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Artigo

Until The Light Takes Us: Um documentário sobre o Black Metal

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Por: Tarcisio Lucas

02/03/2019

Uma vez que o filme “Lord of Chaos”, que já foi comentado aqui em outro artigo, tem provocado uma verdadeira efervescência de conversas e debates a respeito do black metal, decidi fazer uma análise deste documentário lançado em 2009 (nos EUA...em outros países em momentos diferentes), e que com certeza foi uma das maiores fontes de informação e inspiração do famigerado filme recente.
Dirigido por Aaron Aites e Audrey Ewell, “Until the Light Takes us” (algo como “Até que a luz nos leve”) é um documentário que procura traçar as origens e ideias por trás do black metal norueguês, se apoiando principalmente no depoimento direto de músicos que participavam da cena naquele momento, bem como na forma como a mídia local tratou os ocorridos.
O grande trunfo do documentário é trazer, em maior ou menor grau, nomes de peso dentro da história contada. Eis aqui uma lista dos músicos e artistas que aparecem ao longo do filme:

Gylve "Fenriz" Nagell (Darkthrone) 
Varg "Count Grishnackh" Vikernes (Burzum, Mayhem)
Jan Axel "Hellhammer" Blomberg (Mayhem) 
Olve "Abbath" Eikemo (Immortal)
Harald "Demonaz" Nævdal (Immortal)
Bjarne Melgaard (visual artist) 
Kristoffer "Garm" Rygg (Ulver, Arcturus) 
Kjetil "Frost" Haraldstad (Satyricon, 1349, Keep of Kalessin) 
Bård "Faust" Eithun (Emperor), sendo que este, por alguma razão, aparece apenas com sua silhueta e com a voz mecanicamente distorcida.

Apesar de todos esses nomes, a história é traçada basicamente pelos depoimentos de Gylve Nagell, do Darkthrone, que é basicamente quem conta a história toda, dando suas opiniões sobre os eventos e sobre o black metal em geral, e Varg Vikernes, cujos depoimentos foram gravados dentro da prisão de segurança máxima onde o mesmo se encontrava cumprindo pena máxima pelo assassinato de Euronymous, o qual Varg descreve em detalhes em certo ponto.
A primeira coisa que definitivamente chama a atenção nesse documentário com certeza é: as prisões da Noruega são mais confortáveis e aconchegantes que 80% das casas de um trabalhador brasileiro comum. Em um certo ponto, Varg diz que estar preso na Noruega é como “estar fazendo um retiro em um mosteiro”, e que isso o possibilita ler muito e se concentrar em coisas mais importantes...uma realidade bem distante, de fato!
Mas, voltando ao documentário...
Não se trata de uma mega produção. A qualidade das imagens na maior parte do tempo vai do “aceitável” ao “pobre”. Os diretores tentam compensar isso alternando cenas de forma rápida, com muitas imagens que as Tvs fizeram na época, incluindo as matérias que circularam nas emissoras no momento em que as igrejas estavam sendo queimadas. Dessa forma, o que falta em qualidade é compensado pelo registro histórico, apresentando um material que até então não havia sido compilado de forma organizada como foi feito aqui.
E verdade seja dita, a crueza das gravações combina muito bem com o próprio espírito do black metal, e em última análise acredito ter sido perfeito para o que foi proposto. 
Para quem já assistiu “Lords of Chaos”, ficará claro que o diretor do filme estudou esse documentário com atenção.

Pontos Negativos:

Primeiramente, devo dizer que vale sim a pena ver o documentário. Acho uma obra válida. No entanto, tenho algumas críticas. Bem, na verdade uma única crítica de fato.
Mesmo com todos os nomes que listei no início dessa matéria, esperaria-se muito mais aprofundamento e riqueza de detalhes. 
Fatos que até então estavam obscuros (e que continuam obscuros até hoje) poderiam ter sido abordados. Mas – talvez por reticências dos próprios entrevistados – o que temos na maior parte do tempo é só uma repetição de tudo aquilo que já podia ser lido nos sites de musica da época. Alguns trechos – como a performance black metal em uma galeria- cumprem um papel meramente plástico e estético no filme, não acrescentando absolutamente nada ao conteúdo apresentado.
Em certo ponto, Gylve visita uma exposição de arte que abordava o gênero black metal, e o que poderia ter sido um debate aprofundado e rico sobre o estilo em si não passa de longos momentos em que o musico fica olhando as obras...e só. Literalmente só.
O que atenua isso é o fato dos diretores não terem estendido o documentário, o que poderia ter criado uma obra totalmente entediante.

Conclusão:
É uma obra interessante, mas que não ousa em nenhum momento. Ou talvez o próprio fato de ter sido feito já tenha sido uma ousadia. Decidam vocês.
Pessoalmente, gostei. Achei interessante ver muita gente envolvida na cena da época dar suas impressões.
Também acredito que é uma visita obrigatória para todos que entraram na “hype” do Lord of Chaos. 

Ficha técnica:
Direção: Aaron Aites e Audrey Ewell
Produção: Aaron Aites, Tyler Brodie, Audrey Ewell, Gill Holland, Frederick Howard
Ano de lançamento: 2009 (nos EUA)
Tempo total: 93 minutos

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