5 grandes e subestimados guitarristas

Artigo

Por: Márcio Chagas

Colaborador Sênior

05/08/2021



O que é preciso para ter seu talento reconhecido? Técnica, carisma, presença de palco, personalidade? Muitos músicos possuem todas essas características e ainda assim não conseguem grande reconhecimento de crítica e público, ficando com sua notoriedade sempre abaixo de seu grande talento.

Abaixo separei por ordem alfabética, cinco grandes guitarristas que, embora tenham uma carreira vitoriosa, nunca foram devidamente reconhecidos pela crítica ou público.

E você, tem algum musico que admira, mas é subestimado? Se possui, deixe nos comentários abaixo e eu incluirei na segunda parte da matéria. 

Adrian Belew – O guitarrista que teve a oportunidade de trabalhar com grandes gênios da música, gente do porte de Frank Zappa, David Bowie, Robert Fripp (King Crimson) e até David Byrne (Talking Heads), todos conhecidos por serem exigentes e meticulosos. Belew tem uma técnica diferente, calcada no experimentalismo, sobrepondo camadas do instrumento e criando efeitos sonoros e intervenções sincopadas antes mesmo da invenção dos sintetizadores. Além de extremamente versátil, por conseguir colocar a sua técnica exótica nos mais diferentes gêneros musicais, Adrian também é cantor, produtor, e multi-instrumentista, conseguindo uma prolífica carreira solo, onde entregou ao seu público todo o tipo de sonoridade, do pop ingênuo estilo Beatles a música exótica e experimental. Tanto talento e versatilidade não foram suficientes para que o músico fosse devidamente reconhecido. Segundo o próprio Belew, o fato de estar sempre a sombra de guitarristas como Zappa e Fripp acabaram por relegar sua importância a segundo plano. Ouça: King crimson – The Construkction Of Light

Jake E. Lee – Quando se fala em guitarristas que acompanharam Ozzy Osboune, a maioria se lembra do tresloucado Zakk Wylde ou do icônico Randy Rhoads. Mas poucos se dignam a lembrar de Jake E. Lee. O guitarrista foi recrutado para a árdua tarefa de substituir Rhoads após sua morte e se saiu muito bem. Lee começou tocando piano ainda na infância, fato que ampliou sua percepção musical. Seu estilo incluía elementos de música clássica, hard rock, heavy metal, rock setentista e blues, utilizando elementos característicos de outros instrumentos como o violão clássico e o Cello. Além de grande músico, se mostrou também um compositor refinado, ajudando o madman nos arranjos de Bark at The Moon e compondo junto com o vocalista e Bob Dasley praticamente todo o álbum The Ultimate Sin. Após sua saída do grupo de Ozzy, o guitarrista formou o excelente Badlands ao lado do vocalista Ray Gillen e o baterista Eric Singer. O grupo não durou muito e se encerrou com a morte de Gillen. Lee se envolveu em vários discos tributo, tão comuns nos anos 90 e lançou dois bons álbuns solo. Atualmente lidera o Red Dragon Cartel, mas nunca obteve o devido reconhecimento por seu trabalho. Ouça: Badlands – Badlands.

John Mitchell – Versatilidade, seu nome é John Mitchell. Este guitarrista irlandês consegue soar tão progressivo como David Gilmour e tão pop como Trevor Rabin, muitas vezes em composições diferentes na mesma banda. Seu currículo é de causar inveja, pois além de integrar a banda solo de John Wetton (ex Asia, king Crimson), o músico faz parte do Arena, um dos maiores nomes do neo prog ao lado de lendas do estilo, como o tecladista Clive Nolan (Pendragon) e o baterista Mick Pointer (ex Marillion) O músico também integrou inúmeros projetos como Frost, Kino e mais recentemente o Lonely Robot, todos ao lado de grandes nomes do progressivo contemporâneo. Além de tocar guitarra, Mitchell também é cantor, compositor e multi-instrumentista, atuando ainda como produtor e arranjador de diversos outros grupos. Mesmo com todo esse pedigree, poucas pessoas se lembram de seu nome em listas dos melhores. Ouça: Arena – The Visitor.

Lindsey Buckingham – o Guitarrista ingressou no Fleetwood Mac ao lado de sua então namorada Stevie Nicks no ano de 1975 e se juntos tornaram a cara do grupo, gravando o multiplatinado Rumors. Nos anos seguintes, Buckingham assumiu a direção musical da banda, se mantendo a frente até sua saída no final dos anos 80. Mesmo conseguindo tamanho sucesso no Fleetwood Mac, construindo uma prolífica carreira solo e ainda tendo ares de galã, o músico nunca conseguiu ser reconhecido por seu instrumento. O estilo de Lindsey é bem distinto e pessoal. O guitarrista nunca usou palheta, utilizando dedos e unhas privilegiando a melodia e muitas harmonias características da country music, bebendo na fonte de músicos como Merle Davis e Chet Atkins. Ele também utiliza técnicas de outros instrumentos de cordas como o banjo, que pode ser ouvido em músicas como "Landslide" e "World Turning". Talvez pelo seu estilo personalíssimo o guitarrista nunca é lembrado na lista dos melhores, mas com certeza é um dos mais originais. Ouça: Fleetwood Mac – Tusk

Rick Emmet – Nem só de Rush vive o Canadá. O Triumph era outro poderoso Power trio do país com grande sucesso no final dos anos 70 e década seguinte. A frente do Trio estava Rick Emmet, um baixinho loiro que além de possui uma técnica maravilhosa ainda tinha um grande vocal, dividindo a tarefa com o baterista Gil Moore. Porém, a voz de Rick era muito mais melódica e deste modo, todos os grandes sucessos do grupo eram na sua voz. Sua técnica é refinada e não se limita apenas ao rock, possuindo influências de fusion, jazz, blues e até flamenco. Nos discos de seu grupo, o músico costumava sobrepor várias linhas de guitarra criando uma verdadeira parede sonora. Além de exímio guitarrista, Emmet é um dos mais antigos colunistas da revista “Guitar Player” e nos dias de hoje e leciona composição e negócios musicais no Humber College em Toronto. Após deixar o Triumph em 1988, o guitarrista se lançou em carreira solo, conseguindo razoável sucesso em seu país natal e nos EUA, porém nunca é lembrado nem lista dos melhores do seu instrumento. Ouça: Triumph – Just a Game.


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