A Double of Two Pair: As melhores duplas de guitarristas do rock - Parte 2

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Por: Márcio Chagas

Colaborador Sênior

05/04/2022



Após publicar a primeira parte destacando dez grandes duplas de guitarristas, separei mais algumas que ajudaram a redefinir o padrão do rock e da música em geral.
Muitos não são lembrados quando o assunto vem à tona, seja pela brevidade da formação seja pelo fato do grupo em que estiveram não ter alcançado grande notoriedade. 
Acredito que, com esta segunda parte, consegui reunir as maiores e mais representativas duplas da história do rock, heavy metal e rock progressivo. Boa leitura.

James Hetfield e Kirk Hammett – Metallica

De inicio, pensei em não incluir na lista duplas divididas entre guitarra solo e base, mas é impossível ficar alheio a dupla do Metallica. Hetfield toca guitarra como se fosse bateria, seu senso rítmico é insuperável. Lá atrás, está Hammet, um garoto que passava os dias estudando guitarra, tendo aprimorado sua técnica com professores do porte de Joe Satriani. Os dois juntos são como nitro e glicerina. É incrível ver os dois em ação nos palcos onde os músicos após mais de 30 anos tocando juntos, sequer se entreolham. Eles sabem exatamente o que o outro vai fazer, mesmo em situações de improviso. Se James teve inúmeros problemas com o baterista Urich, a sintonia com Kirk nunca foi perdida. É com certeza a dupla mais famosa e cultuada dentro do thrash metal mundial.

Jeff Hanneman e Kerry King

A guitarra dentro do thrash metal pode ser dividida entre antes de depois do Slayer. E, apesar de curiosamente nenhum dos dois músicos serem exemplos de virtuosismo, ninguém os supera na criação de riffs pesados e brutais. O sisudo King viu Hanneman pela primeira vez ainda em 81, tocando em uma banda de southern rock chamada Ledger! Ficou impressionado com a técnica de Jeff e o chamou para começarem juntos uma banda própria. King era um apaixonado por heavy metal clássico, sua principal influência vem dos riffs criados por Tony Iommy no Black Sabbath. O músico já declarou que seu estilo é descontroladamente caótico e angustiante. Do outro lado havia Hanneman, que além de metal, adorava a urgência do punk e do hardcore. Essas influências mais diretas foram responsáveis pela abordagem mais rápida e agressiva do grupo, ajudando a definir a sonoridade que os deixariam famosos. Além de estilos distintos, e talvez por isso mesmo, a dupla pensava no Slayer mais como uma entidade completa do que individualmente. Essa visão definiu os rumos da banda e Juntos fizeram história até a morte de Hanneman em 2013.

Michel Wilton e Chris DeGarmo

Muito antes da internet, download e de ser estabelecido o termo “prog metal”, um grupo de jovens de Seattle tinha um ambicioso objetivo: Misturar melodias de grupos progressivos como Yes e Genesis com o peso de medalhões como Iron Maiden e Black Sabbath. Para a criação desta sonoridade, foi determinante o entrosamento entre os guitarristas Michael Wilton e Chris DeGarmo. DeGarmo utilizava a sutileza melódica de David Gilmour em seu instrumento, principalmente no que tange a abordagem. Alex Lifeson era outra grande inspiração. Ele também empregava o lap steel, slides, e ainda era responsável pelos teclados ao lado do vocalista Geoff Tate. Além deste vocabulário amplo na guitarra, o músico ainda é um compositor refinado e um excelente orquestrador. Winton nunca foi um compositor tão bom como seu parceiro, nem tinha uma técnica rebuscada, mas sempre foi um riffmaker de mão cheia. Vinha dele todo o peso das guitarras mais diretas, fortemente influenciadas por Iron Maiden e bandas setentistas como UFO. O fato de possuírem técnicas e influências tão distintas no instrumento, foi determinante para a criação do estilo que tanto buscavam. Analisando de maneira fria, seria impossível o grupo criar sua sonoridade conhecida tendo apenas um deles como guitarrista. O auge criativo da dupla ocorreu nos clássicos Operation Mindcrime e Empire.

Dave Mustaine e Marty Friedman

Que Dave mustaine sempre foi um riffmaker nato isso não resta dúvidas. Porém, no inicio do Megadeth o líder carecia de um parceiro que tivesse plena integração musical, alguém que tivesse boa técnica como solista e atuasse de maneira profissional, complementando suas excelentes composições. Após três grandes lançamentos e várias instabilidades em seu line-up, o grupo entrava nos anos 90 com novas mudanças de formação, deste vez com a entrada do virtuoso Marty Friedman nas guitarras. O novo guitarrista era a cereja do bolo que faltava na musicalidade da banda. Friedman tinha um conhecimento técnico acima da média, vinha da escola denominada shred, tendo como expoentes Yngwie Malmsteen e Joe Satriani, que solavam na velocidade da luz. Desta forma, o novo parceiro de Mustaine conseguia executar solos rápidos capturando a essência das composições do líder. A dupla reinou absoluta no thrash metal nos anos 90, lançando vários álbuns que se tornaram clássicos como Rust in Peace e Youthanasia, até a Saída de Marty no final daquela década. A parceria foi tão prolífica que até os dias de hoje os fãs sonham com a volta do guitarrista nas fileiras do grupo.

Kiko Loureiro e Rafael Bittencourt

E temos uma dupla brasileira. E que dupla! Desde o inicio ficou bem claro que os estilos distintos de Kiko e Rafael funcionariam muito bem no estilo prog metal do Angra. Enquanto o primeiro era excessivamente técnico, um verdadeiro guitar hero, com influências diretas de Satriani, Vai e Malmsteen, o segundo possuía um estilo mais melódico, utilizando inclusive violões para compor o som do grupo. E embora ambos sejam compositores, era notório que Bittencourt se dedicava mais a criação de canções dentro do grupo, principalmente no que se referiam as letras. Quando o ocorreu a saída de André Mattos, Ricardo Confessori e Luis Mauriutti no inicio dos anos 2000, a dupla conseguiu se manter unida, recrutando novos integrantes e seguindo em frente com um estilo similar ao apresentado pela antiga formação. É a prova que uma boa dupla de guitarras aliada a uma grande amizade pode superar até mesmo após um racha traumático.

Micky Moody e Bernie Marsden

Há muitos anos, antes dos comerciais de cigarros e do laquê no cabelo, o Whitesnake era uma banda de rock fortemente influenciada pelo blues. Muito de seu sucesso no período se deve a dupla de guitarras Micky Moody e Bernie Marsden. Moody vinha do grupo Juicy Lucy e havia tocado com Coverdale em seus dois álbuns solo. Marsden tinha trabalho com o Paice, Ashton e Lord e com o fim do grupo se juntou ao novo projeto do vocalista. Diferente de muitas outras duplas citadas nessa matéria, os guitarristas aqui não tinham estilos ou influências distintas, pois ambos vinham do blues rock. Porém a abordagem dessas influências na guitarra era diferente. Moody tinha um estilo mais amplo e bluesy, utilizava muito técnicas de slide, sendo influenciado por mestres do estilo como Glenn Ross Campbell, Ry Cooder e Duanne Allman. Marsden tinha um estilo mais rocker, “sujo” e direto, utilizava guitarras de seis e doze cordas para criar suas linhas de riffs. Ambos também eram grandes compositores e hábeis no vocal de apoio. O trio Coverdale, Moody e Marsden criaram verdadeiros hinos no período e ajudaram a lapidar a sonoridade da cobra branca. Juntos gravaram seis discos de estúdio e o clássico ao vivo “Live... in the Heart of the City”, até a saída de Marsden em 1982. A sintonia da dupla é tão afiada que eles realizaram outros projetos durante os anos como The Moody Marsden Band e Company of Snakes. A separação da dupla foi o fim daquele blues rock sexy, elegante, com guitarras timbradas e vocal encharcado de Bourbon. Ai você questiona: Ah! E a dupla Steve Vai e Adrian Vandenberg que integrou o Whitesnake no inicio dos anos 90? R = Ficou uma m***da!

Graham Oliver e Paul Quinn

Antes da consolidação do Iron Maiden, cabia ao Saxon e Judas Priest levantarem a bandeira dos baluartes da New Wave of British Heavy Metal trazendo as guitarras gêmeas à frente da parede sonora como fazia o Whisbone Ash, mas em um contexto bem mais pesado. Paul Quinn era apaixonado pelo som das bandas clássicas, como Rolling Stones, Led Zeppelin, Deep Purple e o blues de John Mayall. Oliver tinha como principal influência Tony Iommy nas bases e Hendrix nos solos. Ambos se completavam e criaram grandes hinos do heavy metal como Wheels of Steel, Motorcycle Man, Crusader e tantos outros. No final dos anos 70, nenhuma banda tinha o peso e a dinâmica do Saxon em cima do palco, principalmente pelo entrosamento de sua dupla de guitarras. Para conferir o que digo, basta ouvir o ao vivo The Eagle Has Landed. Uma paulada atrás da outra com as guitarras a frente, dividindo homogeneamente o espaço com os vocais. A dupla ficou junta por quase vinte anos, ate a saída de Oliver em 1995, encerrando uma das mais bem sucedidas parcerias do rock pesado.

Frank Zappa e Steve Vai

Frank Zappa foi uma dos maiores músicos que já pisaram em nosso planeta. Não costumo usar a palavra gênio com frequência, mas este é o adjetivo que melhor se aplica a ele. Como bandleader Zappa teve grandes músicos e guitarristas a sua disposição, mas a integração entre ele e Steve Vai foi única. Até a forma que Vai entrou na banda de Zappa foi excepcional. O jovem Steve ligou para Frank dizendo que havia feito a partitura da dificílima canção The Black Page. Lógico que Frank não acreditou e ainda riu da ousadia do moleque. Steve ficou bravo e resolveu mandar não só a partitura da canção como uma fita k-7 com ele próprio interpretando a música. Seu atrevimento lhe rendeu o convite para integrar imediatamente a banda de Vai. Embora Zappa tivesse uma técnica diferenciada e até mesmo virtuosa para os padrões da época, ele não possuía a velocidade de Vai, assim nomeou o jovem guitarrista nos álbuns como “impossible guitar parts”. Vai era a peça chave que faltava para que Frank pudesse avançar em suas composições, criando temas ainda mais velozes e intrincados. A dupla trabalhou junta por pouco mais de três anos (1980-1984), e lançaram aproximadamente dez discos, onde revolucionaram o conceito de guitarra, principalmente em Guitar e Shut Up 'n Play Yer Guitar. Após a saída de Vai, Zappa continuou cercado por grandes guitarristas, mas nenhum com o mesmo apelo e sintonia de Steve Vai.

Roine Stolt e Hasse Fröberg

Roine Stolt pode ser considerado um dos baluartes da guitarra progressiva sueca, tendo integrado bandas clássicas como o Kaipa ainda nos anos 70. No meio da década de 90, o guitarrista decidiu retomar suas atividades no meio progressivo criado o The Flower Kings. Stolt resolveu que cuidaria da maior parte dos vocais sozinho, para não depender de um frontman. O músico começou acumulando as funções de guitarrista e vocalista, uma tarefa árdua para a sonoridade progressiva e complexa dos Kings. Então a partir de terceiro álbum a banda recrutou Hasse Fröberg para cuidar das guitarras base, violões e vocais ocasionais. Pelo fato de Stolt ser o líder, os papéis entre a dupla ficou previamente estabelecido desde o inicio: Os solos caberiam a Roine, deixando as bases para Fröberg. Ao vivo a integração da dupla é ainda mais importante e essencial para reproduzir as inúmeras camadas de guitarras gravadas em estúdio. Além de manter as bases firmes para que Stolt possa cantar com segurança, Hasse cuida dos vocais de apoio e ocasionalmente vocais principais, uma vez que seu timbre de voz é melódico e suave. Não é exagero dizer que Stolt e Fröberg podem ser considerados a mais importante dupla de guitarristas do rock progressivo em atividade.
Não deixe de conferir também a parte 1 clicando aqui.


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