Rigg's e a Donzela

Relacionado com: Iron Maiden

Iron Maiden

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Por: Fábio Arthur

Colaborador Especialista

18/08/2021



Quais os motivos entre uma relutância feroz de um artista e um empresário visionário e de sucesso? Essa pergunta, acaba sendo pertinente enquanto ambos se dividem entre peculiaridades e interesses prodigiosos. Derek Riggs e Rod Smallwood entraram de cabeça nessa batalha, e/ou nesse avante de divergências, enquanto o grupo Iron Maiden gravava No Prayer for the Dying. 

Derek já havia visitado o estúdio de gravação em meio à fazenda de Harris, passando horas observando e criando, mediante as faixas eram ensaiadas, as ideais vinham e assim tudo se sucedia. Mas, o oposto sempre aparece, a criação pode ser retalhada, e no caso aqui, a coisa fulminou. Smallwood, pretendia uma outro visão/direção dentro do conceito. Riggs era o compromissado entre essa junção toda, criar e elaborar uma arte nova; mas ele já estava às favas com o Maiden e sua direção.

Quando da apresentação do material novo, Rod, não gostou do coveiro, ele queria algo mais suficiente e, nesse interim, Riggs já demonstrava sinais de esgotamento físico e mental. Rod, por sua vez, se adiantava em querer recriar a arte nova. Mesmo assim, os derivados do disco seriam muitos, singles, posters de tour e camisetas; enfim, amontoados de merchandises. 

Rod bateu o pé, a banda nem obteve o contato com a arte e nem mesmo o genial Riggs com eles. Fato é que o novo disco, na época, remetia em algo de Edgar Alan Poe, o som era mais direto, as inovações monumentais de arte não faziam sentido para Riggs, era uma volta ao estilo de Live After Death, cemitério, e novamente cabia muito bem. Mas, crucial era a vontade Rod, a coisa ainda era assim movimentada em termos financeiros. Riggs sabia disso, mas haviam milhares de grupos querendo o artista, mesmo tendo compromisso com Maiden, e era um dinheiro bom, de fato.

Após Seventh Son, do qual Riggs arrancou a metade do corpo de Eddie, fazendo um elemento suficiente, mas que já demonstrava sua falta de vontade de soar como no começo dos discos do grupo; sem muitos detalhes, agora, era melhor, menos cansativo. Riggs então, tinha nos singles de Seventh Son somente as faces de Eddie, outro ponto de deixar a coisa mais clean. 

Para No Prayer não seria diferente. Mas, ainda assim, Smallwood não reclamava da fonte simplória, ele somente queria o tal coveiro sem graça fora do quadro desenhado, então, lá se foi Riggs planejar outra versão. E ainda ele se valeu de um mesmo Eddie para os singles, e ainda refez praticamente igual em duas versões de Bring Your Daughter - ou seja, mesmo estilo, mudando o fundo, apenas -, assim, para a arte final ele retirou o coveiro, deixou tudo azul, dotado de esqueletos e manteve Eddie de boca aberta saindo da lápide com uma das mãos fazendo gesto macabro de querer segurar alguém. 

Para Rod, essa capa é que serviria, mas o disco foi lançado primeiro em sua versão com o coveiro, inclusive por aqui em nosso país, que após um momento foi relançado em vinil e CD da forma que Rod queria. São por menores como esse que foram retirando Riggs das asas do Maiden, além de seu problema com as tintas. Para No Prayer, Riggs usou um guache, inclusive na face do mascote. Ao recriar de forma mais rápida a forma de Eddie para o novo conceito, Derek trouxe consigo uma vontade de fazer algo corriqueiro e sem muito o que acrescer, essa era a fonte daquele momento. 

A arte não decepciona e combina com o conteúdo, de fato, sim. Mas, o fato é que, se comparada a discos antigos, a forma ficou meio apagada, mas Derek era e sempre foi assim em relação ao Maiden, sempre no meio de um turbilhão e de cobranças. Mas ainda assim é um tema para um disco. E de fato, coube muito bem aliado às cores e estilos, referindo ao trabalho como um todo.

Up The Irons!


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Sobre Fábio Arthur

Nível: Colaborador Especialista

Membro desde: 04/02/2018

"Obtive meu primeiro contato com o Rock, com o grupo KISS no final de 1983, após essa fase, comecei a me interessar por outros grupos, como Iron Maiden, do qual ganhei meu primeiro vinil o "Killers" e enfim, adquiri o gosto por outras bandas, como Pink Floyd, John Coltrane, AC/DC entre outras."

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