10 Melhores álbuns lançados em 2021

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Por: Márcio Chagas

Colaborador Sênior

25/12/2021



No final de cada ano sempre faço minha lista dos melhores discos lançados. E 2021 foi um ano de grandes lançamentos, o que me deu um trabalho maior em escolher apenas dez álbuns.

Tentei ser o mais eclético possível, selecionando discos de todas as vertentes musicais que eu aprecio. Deixei de fora apenas discos gravados ao vivo. Deixo claro que faço apenas um comentário genérico em cada disco selecionado, até porque, alguns já fiz a resenha aqui pro site e outros pretendo fazer com mais calma.

É interessante dizer ainda que não escutei todos os álbuns lançados este ano, deste modo, muitos podem ter ficado de fora por puro desconhecimento de minha parte. Porém, se você acha que eu deixei algum clássico de fora deixe um comentário, ou então escreva sua lista completa. Boa leitura!


Billy F Gibbons – Hardware. O guitarrista e líder do ZZ Top se juntou com seus amigos, o guitarrista e baixista Austin Hanks e o baterista Matt Sorum (Guns N´Roses, Velvet Revolver), para gravar este álbum. O trio se enfiou no alto deserto da Califórnia, perto de Palm Springs, utilizando como inspiração o calor do local e sua ambiência com cactos, cobras e areia escaldante para criar os temas presentes no álbum. O resultado? Temos aqui um disco calcado em rocks diretos e orientados pela guitarra, com influências de blues rock, country rock, hard rock e até pitadas de surf music.Um disco despojado, gravado como numa grande Jam session e por isso mesmo saboroso.
Dave Holland, Kevin Eubanks, Obed Calvaire – Another Land. O baixista Dave Holland ficou conhecido por integrar o grupo de Miles Davis e seguir nos anos posteriores como sideman, colocando seu baixo acústico a serviço dos maiores nomes do jazz. Paralelamente, o baixista ocasionalmente se dedicava a carreira solo, lançando grandes discos. Mas este ano Holland pegou todos de surpresa, retornado ao baixo elétrico e criando um Power trio com o guitarrista Kevin Eubanks e o baterista Obed Calveire. Segundo o baixista, os músicos se reuniram em estúdio tendo como principal influência o trio de Hendrix(!) para criar novos temas. O resultado é um jazz vigoroso, pulsante, criado em um clima de Jam session, mas ao mesmo tempo bem aparado para não apresentar um caos musical. Holland sabe das coisas, surpreendeu seus admiradores e apresentou um dos melhores discos do estilo em 2021.
Iron Maiden – Senjutsu. Após seu lançamento, muitas críticas foram feitas ao novo álbum do Maiden. Mas temos que considerar duas verdades que a maioria dos fãs se esquecem: 1º, não tem sentido o grupo revisitar seus velhos clássicos, que estão aí para quem quiser escutar; 2º, qualquer disco mediano lançado pelo sexteto é melhor que muita coisa lançada no cenário do metal. A banda segue sua evolução, inserindo elementos progressivos, mas mantendo as pegada tradicional do sexteto, ou seja: A evolução não descaracterizou o som do grupo. Muitos alegam que a banda tem soado repetitiva. Além de discordar completamente dessa afirmação, não teria sentido o grupo ir por caminhos que poderiam descaracterizar completamente sua sonoridade. Senjutsu não pode ser comparado aos grandes clássicos oitentistas, mas ainda mantém a essência do Maiden, com guitarras vigorosas, bateria atrabiliária e o baixo pulsando o tempo todo. Grande disco!
Joe Bonamassa – Time Clocks. O guitarrista Joe Bonamassa sempre entra na minha lista todos os anos. Com a qualidade de seu trabalho é inevitável que figure entre os melhores. Além do mais, Bonamassa está sempre em evolução e nunca ficou impassível, encostado em seu próprio nome como muitos guitarristas já fizeram. Time Clocks apresenta o músico mais melancólico, denso e reflexivo. O álbum foi pensando para ser gravado como um trio, apenas com guitarra baixo e bateria, mas devido a complexidade das canções, o guitarrista adicionou órgão, percussão e backing vocais encharcados de soul. Como produto final temos um disco calcado no blues, mas com influência direta do rock, southern e até soul, apresentando certo peso que contrasta com belas baladas. Embora não seja conceitual, as letras de todas as canções refletem sobre a passagem do tempo e as experiências adquiridas ao longo dos anos. Um álbum irrepreensível!
João Donato e Jards Macalé – Síntese do Lance. De um lado João Donato, pianista, responsável por fusões entre o jazz e nossa MPB; do outro Jards Macalé, cantor considerado maldito, conhecido por atuar na vanguarda da música brasileira. Embora os dois músicos tenham uma postura vanguardista nunca trabalharam juntos. Coube ao guitarrista e produtor Sylvio Fraga, fazer uma ponte intermediando o encontro, além de tocar e produzir o disco. Como resultado temos um disco despojado, irreverente, como a personalidade da dupla, que apresenta temas influenciados pelo jazz, soul, bossa nova, samba e MPB, tudo recheado de arranjos da melhor qualidade. O despojamento da dupla pode ser visto até mesmo na capa, onde os dois senhores na casa dos 80 anos aparecem nus em meio as folhagens do jardim. Um disco genial!
Joe Lovano & Dave Douglas Sound Prints – Other Worlds. Joe lovano é um dos melhores saxofonistas em atividade, Dave Douglas é um trompetista memorável. A dupla montou um quinteto irrepreensível com a baixista Linda May Han Oh, o pianista Lawrence Fields e o baterista Joey Baron,. Como consequência, temos um álbum com temas dinâmicos, onde o sax de Lovano faz um contraponto brilhante com o trompete cristalino de Douglas, sempre com intervenções precisas de Fields. Um clássico.
Premiata Forneria Marconi – I Dreamed of Electric Sheep. Embora atualmente o grupo tenha apenas o baterista e vocalista Franz Di Cioccio e o baixista Patrick Djivas da formação original, a dupla reformulou o Premiata com músicos jovens, se aproximou do prog metal (ou seria um hard prog?) e juntos criaram um disco conceitual de ficção científica, baseado no romance de Philip K. Dick que se tornou a inspiração para o clássico cult de ficção científica de Ridley Scott em 1982, Blade Runner. Musicalmente guitarras pesadas se alinham perfeitamente com hammonds e o vocal harmonioso de Franz, que entrega aos ouvintes versões das canções em inglês e italiano. De quebra, o álbum conta com participações especiais de Steve Hackett, Ian Anderson e Flávio Premoli. Rock progressivo na sua melhor forma!
Smith/Kotzen – Smith/Kotzen. Uma parceria pra lá de improvável, onde dois guitarristas de estilo completamente distintos, mas unidos pelo rock pesado se encontram. A dupla se mandou para as ilhas Turcas e Caicos e realmente uniram forças, pois além de criar boas canções, eles produziram o álbum, dividiram os vocais, gravaram as linhas de baixo, além de claro, as inúmeras camadas de guitarra. Kotzen ainda gravou a bateria em cinco faixas Embora a guitarra tenha um papel importante, o álbum não se limita a ela, apresentando canções de alta qualidade, com influencia de soul, blues, e muito groove em uma sonoridade hard n´heavy com influência dos anos 70 e 80. “Smith/Kotzen” prova que quando se tem talento, estilos distintos se completam e se tornam uma qualidade e não um defeito.
The Dead Daisies – Holy Ground. O Daisies já nasceu com status de supergrupo e passou por inúmeras mudanças em sua formação. Porém a entrada do ex-Deep Purple Glenn Hughes na função de baixista e vocalista elevou a sonoridade a um nível acima. A entrada de Hughes trouxe certa dose de groove e swing ao hard rock praticado pelo grupo, uma vez que o músico nunca escondeu suas influências de soul music e funk americano. Glenn deixou o som mais fluido e malemolente, mas soube dosar tais influências para não descaracterizar o som da banda, ou seja, houve uma grande evolução, mas nada que vá causar estranheza aos fãs dos Daisies. “Holy Ground” trouxe um som linear, com aquele hardão calcado na guitarra e com bateria pesada em onze faixas irrepreensíveis. Vale a pena escutar por inteiro!
The Vintage Caravan – Monuments. O trio vindo da Islândia e formado pelos impronunciáveis Óskar Logi Ágústsson, vocal e guitarra; Alexander Örn Númason, baixo e vocais de apoio e Stefán Ari Stefánsson, bateria, lançam seu quinto álbum. O som continua calcado nos grandes Power trios dos anos 70 e medalhões como Black Sabbath e Led Zeppelin. Porém, o grupo demonstra aqui que soube absorver e aproveitar melhor suas influências, apresentando temas mais elaborados, sem no entanto abrir mão da simplicidade característica de um trio de rock. São onze temas pesados com influência de hard, stoner e psicodelismo, abrindo espaço até mesmo para a bela balada This One´s for You. Mais um discaço do trio!


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2 comentários:

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Marcel Dio 25/12/2021

Colaborador Sênior

25/12/2021

Legal demais amigo, vou conferir essas dicas. Só ouvi o Senjuizo do Iron Maiden. Grande abraço.

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Márcio Chagas 26/12/2021

Colaborador Sênior

26/12/2021

Obrigado meu amigo. Foi difícil escolher somente dez lançamentos. Abraços.

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