Charlie Watts morre aos 80 anos

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The Rolling Stones

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Por: Márcio Chagas

Colaborador Sênior

24/08/2021



“Bateristas brancos não fazem swing - exceto Charlie Watts”
Keith Richards.

Os Rolling Stones sempre foram sinônimo de drogas, bebidas, farras, mulheres e muita, muita confusão. A definição está correta, mas somente se excluirmos da lista o baterista Charlie Watts.

Discreto, e avesso a excessos, o músico se casou com Shirley Ann Shepherd em 1963, antes do estrelato do grupo e permaneceu fiel por mais de 50 anos de união em comum. Seu estilo impecável de se vestir também contrastava com seus companheiros de banda, em 2006 a Vanity Fair  elegeu Watts  para o “Hall da Fame” da Lista dos  homens mais elegantes e bem vestidos do mundo.

Sua discrição também se estendia ao seu estilo de tocar. Os mais leigos o consideravam um baterista mediano, mas Watts tinha suas raízes no Boogie Woogie, blues, soul e principalmente o jazz, estilo pelo qual era estudioso e aficionado. 

Charlie usava preenchimentos simples, mas poderosos. Em seu pequeno kit de bateria, o músico procurava sempre fazer um contraponto com o teclado e não com o baixo, uma maneira completamente diferente de se posicionar dentro do grupo. Além do mais, Watts  não usa a batida de 4/4 como tantos bateristas de rock fazem. Havia uma certa síncope em seu estilo, especialmente nas batidas de seu bumbo (e no resto de sua forma de tocar) que o faz balançar e groovear ao invés de apenas arrastar-se e bater. Isso vem de sua formação no jazz. O Guitarrista Ron Wood disse certa vez no documentário “Tip Of The Tongue” :  “Charlie é o motor. Não vamos a lugar nenhum sem o motor. ”

Embora seu temperamento fosse calmo e sereno, todo o grupo concordava que não era uma boa ideia tirar Charlie do sério, como contou o guitarrista Keith Richards em sua biografia: “Mick e eu voltamos para o hotel por volta das cinco da manhã, e ele ligou para Charlie e disse: 'Onde está meu baterista?' Sem resposta. Ele desliga o telefone. Ainda estávamos sentados lá no quarto sentados, quando, cerca de 20 minutos depois, alguém bateu na porta. Era Charlie, vestido impecavelmente com seu terno Saville Row. Eu podia sentir o cheiro da colônia. Ele passou direto por mim, foi até  Mick e disse: “Nunca mais me chame de seu baterista, VOCÊ que é meu vocalista”. A frase foi seguida por um gancho de direita desferido diretamente no rosto de Mick que  o fez cair desmaiado”. “Não me orgulho de ter feito isso”  - Disse Charlie certa vez – “Mas ele me enervou muito!” 

Além de ser de ter participado de todos os discos dos Stones ao lado de Jagger e Richards, Charlie teve uma prolífica carreira solo dedicada ao jazz e se envolveu em diversos projetos. Excelente ilustrador, foi dele arte gráfica e histórias em quadrinhos para os primeiros discos dos Rolling Stones, como a capa do álbum “Between the Buttons”. Em 1964, ele publicou um tributo em desenho animado a Charlie Parker, intitulado “Ode to a High Flying Bird”. Uma segunda homenagem a Parker viria décadas depois com o lançamento de um álbum dedicado ao saxofonista acompanhado de um quarteto de cordas.

Charles tinha 80 anos e vinha passando por problemas cardíacos, tendo optado por não realizar a turnê americana dos Stones denominada “No Filter Tour”. Porém hoje, 24 de agosto o músico faleceu de causas não reveladas: "É com imensa tristeza que anunciamos a morte do nosso amado Charlie Watts. Ele faleceu de forma serena hoje mais cedo num hospital em Londres, cercado por sua família", diz o comunicado de seu assessor divulgado nas redes sociais da banda.... 

Apesar de ter deixado um legado de anos de serviços prestados ao rock, com certeza os The Rolling Stones nunca mais soarão da mesma forma sem Charlie Watts. 



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