Grandes baixistas fretless

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Por: Márcio Chagas

Colaborador Sênior

13/06/2022



O baixo pode parecer simples a ouvidos desatentos, mas sempre foi um instrumento de muitos recursos, possuindo inúmeras versões: Elétrico, acústico, com 4, 5, 6, até 18 cordas e ainda o fretless. E esse último tipo é o objeto desta matéria.

Não se sabe como o fretless foi criado, mas a maioria das histórias atribui sua criação a Jaco Pastorius, que artesanalmente removeu as trastes de seu Fender, substituindo por resina com o intuído de ter a sonoridade mais próxima a do baixo acústico.

Realmente a sonoridade do instrumento é diferenciada, pois o fretless não tem a elegância do baixo acústico e nem mesmo a urgência do elétrico. Seu som encorpado se situa em um saudável meio termo, ampliando as possibilidades do músico.

Alguns baixistas utilizam o instrumento de maneira ocasional, apenas como mais um item do variado cardápio de graves. Outros, vão mais a fundo, estudando e utilizando quase exclusivamente modelos sem trastes. 

Abaixo separei oito baixistas de diversos estilos que utilizam na maioria das vezes o baixo fretless para criar sua sonoridade. Boa leitura!


1 – Jaco Pastorius. Um dos maiores baixistas de todos os tempos, Jaco influenciou uma geração inteira de músicos, do jazz ao metal pesado. Seu nome é quase um sinônimo de baixo fretless, uma vez que foi ele quem teve a ideia de remover as trastes de seu instrumento lhe dando uma sonoridade nunca antes ouvida. Jaco foi revolucionário também na utilização de novas técnicas como de harmônicos artificiais e o uso de notas fantasmas, sempre esbanjando técnica e grooves insuperáveis. O baixista fez fama tocando ao lado de Pat Metheny, Joni Mitchell e do grupo fusion Weather Report. Mesmo após mais de 30 anos de sua morte, Jaco continua sendo uma influência para todos que se aventuram em aprender o instrumento. OUÇA: Jaco pastorius. CD solo – 1976

2 – Tony Franklin. Um dos grandes nomes do baixo fretless no rock, Tony ganhou notoriedade no inicio dos anos 80, quando integrou os supergrupos THe Firm, ao lado de Paul Rodgers, Jimmy Page e Chris Slade e posteriormente o Blue Murder com John Sykes e Carmine Appice. Mas esse músico de 60 anos possui uma longa carreira, acompanhando artista como Roy Harper, Kate Bush e Whitesnake e mais recentemente ao lado de Kenny Wayne Shepherd. Franklin privilegia a melodia dentro da música. Seu estilo é técnico, mas sem soar excessivamente indulgente. O musico tenta alinhar sua técnica dentro da canção, se unindo a ela de forma única e especial. Em janeiro de 2006, a Fender introduziu no mercado o Tony Franklin Fretless Precision Bass, um instrumento com as mesmas especificações usadas por Tony. Devido a seu estilo ao mesmo tempo lírico e arrojado, o músico é conhecido pelo apelido de “Fretless Monster”. OUÇA: The Firm – 1985

3 – Percy Jones. Esse baixista galês é conhecido por integrar o grupo fusion Brand X, que nos anos 70 teve Phil Collins atuando em suas fileiras. Jones usa exclusivamente baixos fretless, e tem um estilo completamente pessoal, utilizando três dedos com a mão direita para tocar as cordas. Ele é adepto também dos harmônicos deslizantes, além de outras técnicas como utilizar o polegar esquerdo para conseguir intervalos maiores. O musico começou utilizando o Fender Precision fretless, mas posteriormente passou a utilizar os baixos Wall, e mais recentemente baixos Ibanez personalizados. Percy tocou ainda com Kate Bush , David Sylvian , Brian Eno , Steve Hackett e ainda integrou o Soft Machine, outro nome importante do fusion. OUÇA: Tunnels. CD solo – 1993

4 – Gary Willis. Este músico nativo do Texas talvez seja o baixista fretless mais influente depois de Jaco Pastorius. Seu estilo é extremamente fluido e dinâmico, apresentado melodias sofisticadas que agradam até mesmo a ouvidos desacostumados com o estilo técnico do fusion. A fama de Willis aumentou exponencialmente em 1985, após lançar o primeiro álbum com o Tribal Tech, banda de fusion que fundou ao lado do guitarrista Scott Henderson. Mas antes disso o músico já havia trabalhado com nomes do porte de Wayne Shorter, Allan Holdsworth, Hubert Laws, Simon Phillips, Joe Diorio, Robben Ford, Phil Upchurch e muitos outros. Desde 2004, Willis estabeleceu-se em Espanha, onde ensina composição, arranjo e improvisação na prestigiada Escola Superior de Música da Catalunha de Barcelona paralelamente a sua carreira solo. OUÇA: Retro. CD solo – 2013

5 – Michael Manring. Baixista da Bay Area de San Francisco, Manring estudou com ninguém menos que Jaco Pastorius, absorvendo seu aprendizado e elevando ainda mais o nível técnico do fretless. Michael começou a ganhar notoriedade no final dos anos 80 quando integrou o cast da Windham Hill Records, uma gravadora especializada em new age e jazz mais atmosférico. O baixista gravou com vários artistas da gravadora, como o lendário violonista Michael Hedges, alem de ter iniciado sua carreria solo com o ótimo Drastic Measures. Manring também participou de inúmeros projetos de fusion, como Skol-Patrol e Attention Deficit, com Tim Alexander do Primus e Alex Skolnic do Testament. A técnica de Michael no fretless é muito virtuosa e exótica, com o músico utilizando afinações alternativas incomuns e tocando ao vivo em dois ou três baixos simultaneamente. Michael utiliza majoritariamente o Zon Hyperbass, um instrumento de quatro cordas flexível que Manring co-projetou com Joseph Zon. OUÇA: Thonk. CD solo – 1994

6 – Mick Karn. Baixista grego, Karn ficou conhecido ao participar do grupo Japan, no final dos anos 70 e inicio dos 80´s. O grupo fez fama misturando progressivo, pop rock e glam, criando uma sonoridade única e original. Karn influenciou uma geração de baixistas apresentando uma técnica exótica no baixo fretless. Além de extremante melódico, o músico adicionava intervalos atípicos, sempre utilizando um baixo Travis Bean com braço de alumínio, que deixava seu som ainda mais personalizado. Completamente autodidata, Karn ainda integrou o supergrupo Rain Tree Crow ao lado de Steve Jansen e Richard Barbieri e colaborou com diversos músicos de jazz e rock progressivo como David Torn e Kate Bush. Mick faleceu em 2011 aos 52 anos vitima de um câncer. Em 1982, Pete Townshend do The Who afirmou que "Mick era de longe o melhor baixista do Reino Unido". OUÇA: JBK. Playing In A Room With People – 2001

7 – Steve Di Giorgio. Este americano é conhecido por integrar bandas pesadas, como Testament, Obituary e Sadus, sendo que esta ultima foi um dos membros fundadores. Di Giorgio foi o primeiro baixista a levar o fretless para a música extrema. Steve é extremamente técnico e influenciado por vários baixistas fora de seu estilo como Jaco Pastorius e Billy Sheehan. Como músico de estúdio, o baixista participou de mais de 50 projetos. Embora tenha atuado majoritariamente no rock pesado, Di Giorgio chegou a fundar o grupo de jazz Dark Hall em 1992 ao lado do baterista Chris Dugan. OUÇA: Testament – Titans of Creation – 2020

8 – Steve Bailey. Um dos maiores nomes do baixo fretless de seis cordas, Bailey sempre apresentou uma técnica absurda, dominando o instrumento como poucos. Sua sonoridade chegou a ser considerada exagerada por alguns puristas, devido passagens completamente intrincadas criadas pelo músico. Steve foi baixista de sessão, tendo tocado e gravado com uma infinidade de nomes, de jazzistas eméritos como Dizzy Gillespie e Paquito D'Rivera a grupos de rock como Jethro Tull e Lynyrd Skynyrd. Desde 2012, Steve atua como Presidente do Departamento de Baixo na Berklee College of Music de Boston, lecionando musica em paralelo a sua eventual carreira solo. OUÇA: Carolina. CD solo – 2020


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