Da cozinha à sala de estar: As histórias muito curiosas de como alguns dos melhores bateristas do mundo se tornaram também excelentes cantores

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Genesis, Spock's Beard, Foo Fighters e Nirvana

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Por: Márcio Chagas

Colaborador Sênior

13/02/2019



A tarefa de um baterista nem sempre é fácil, ficar sentado em um banquinho no fundo do palco martelando com força os tambores enquanto a atenção do show geralmente esta nas mãos do vocalista ou do guitarrista. No entanto alguns bateristas descobriram que conseguem cantar tão bem ou até melhor que muitos de seus colegas de palco e muitos resolveram deixar seu kit percussivo de lado e assumir de vez o microfone. 

O primeiro caso famoso na história do rock foi com o Beatle Ringo Starr. Ele não tinha uma das melhores vozes do mundo, mas como foi acertado que todos os componentes dos Beatles cantariam ele estreou no primeiro LP do grupo “Please, Please Me” cantando a obscura “Boys”, e embora não tenha se tornado o cantor principal do grupo, Ringo assumiu os vocais quando formou sua própria banda, a  All Star Band, que conta com um baterista de apoio nas apresentações ao vivo. 

Um dos casos mais famosos e rentáveis do rock ocorreu com inglês Phil Collins, que começou sua carreira no mítico grupo de rock progressivo Gênesis com a tarefa de substituir John Silver. Collins se saiu bem e permaneceu por vários anos cuidando apenas das baquetas quando em 1976 o vocalista Peter Gabriel resolve sair alegando diferenças musicais para começar sua prolífica carreira solo. Sem achar ninguém a altura para substituí – lo, coube a Phil assumir também os vocais, levando adiante um dos maiores baluartes do prog rock. Como aconteceu com Ringo, o Gênesis dispunha da ajuda de um baterista em suas apresentações, geralmente quem ficava com a tarefa era Chester Thompson, exímio baterista que também trabalhou com Santana e o Weather Report. 

O falecido Jim Capaldi é outro bom exemplo. Embora fosse bem melhor baterista do que vocalista, Jim resolveu liderar o grupo Traffic ao lado do amigo Steve Winwood, vindo a ficar na frente do palco como um dos vocalistas e usando uma tímida percussão.  Mesmo em sua carreira solo que lhe rendeu bons discos, o músico abandonou seu instrumento de origem para se concentrar nos vocais.

Alguns músicos descobriram suas habilidades vocais tão cedo que nem chegaram a gravar profissionalmente como baterista. Este é o caso de Steve Tyler, vocalista do Aerosmith. Tyler começou sua vida musical como baterista, mas a dificuldade de achar bons vocalistas e a grande proliferação de bateristas em sua cidade o fez assumir o microfone antes mesmo do músico formar a banda que o deixaria famoso. Há também aqueles casos de bateristas que trocam de banda e abandonam seu instrumento indo empunhar outro completamente diferente dos tambores. O caso mais famoso é o de Dave Grohl. Dave foi o responsável pelas baquetas de uma das maiores bandas de grunge do planeta, o Nirvana. A banda teve seu fim após o suicídio do líder, guitarrista e vocalista Kurt Cobain, e, Grohl depois de se refazer da tragédia fundou uma nova banda de rock, o Foo Fighters. Porém os fãs do velho nirvana se surpreenderam com aquele grupo, Dave além de cantar trazia junto consigo uma guitarra e no fundo do palco havia outro baterista. É interessante notar que o músico, ao contrario dos exemplos citados acima  não continuou tocando bateria nos discos de estúdio, ele realmente abraçou a guitarra como seu único instrumento. Seria algum tipo de trauma pela morte de seu amigo Kurt? Talvez, mas o fato é que o músico sentiu falta do instrumento a ponto de formar uma nova banda os “Crooked Vultures, ao lado do mítico baixista do Led Zeppelin, John Paul Jones. 

O caso mais recente envolvendo bateristas/vocalistas de que tive noticia aconteceu com Nick D´Virgilio, baterista do grupo Neo Prog  Spock´s Beard. Com a saída do tecladista e vocalista Neal Morse, coube a Nick que já cantava em alguns shows, assumir de vez os vocais do grupo. O resultado agradou aos fãs do grupo.  

Mas não pense que esta troca de posto é exclusiva dos ingleses e americanos, em nosso país, bateristas que abandonaram as baquetas são mais comuns do que você imagina. O caso mais famoso ocorrido aqui foi com o desbocado cantor Lobão. Um dos ícones da geração do rock anos 80, Lobão começou sua carreira tocando bateria no grupo Vímana. Considerado por aqui como o Yes Brasileiro, o Vímana incluía em sua formação outros famosos como o guitarrista Lulu Santos e o cantor Richie. Após o fim da banda o baterista participou de outros grupos como vocalista até começar sua tumultuada carreira solo no meio da década de 80. 

Como eu escrevi no inicio, este texto tem como objetivo mostrar histórias curiosas de bateristas que por pressão ou por escolha própria abandonaram seu posto no fim do palco para brilhar como principal vocalista. É realmente interessante se percebermos que na maioria das vezes a música saiu ganhando com esta troca.


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2 comentários:

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André Klawa 18/02/2022

18/02/2022

Muito legal! Vale mencionar o Serginho Herval do Roupa Nova: ele consegue tocar e cantar com uma desenvoltura impressionante!

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Márcio Chagas 18/02/2022

Colaborador Sênior

18/02/2022

Bem lembrado André. Serginho canta e toca muito bem, Merecia estar na lista. Abraços.

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