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Cinco grandes discos de qualidade que deveriam ser conhecidos pelos apreciadores de música

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Por: Márcio Chagas

23/03/2021

Eu possuo uma coleção considerável de CD´s  adquiridos ao longo das ultimas três décadas. Durante este tempo, acabei comprando muita coisa interessante de bandas que, embora possuam uma qualidade inigualável, não conseguiram o devido reconhecimento e encerraram a carreira mesmo após lançar grandes trabalhos.

Abaixo separei cinco grandes álbuns que todo apreciador de boa musica deveria conhecer. Não me limitei a datas especificas ou estilos. São apenas grandes discos que fazem parte da minha coleção e não conseguiram o merecido reconhecimento. Boa leitura.

Et Cetera – Et Cetera, 1976. Grupo canadense que lançou um único álbum nos anos 70. O som é muito influenciado pelos ingleses do Gentle Giant e é impossível ouvir o álbum sem perceber a semelhança gritante. O único diferencial talvez seja o vocal feminino da tecladista Marie Bernard Pagé, que da um toque diferente nos arranjos vocais. Assim como o GG, há uso de flautas, violoncelo vibrafones, percussão e demais instrumentos pouco usuais no rock. Apesar da enorme influência, o grupo não se transformou em mera cópia, apresentando canções de qualidade, com arranjos elaborados e passagens mais tranquilas.

Gerard – Pandora´s Box, 1997. Gerard é uma banda japonesa de prog sinfônico capitaneada pelo tecladista Toshio Egawa. O som é similar a grupos onde o som é orientado por teclados, como Emerson, Lake e Palmer e Par Lindh Project. O grupo lançou vários álbuns com diversas formações, mas na maioria das vezes manteve sua base com teclados, baixo e bateria e um convidado para cuidar dos vocais. Neste disco quem brilha é o vocalista canadense Robin G. Suchy, que canta em duasmúsicas e dá um certo toque AOR no som do grupo, como pode ser visto na faixa “Analysis of Life”. Outro grande diferencial é o baixo pesado Atsushi Hasegawa, que consegue se sobressair em meio às paredes de teclados criadas pelo líder. Há quem prefira outros trabalhos, mas pessoalmente gostei muito dos timbres usados por Egawa neste álbum, como pode ser visto na faixa titulo, uma suíte instrumental de dez minutos que abre o CD. Quem aprecia o progressivo com ausência de guitarras vai adorar este disco.

Gotic – Escenes, 1978. Este grupo espanhol lançou nos anos 70, uma dos mais belos e sinfônicos trabalhos de todo universo prog. Totalmente instrumental, o grupo traz um progressivo pastoral, principalmente calcado na flauta de Jep Nuix e no piano elétrico, o que aproxima o grupo de bandas como Camel, principalmente da fase “The Snowgoose” e os primeiros trabalhos do Premiata Forneria Marconi. Não há aqui qualquer influência de música flamenca ou espanhola, a banda optou por gravar um progressivo realmente sinfônico e melódico, com leves pitadas (bem poucas) de jazz rock. “Escenes” é um álbum que vai agradar aos apreciadores do gênero progressivo sinfônico, e pode ser considerado uma das melhores contribuições da Espanha para o gênero.

Kvazar – Kvazar, 2000. Este grupo surgiu no final dos anos 90 e lançou seu primeiro trabalho em 2000. Embora seja desconhecido até mesmo do seleto grupo que aprecia o bom e velho rock progressivo, o Kvazar pode ser considerado uma das mais exóticas e geniais bandas que apareceram nas ultimas duas décadas. Seu som segue a linha tradicional dos grupos escandinavos que renovaram o estilo a partir dos anos 90, aliando peso, melancolia e melodia, com fizeram Anglagard, Anekdoten, Landberk e White Willow. Porém, o grupo amplia ainda mais este horizonte musical, alternando partes extremamente sincopadas e complexas, passagens dinâmicas, improviso meio jazzy e um experimentalismo muito bem dosado, que em momento algum os afastam de sua sonoridade principal que é o prog rock. Alem dos instrumentos tradicionais do estilo, a banda ainda utiliza diversos tipos de órgãos, tablas, piano e violoncelo para enriquecer sua sonoridade complexa. O grupo lançou apenas mais um disco em 2005 para desaparecer por completo, mas seu trabalho de estreia merecia um reconhecimento maior.

Priam – Diffraction, 2001. Este é um grupo de jazz rock comandado pelo excelente guitarrista Chris Casagrande. O som apresentado trás influências dos grandes nomes do estilo como a Mahavischnu Orchestra, mas apresentando uma sonoridade mais atual, com ecos do progressivo mais atonal como king Crimson, Gong e outros. Os teclados de Laurent Lacombe se alinham perfeitamente com a guitarra do líder, que em algumas passagens evoca o estilo mais clássico de Carlos Santana. A cozinha se mostra bastante eficiente e coesa, com espaço para eventuais solos e contrapontos durante os temas. O grupo lançou apenas dois discos, sendo que este foi lançado pela gravadora francesa Muesa em uma bela versão digipack.

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