Divas do Jazz e do Blues e suas versões para clássicos do Rock

Artigo

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Por: Márcio Chagas

Colaborador Sênior

20/08/2021



O mundo dá música sempre teve as grandes divas. Mulheres que cantam, tocam e sensualizam a música como nenhum homem faria. Geralmente, essas divas estão ligadas ao jazz ou ao blues, e sempre eternizam standarts desses movimentos, passando longe de guitarras ou qualquer estilo mais barulhento quanto o rock, certo? Errado!

Não é de hoje que algumas divas se aventuram pelo rock, que depois de tantos anos possuem tão bons standarts quanto o jazz. E não é raro essas divas conseguirem chamar a atenção para si, conquistando os primeiros postos das paradas americanas. Abaixo Vai alguns grandes covers de novas e antigas divas do jazz e do blues que se aventuraram pelo terreno das guitarras pesadas, mesmo não fazendo uso delas.

1 – Aretha Franklin – Jump Jack Flash – Clássico absoluto dos Rolling Stones, onde a diva imprimiu um tom gospel, fazendo uso de orgão caractéristico do estilo, um naipe de metais afiado e ainda contou com as guitarras de Ron Wood e Keith Richards. Aretha deu ainda mais sentimento a uma canção que já nasceu pra ser clássica.
2 – Eliane Elias – Light My Fire – Pianista e vocalista brasileira radicada nos EUA, Eliane é muito conhecida por revisitar a obra do maestro Tom Jobim. Por isso fiquei estupefato ao vê-la interpretando o maior sucesso do The Doors. Sua voz doce e suave, seu piano lírico faz uma contraponto interessante com a guitarra que fica bem ao fundo da canção. Jim Morrison teria ficado orgulhoso...
3 – Etta James – Welcome To The Jungle – Essa diva estava acostumada a se enveredar pelo rock desde os anos 90, sempre com uma atmosfera jazzy e soul. Mas em seu último CD a lady se superou. Já combalida pelo Alzheimer, Etta pegou uma canção do Guns n´Roses e mesmo doente, conseguiu imprimir um estilo todo pessoal e revigorar toda a música, eliminando as guitarras e tendo o orgão Hammond como espinha dorsal de toda canção. Etta fez doente o que muitas não conseguem com a saúde em dia.
4 – Dianne Reeves – Wrapped Around Your Finger – Jovem cantora da Blue Note, que na década de 90 impressionou a todos com seu vozeirão, Dianne participou de um tributo da já citada gravadora à música do roqueiro Sting. Escolhendo uma canção da época do The police, e tendo ao seu lado o grande guitarrista John Scofield, A cantora conseguiu imprimir um timbre todo pessoal e sentimental a canção, com sua voz potente e afinada. Um grande arranjo, uma grande música, uma grande diva.
5 – Karen Souza – I Heard It Through The Grapevine – Essa argentina de voz doce e encorpada ficou conhecida por gravar álbuns com várias releituras de rock, pop e até da nossa M.P.B. Algumas versões nem sempre soam como desejado, mas este sucesso do Creedence Clearwater Revival ficou estupendo. Karen deu um toque sexy a canção, com uma entonação sensual, amparado por uma competente orquestra que em alguns momentos dá ares de trilha sonora ao tema, bem amparado por guitarra semi-acústica e o órgão hammond. Esta releitura é uma prova que com um pouco de ousadia e talento é capaz de revigorar até as canções mais manjadas.
6 – Madeleine Peyroux – Jealous Guy – Um dos mais empolgantes covers que eu já ouvi. Madeleine resolveu regravar essa batida canção do Frankie miller, no CD gravado ao lado do violonista e gaitista Willian Galison. Ao invés de cantar, a diva deixa boa parte da canção a cargo da Gaita de Galison, cantando somente os versos finais da canção. Uma versão ainda mais emotiva das canções de Miller.
7 – Norah Jones – More Than This – Queridinha da crítica e do público americano, Norah jones resolveu regravar uma canção de outra banda queridinha dos anos 80: o Roxy Music. Sem guitarras e batidas pop, adicionando um sax malemolente ao fundo, a jovem cantora conseguiu seu intento de levar sua voz angelical as grandes massas.
8 – Cassandra Wilson – Harvest Moon – Outra cantora da Blue Note que se destacou na década e 90, Cassandra resolveu regravar Harvest Moon, do mítico Neil Young. Terreno sempre perigoso reler um artista tão singular quanto Young, mas Casssandra se saiu bem, fazendo uma versão ainda mais lenta e comtemplativa da música, sempre ponteada pela sua potente voz.
9 – Eva Cassidy – People Get Ready – Falecida em 1996, a cantora ainda vem inserindo seus CDs no Mercado musical, cortesia de sua família. Eva era outra que adora revisitar canções de pop e rock e nunca saía muito fora da versão original. Esse clássico gravado por Jeff Beck e Rod Stewart, ficou curioso por ter uma voz feminina cantando, embora se aproxime muito da versão original.
10 – Youn Sun Nah – Hurt – Cantora sul coerana, essa bem desconhecida por aqui. Youn fez uma excelente versão para Hurt, clássico do Nine Ich Nails, talvez a banda mais revolucionária dos anos 90. A voz doce da cantora deu um tom diferente ao imprimido pela banda de Trend Razor.


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2 comentários:

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Marcel Dio 20/08/2021

Colaborador Sênior

20/08/2021

Ótima matéria meu amigo. Show de bola !. Um puxão na tua orelha ! kkkkk. Shirley Bassey com Light My Fire. Apesar de não ser uma cantora "inteiramente" do jazz.

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Márcio Chagas 24/08/2021

Colaborador Sênior

24/08/2021

Obrigado Brother. Boa lembrança da Shirley, mas como você mesmo disse, ela não se limita ao jazz. Abraços !

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