13 DVD´s essenciais de rock progressivo

Artigo

Por: Márcio Chagas

Colaborador Sênior

05/04/2021



Tive a ideia desta matéria sobre os melhores DVDs de rock progressivo após uma das muitas conversas com meu amigo, professor, escritor, advogado e músico Vitor Guglinski. O que começou como um papo informal se transformou em uma verdadeira cilada!
Separar, assistir e selecionar os melhores DVDs do estilo deu muito trabalho! Inicialmente seriam apenas dez, mas acabei separando doze DVDs de grandes bandas que realmente valem a pena assistir.
Como sempre digo, melhor e pior é algo muito subjetivo, principalmente se levarmos em conta os critérios a serem adotados. Neste caso, na maioria das vezes eu privilegiei títulos lançados nos últimos 20 anos, após o advento da era digital, quando as câmeras utilizadas eram de melhor qualidade e o áudio mais nítido. Mas além da qualidade do material um fator determinante para que eu goste de certo título é o local onde o show é gravado. 
Geralmente não gosto de locais muito pequenos, fechados ou com luminosidade ruim, isso acaba me fazendo desistir de assistir o DVD, mesmo ele sendo muito bom. Outra dificuldade foi selecionar qual título escolheria de determinadas bandas, uma vez que possuíam vários lançamentos excelentes como acontece com o Camel. Nestes casos, acabei revendo todo o material e me apeguei a minúcias para escolher o que achava superior. 
Se você acha que deixei algum titulo importante de fora (E com certeza deixei), opine nos comentários. Boa leitura!

Arena – Caught in the Act, 2003. O Arena é um dos grandes representantes do neo prog e sua formação gira em torno de seus lideres, Clive Nolan ( tecladista do Pendragon) e Mick Pointer (primeiro baterista do Marillion). O guitarrista John Mitchell compõe o line-up há alguns anos e pode ser considerado um dos músicos mais versáteis e atuantes de sua geração, encabeçando vários projetos ligados ao prog rock. A banda na ocasião, era completada pelo baixista Ian Salmon e o vocalista Rob Sowden. Este DVD foi gravado nos estúdios de televisão “Krzemionki” em Cracóvia, Polônia, em 11 de abril de 2003, e apresenta uma excelente qualidade de imagem. O show fez parte da turnê do álbum “Contagion”, um dos meus favoritos do grupo. Embora alguns prefiram o antigo vocalista Paul Wrightson (E eu reconheço seu talento), a voz envolvente e emocional de Sowden me cativa muito mais. Sua presença de palco também é marcante e seduz o publico desde os primeiros minutos. A cozinha é simples, porém eficiente. Pointer está há anos luz daquele músico limitado que tocou em “Script for a Jesters Tears”, mas não é nenhum virtuose. O mesmo pode se dizer do baixista Salmon, que utiliza linhas corretas em seu instrumento sem grandes variações. A coisa muda em relação a Clive Nolan com sua parede de teclados, sempre criando melodias e timbres que sustentam as músicas e fazem um contraponto perfeito com a guitarra, ora melódica, ora rasgada de John. As canções aliam peso e melodia na medida certa, dando suporte para a interpretação passional do vocalista, como pode ser visto em “Solomon” com mais de 10 minutos, a cadenciada “Chosen” ou em “Enemy Without”, um dos clássicos do grupo. Indicado para quem gosta de um neo prog eficiente, melódico, bem tocado e sem grandes improvisos.
Camel – Live at Royal Albert Hall, 2019. Uma das maiores e mais subestimadas bandas de rock progressivo de todos os tempos, o Camel vem se mantendo na ativa ao longo dos anos. Com selo próprio adequadamente denominado “Camel Productions”, o grupo vive no underground, sempre lançando trabalhos de qualidade e mantendo acesa a chama do progressivo sinfônico. Há outros DVDs que poderiam encabeçar esta lista, mas este show me tocou de modo diferente. Além de ser gravado em um dos mais belos teatros de todo mundo, a banda repassa seu repertório com uma qualidade de som e imagem nunca vista em nenhum lançamento da banda. O guitarrista Andrew Latimer continua a frente da banda com sua guitarra extremamente melódica. Atrevo-me a dizer que, depois de David Gilmour ele é o maior representante da guitarra sinfônica. Seu velho companheiro Colin Bass continua firme ao seu lado, com bases precisas como faz desde os anos 80; O Canadense Denis Clement está no comando das baquetas há pelo menos 20 anos e muito bem integrado a sonoridade do grupo; Mas a cereja do bolo é mesmo Pete Jones: O músico, que é cego desde a infância, aprendeu uma infinidade de instrumentos, como piano, guitarra, baixo, percussão e sopros. No show ele comanda os teclados e saxofones com habilidade impar, como pode ser visto no longo solo de sax em “Rajaz”, além de ser uma das vozes mais bonitas que já passaram pela banda. O grupo se mostra coeso e desfila todos os seus clássicos como “Lunar Sea”, “Mother Road”, “Ice”, “Lady Fantasy” e muitas outras que perfazem duas horas e meia de show. O único ponto negativo é a completa ausência de material relativo ao “The Snowgoose”, um de seus melhores álbuns. Porém, o conjunto de imagem, som e performance acaba suprindo esta falta. Um dos melhores trabalhos do Camel nas ultimas décadas.
Dream Theater – Live at Budokan, 2004. O Dream Theater possui inúmeros DVDs e muitos deles poderiam fazer parte desta lista. Mas escolhi este pelo local onde foi gravado, a qualidade da imagem, som e o desempenho do grupo, que estava coeso e tecnicamente irrepreensível. A banda havia lançado seu álbum mais pesado, “Train of Thought” e trouxe todo esse peso para o palco. O baterista Mike Portnoy na época estava utilizando uma superbateria da Tama que ele denominou como “monstro siamês”, que era uma junção de dois kits distintos de bateria, com uma infinidade de sons e percussões. John Myung, além dos famosos baixos de seis cordas também usou o “Chapman Stick” como pode ser visto em “New Millenium”. A disposição das câmeras e a performance de cada integrante é algo mágico, como o duelo entre teclado e bateria na faixa “Beyond this Life”, com direito a aparição do Frank Zappa no telão durante o improviso. Há musicas de todas as fases do grupo, mas vale destacar “Instrumedley”, que como o nome indica é um medley instrumental de mais de dez minutos com trechos de canções antigas. A precisão cirúrgica da banda nesta faixa, ao executar uma infinidade de partes das mais diversas canções é de deixar o telespectador boquiaberto. No disco 2, há ainda um documentário com entrevistas e musicas extras. Um dos melhores DVDs de progressive metal que tive o prazer de assistir.
King Crimson – Deja Vroom, 1999. O King Crimson nunca foi um grupo de fácil assimilação. Ao longo dos anos a banda teve inúmeras formações, sempre girando em torno do líder Robert Fripp. Neste DVD, o grupo apresenta um show gravado em Tókio no ano de 1995 com a formação chamada de “Double trio”, com duas guitarras (Fripp e Adrian Bellew), dois baixos (Tony Levin e Trey Gunn) e duas baterias (Pat Mastelotto e Bill Bruford). Realmente minha curiosidade se aguçou, pois é incomum ver uma banda com dois baixistas e dois bateristas. Como funcionaria uma seção rítmica dupla em canções tecnicamente difíceis como do Crimson? Todas minhas duvidas foram deixadas de lado na primeira música, quando fica evidente que os estilos distintos de cada músico se completam, criando uma atmosfera ao mesmo tempo caótica e coesiva. No repertório, clássicos como “Larks' Tongues in Aspic” e “Red” dividem espaço com novas composições. A aura fantasmagórica que permeia a imagem de todo o DVD duplo, dá um clima sombrio que combina ainda mais com à musica do grupo. Essencial.
Marillion – Live from Loreley, 1988. O Marillion tem tantos DVDs que fica difícil escolher qual entrar em uma lista. Porém, me perdoem os fãs da era Hogarth, mas o melhor do grupo está em sua primeira fase com o escocês Fish a frente dos vocais. Este show que foi gravado em Loreley, durante a turnê do álbum “Clutching at Straws” em 18 de julho de 1987, e traz o grupo no auge de sua primeira fase. O Marillion apresenta os maiores hits tendo a interpretação única e passional de Derek Dick no auge da sua forma com apenas 29 anos de idade. A banda vinha de uma grande turnê de um ano e meio e não poderia estar mais entrosada. Não espere imagem e som fenomenal, uma vez que este show foi gravado nos anos 80 e chegou a ser lançado em VHS. Mas quem curte a primeira fase da banda pode se deliciar com “Script..”, “Kayleigh”, “Sugar Mice’ e tantas outras canções que marcaram a era Fish. Se a banda realmente perde um pouco de seu lado sinfônico ao vivo, acaba ganhando em dinamismo. Uma apresentação irrepreensível em que o único ponto negativo é ter apenas 80 minutos.
Peter Gabriel – Secret World, 1994. Muitos podem dizer que a música de Peter Gabriel não é progressiva. Talvez, mas sendo o cantor do Genesis, um dos precursores do estilo, tudo que ele cria é acompanhado de perto pelos amantes do progressivo. Particularmente neste show, Gabriel leva o entretenimento a outro nível, com atuações altamente performáticas em um enorme palco circular idealizado por Robert Leppage, com plateia para todos os lados. Os recursos utilizados para entreter e hipnotizar o público são altamente teatrais, como na primeira canção “Come Talk to Me”, onde aparece uma cabine telefônica bem no meio do palco, ou em “Shaking The Tree” onde cresce uma árvore entre os músicos. Ou ainda ao final de “Secret World”, onde Gabriel “guarda” todos os músicos dentro de uma mala antes de encerrar o show e voltar para o bis. Todos os efeitos foram possíveis graças a uma afiada equipe de roadies que se movimentam abaixo do palco com uma precisão cirúrgica para coordenar o aparato cênico com a performance de Gabriel e sua banda. Aliás, falando em banda, esta pode ser considerada uma das melhores que acompanharam o cantor. Porém, merece destaque Manu Katche, com um estilo muito fluido de conduzir os tambores; A vocalista Paula Cole, que alcança notas altas com extrema facilidade e dá o suporte necessário a Gabriel nos vocais de apoio; E Tony Levin com sua infinidade de baixos e efeitos que subvertem o conceito do instrumento. Em tempo: Dá raiva vê-lo dançando e tocando Chapman Stick, como se fosse a coisa mais fácil do mundo! Secret World traz toda genialidade e vitalidade de Peter Gabriel, que conta uma história através de cada música apresentada. Se isso não é rock progressivo, eu definitivamente não aprendi nada sobre música.
Pink Floyd – Delicate Sound of Thunder, 1989. Nos anos 80 o Pink Floyd tinha vários desafios: Provar que poderiam seguir sem seu fundador Roger Waters, que poderiam se adaptar a nova década sem perder sua essência progressiva e que eram tão bons compositores como seu antigo líder. O grupo provou seu intento com a ótima recepção do álbum “Momentary Lapse of Reason”, mas teriam que ratificar este sucesso no palco. Gilmour e cia investiram pesado na empreitada. Para o lado musical convocou uma banda de apoio considerável com oito músicos, com destaque para o louco percussionista Gary Wallis, Scott Page que contribui com sax e guitarra base (Seu solo utilizando dois saxofones em Shine On You Crazy Diamond é fantástico) e Guy Pratt, que teve a tarefa de substituir Roger Waters ao vivo e se saiu muito bem, utilizando vários modelos de contrabaixo. Mas o Pink Floyd ao vivo é muito mais do que simplesmente musica e seus integrantes sabiam disso. Então, a banda investiu pesado em tecnologia, utilizando jogo se luzes, lasers e efeitos nunca antes empregados no show business. As baquetas de neon que brilham no escuro, usadas por Nick Manson na introdução de “Time” e o porco voador em “One of These Days” são pequenos detalhes faziam a diferença e deixavam a plateia atônita. No decorrer do show, o grupo toca todos os seus maiores clássicos, em uma apresentação apoteótica de som, luz e efeitos. Essencial para qualquer fã do bom e velho prog rock.
Premiata Forneria Marconi – Live in Japan, 2002. Lembro-me quando ganhei este DVD de presente e deixei-o de lado, com má vontade em conferir seu conteúdo. Não sei o motivo, apenas não esperava encontrar algo que me empolgasse. Quando finalmente decidi colocar o disquinho pra rodar tive uma grata surpresa em contemplar uma das mais dinâmicas e empolgantes apresentações de uma banda de rock progressivo. O Premiata é um dos maiores representantes do rock italiano, adicionando em seu progressivo sinfônico, influencias de musica de câmara, com a adesão de violinos e flautas e algum improviso derivado do jazz. Essa mistura altamente melódica ganha mais dinamismo no palco, principalmente pela performance de Franz Di Cioccio, que com quase 60 anos na época, ainda cantava como um garoto e tocava bateria como um alucinado. Além de Franz, o maestro Flávio Premoli dá o suporte sinfônico necessário às composições, com seus teclados, hammonds e Melotron. O estilo do músico se encaixa perfeitamente com a guitarra pastoral de Franco Mussida. Os três membros fundadores têm o apoio do baixo jazzy de Patrick Djivas, e dos convidados Lucio Fabbri (Violino) e Piero Monteresi (bateria adicional). A apresentação é pautada por canções como “La Carozza Di Hans”, “Out Of The Roundabout”, “Mr. 9 Till 5”, que se tornaram clássicos do grupo. Mesmo temas mais comerciais dos anos 80 como “Suonare, Suonare” e “Si Puo Fare” são apresentados em versões mais sinfônicas ou dinâmicas, para deleite do espectador. Vale citar ainda “Tokyo Electric Guitar Jam”, um improviso de Di Cioccio, Mussida, Premoli e Djivas, mostrando o quão integrado estava o quarteto principal. A apresentação ocorreu no Club Citta em Kawasaki, Japão em maio de 2002 e mostra canções em inglês e italiano. São mais de duas horas do genuíno prog sinfônico italiano que acaba passando rápido devido a alta qualidade das canções.
Quaterna Requiem – Quaterna Requiem (Wiermann & Vogel), 2006. Quaterna Requiem é uma banda brasileira que gira em torno de dois irmãos, a tecladista Elisa Wiermann e o baterista Cláudio Dantas. Desde que lançaram seu primeiro disco, “Velha Gravura”, ainda no inicio dos anos 90, o grupo vem sobrevivendo no underground progressivo nacional como banda Cult, sendo festejada a cada lançamento por admiradores do gênero. A sonoridade da banda é eminentemente instrumental, influenciada por progressivo sinfônico, com pitadas de musica clássica e improvisos levemente jazzísticos, sem privilegiando o lado melódico das canções. Este DVD foi gravado em 2004 em comemoração aos 15 anos da banda, que é completada pelo violinista Kleber Voguel, o guitarrista Roberto Crivano e o baixista Jorge Mathias. São quase duas horas de show, apresentando um progressivo autoral com canções que variam entre suítes como “Fantasia Urbana” e “Velha Gravura”, e temas mais rápidos, mas nem por isso menos elaborados no estilo de “Gargula” e “Bramante”. Embora desconhecido do grande público, o Quaterna é uma banda de nível internacional e deve ser descoberta pelos admiradores do rock progressivo sinfônico clássico.
Rush – Rush In Rio, 2003. Muitos podem dizer que o Rush não é uma banda eminentemente progressiva. Polêmicas a parte, o grupo ajudou a consolidar o estilo na década de 70 e foi uma das bandas mais influentes para a criação do prog metal que viria a ser popularizado no ano seguinte. Então eu sempre qualifiquei um grupo como hard prog, o que viabiliza sua entrada nesta lista. Qualquer DVD do grupo poderia fazer parte desta matéria, até mesmo os mais antigos, uma vez que o trio sempre fez do palco seu habitat natural. Mas é inegável que ver o Trio se apresentando pela primeira vez em nosso país depois de mais de quase trinta anos de espera tem um gostinho todo especial. Além do mais, o DVD, com quase 160 minutos de show e repassa a longínqua carreira do trio de forma profunda e sistematizada, apresentando músicas de todas as suas fases. Você pode encontrar melhor qualidade de áudio em outros lançamentos da banda, mas é emocionante ver a plateia “cantando” a instrumental “YYZ” durante sua execução, fato surpreendeu até mesmo o grupo. Também merece menção o complexo solo de Neil Peart em “O Baterista”, onde o musico explora todas nuances percussivas de seu instrumento. E ainda os momentos mais descontraídos, quando Lifeson apresenta Peart como “Milton Banana” (Um dos principais bateristas de bossa nova do Brasil). Um dos raros shows em que banda e público estão completamente integrados e em sintonia. Demorou, mas o Rush presenteou o Brasil com um concerto antológico, um dos pontos altos de sua vitoriosa carreira.
Steve Hackett – The Tokio Tapes, 1998. É notório que o guitarrista Steve Hackett é o único membro da formação clássica do Genesis a continuar levando a bandeira da musica progressiva pelo mundo. Até os dias de hoje, o músico vem lançando álbuns de qualidade, tendo a frente sua guitarra progressiva e sua técnica singular. No ano de 98, o guitarrista realizou uma turnê pelo Japão com uma superbanda que incluía grandes nomes do rock progressivo: O baixista John Wetton (King, Crimson, Asia), o tecladista e saxofonista Ian McDonald (King Crimson, Foregner) o baterista Chester Thompson (Frank Zappa, Genesis, Weather Report) e o tecladista Julian Colbeck (Anderson Buford Wakeman e Howe). Com um time de músicos competentes e veteranos, Hackett apresenta um repertorio variado, oferecendo canções de sua carreira solo, grandes clássicos do Genesis e ainda temas de bandas que seus parceiros fizeram parte como: “In The Court of Crimson King”, “Battlelines”, “Heat of the Moment”, etc... Embora seja um excelente guitarrista, Hackett nunca foi propriamente um bom cantor. Sendo assim, a presença de John Wetton acabou suprindo essa deficiência com louvor, uma vez que, além de ser um excelente vocalista, seu timbre era próximo ao de Peter Gabriel, fato que ajudou na adaptação dos temas do Genesis, como pode ser visto logo na abertura, no clássico “Watcher of the Skies”. O sax de Ian criou uma atmosfera meio jazzy perfeita para as canções mais experimentais. E não poderiam ter escolhido baterista melhor que Chester, pois além de acompanhar o Genesis ao vivo há anos, ainda é hábil em temas complexos. Os músicos ficam bem à vontade no palco e nem sempre se prendem aos arranjos originais, como pode ser visto na parte central de “Firth of Fifth”, onde trocaram o longo solo de teclado por um delicioso improviso. Outro destaque é “Camino Royale”, com seu vocal denso e compassado com um solo de gaita esquizoide tocado por Hackett. Apesar da baixa qualidade de áudio e vídeo (o show foi gravado antes da tecnologia digital), o DVD repassa a carreira de quatro grandes nomes do universo progressivo e vale o investimento.
Transatlantic – Live in Europe, 2003. O Transatlantic é um projeto idealizado por Neal Morse (Spock´s Beard) e Mike Portnoy (Dream Theater, Liquid Tension Experiment e outros) para trabalharem juntos e criarem peças de rock progressivo influenciado pelos grandes medalhões como Pink Floyd, Genesis, Yes, etc.. O grupo é completado por Roine Stolt (The Flower Kings) e Peter Trewavas (Marillion). Neste show gravado em Tilburg na Holanda, o quarteto, apresenta suas canções dando prioridade às suítes que variam de 15 a 30 minutos, (única exceção é a baladinha “We All Need Some Light”), tendo Daniel Gindelow (Pain Of Salvation) como músico de apoio. Tantas canções demasiadamente longas poderiam deixar o show maçante, mas com o Transatlantic acontece exatamente ao contrário, a banda consegue aproveitar as mudanças estruturais de cada suíte e se reinventar, criando um show dinâmico e envolvente. Até Trewavas, mais comedido nas apresentações do Marillion, ganha destaque com seu baixo Rickenbaker, apresentando altos solos. Os quatro músicos são colocados a frente do palco com tamanha integração que causa dúvidas ao espectador se realmente estamos diante de um projeto ou uma banda regular. Uma apresentação primorosa essencialmente progressiva que pode causar certa estranheza a ouvidos desacostumados com canções mais longas.
Yes – Symphonic Live, 2002. Uma banda sinfônica como o Yes tocar acompanhados de uma orquestra era tudo que os fãs mais almejavam. Mas o projeto nasceu de maneira inesperada, quando o limitado tecladista Igor Khoroshev deixou o grupo, que virou um quarteto com Anderson, Squire, Howe e White. A banda optou por continuar assim e utilizar uma orquestra para gravar seu próximo álbum denominado “Magnification”. Obviamente a banda saiu em turnê acompanhada de uma sinfônica, no caso, a European Festival Orquestra, regida pelo maestro Wilheilm Keitel. Nas apresentações, o Yes contava ainda com o apoio do tecladista Tony Brislin (Camel, Kansas), para cuidar de sons de Hammond e Mellotron. O DVD foi gravado durante o concerto no Heineken Music Hall em Amsterdã no ano de 2001 e a banda se alinha perfeitamente com a enorme orquestra que os acompanha por mais de duas horas e meia. O repertorio é composto pelos temas mais longos e sinfônicos apresentados pela banda. Somente “Close to The Edge”, “The Gates of Delirium” e “Ritual” somam mais de 70 minutos do show. “Symphonic” pode ser considerado o ápice sinfônico de uma das maiores bandas de rock progressivo do planeta.


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