John Paul Jones: A Âncora do Led Zeppelin Completa 76 anos!

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Led Zeppelin, Them Crooked Vultures e John Paul Jones

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Por: Márcio Chagas

Colaborador Sênior

03/01/2022



Que o Led Zeppelin é uma das mas bem sucedidas e cultuadas bandas de rock de todo cenário mundial é um fato incontestável. O grupo forma, ao lado dos conterrâneos do Black Sabbath e do Deep Purple, a santíssima trindade do rock pesado. Porém o panorama varia se falarmos individualmente de cada um dos seus integrantes. Robert Plant sendo o vocalista, aparecia de maneira natural, com sua sexualidade previamente estereotipada e sua longa cabeleira loira. Jimmy Page, sempre ao seu lado, como líder do grupo e com a guitarra nas mãos, muitas vezes tocando ensandecido, era venerado por todos que apreciavam o som do grupo, calcado em cima de suas guitarras. Sobrava elogios ao baterista John Bonham, a máquina demolidora por trás do grupo. Poucos se Lembravam do multi-instrumentista, John Paul Jones, a força motriz de toda a banda.

Nascido John Baldwin, Jones trabalhou intensamente nos anos 60 como músico de estúdio e arranjador, tocando além de baixos, teclados, bandolins e até guitarra, além de atuar também como arranjador para artistas tão díspares como o então roqueiro Jeff Beck, e a cantora de jazz Shirley Bassed. O Trabalho com artistas tão ecléticos deu a John Paul um percepção musical diferenciada, aguçando sua sensibilidade e seu senso de ritmo. Só pra constar, é dele os arranjos de cordas inseridos em “Their Satanic Majesters Request”, o álbum mais psicodélico e elaborado dos Rolling Stones.

John Paul Jones não foi chamado para integrar o Led Zeppelin em 1968 por Jimmy Page à toa. O guitarrista tinha sido músico de estúdio, realizado diversas gravações ao lado de Jones, conhecia todo o potencial do músico e sabia do que ele era capaz. No grupo, Jones era  o responsável pelas bases, quem segurava e ditava o ritmo do grupo. Bonham só conseguia tocar com tamanha desenvoltura porque sabia que Jones estava ali, do seu lado, tranquilo, mas atento a toda dinâmica musical a sua volta, empunhado seu portentoso baixo Alembic. Jimmy Page conseguia ir tão longe ao vivo, e até mesmo se permitia a alguns erros, pois confiava na segurança do baixista, que nunca perdia o ritmo. 

Mas se engana quem pensa que John Paul Jones era apenas um genial baixista que conseguia escrever linhas diferentes como a que vimos na canção ‘The Lemon Song”. Além de excelente arranjador, Jonesy como era chamado pelo grupo, era também um grande compositor, sendo de sua lavra o riff inicial de Black Dog, um dos grandes sucessos do grupo. Além disso, o músico dispunha seu talento como multi-instrumentista a serviço do grupo, sendo responsável pelos teclados, bandolins, violões, e até algumas guitarras base esse britânico chegou a gravar em “In Through The Out Door” enquanto Page se entupia de heroína. 

Com a morte acidental de John Bonham no inicio dos anos 80 e o fim prematuro do grupo, Jones se recolheu ao estúdio, e usou seu talento para produzir bandas do porte de The Mission, Butthole Surfers e outros. De trabalho solo somente uma trilha sonora lançada em 1985 chama “Scream For Help”, que contava com os vocais do mítico Jon Anderson do Yes. O músico ainda participava esporadicamente de discos solo de amigos, sempre tocando em uma ou outra canção, como no caso do CD “Us” de Peter Gabriel.

Somente em 1999, quase 20 anos após o fim do grupo, Jonesy lança seu primeiro CD solo denominado Zooma. Completamente instrumental e calcado no jazz-rock, o álbum foge do  estilo consagrado pela sua banda. Aqui Jones  se cerca de vários instrumentos exóticos, e utiliza dezenas de baixos, alguns de 10 e até 12(!) cordas, construindo canções intrincadas e elaboradas, sempre acompanhado de um pequeno quarteto. A única faixa que remete ao Led Zeppelin, seria a balada “Snake Eye”, com Jonesy pilotando seus teclados ao fundo. Em 2001 é a vez de “Thunderthief”, outro disco instrumental, dando continuidade ao trabalho iniciado em 1999.

Depois de correr o mundo pela primeira vez com sua banda solo, participar do lançamento do DVD oficial do Zeppelin em 2003 e integrar o projeto japonês Guitar Wars ao lado de Steve Hackett, Nuno Bittencourt e Paul Gilbert, Jones se vê envolvido no ano de 2007,  com um show especial realizado pelo seu antigo grupo, em homenagem a Ahmet Ertegun, homem forte da Atlantic Records recém falecido na época. Parece que a excelente performance ao vivo do Led Zeppelin fez o músico tomar gosto novamente pelo rock, pois em 2009, Jones se viu envolvido na formação do Them Crooked Vultures, Power trio formado por ele, o guitarrista Josh Homme (Queen Of The Stone Age) e o eterno baterista do Nirvana Dave Grohl, deixando os fãs surpresos com tal empreitada, já que após o fim do Zeppelin, o músico nunca integrou ou formou qualquer outro grupo. O grupo lança seu disco auto- intitulado, e recebe boas críticas fazendo uma grande turnê.

Na década de 2010,  Jonesy seguiu ativo em estúdio e fez aparições esporádicas ao lado do colega Jimmy Page, do Foo Fighters e Gov´t Mule. Sendo um explorador de inúmeras sonoridades, em 2019 Jones formou uma nova banda chamada "Sons de Chipotle" com o violoncelista finlandês, Anssi Karttunen . O grupo estreou com uma dupla de shows ao vivo no Pit Inn em Tóquio, Japão, em setembro daquele ano. Com este duo, Jonesy explora sons de bandolim, violão e demais instrumentos acústicos. 

Com todo esse talento, é uma lástima que John Paul Jones ainda seja o último dos membros a ser lembrado quando o assunto é Led Zeppelin. Mas pelo menos seus companheiros de banda parecem ter reconhecido sua força. Basta ver o comentário do líder Jimmy Page, que certa vez declarou em entrevista: “Em 1978 o grupo estava um caos, Plant abalado com  a morte do filho Karac no ano anterior, Bonham se afundando na bebida e eu consumindo muitas substancias alucinógenas. Conseguíamos seguir em frente tendo Jonesy como nossa bússola, nosso norte. Ao vivo era ele que procurávamos seguir e não ao contrario”.



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