quem comandava gostos era Londres e Nova York, pelo menos até a segunda metade dos anos 1960. Parcialmente inspirados pelos Beatles, um grupo de artistas mudaria esse cenário e transformaria LA no centro mundial da canção. Essa é a história contada pelo documentário inglês Hotel California: LA from The Byrds to the Eagles (2007).

Ignorando os Beach Boys, o programa afirma que a partir do rock com pegada folk dos Byrds, a cidade passaria a ser viveiro de grandes artistas que primeiro tinham um tom mais politizado, mas com os desastres de 1969 – assassinato de Bob Kennedy, Sharon Tate e Martin Luther King – assumiram postura mais individualista e confessional, como Carole King, Joni Mitchell e James Taylor, mas sempre mantendo a acusticidade e a proximidade com as raízes folk, country e bluegrasss da cultura norte-americana.

Hotel California: LA from The Byrds to the Eagles adota o tom típico de relatos do gênero: conta a história em termos de gênese heroica e idealista, passando pela fase da aceitação e apogeu, desembocando na decadência e ruína. Esse último estágio é representado pelo country rock desavergonhadamente comercial e calculado para vender da banda Eagles, para a qual o disco de platina foi inventado, tamanhas as vendas de seus álbuns.  

Sem querer, o documentário revele a cruel dicotomia racial que cindia a sociedade norte-americana. Não vemos sequer um artista negro na retomada da Americana. Por mais importante que tenha sido esse movimento, era de classe-média caucasiana.

Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


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