Venom: Censuras, projetos vetados e um Cronos imbecil

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Por: Fábio Arthur

Colaborador Especialista

02/03/2021



Incrível como algumas bandas marcaram época. E o Venom, mesmo sendo muito ruim, foi uma delas, salvo o guitarrista - o pseudo - Mantas. Os outros, Cronos e Abaddon, baixo/voz e bateria, eram muito do ruim ao pior.

Para quem não sabe, o grupo veio na cola do Motörhead, sim, eles eram um trio de Speed Metal com letras sobre o diabo, e eles evoluíram em uma época em que a música estava sendo alterada e etc. O metal, em 1983, era algo da modinha, todo mundo gostava, inclusive os americanos malas sem alça. 

O grupo chegou com o disco "Welcome to Hell" e trouxe uma categoria de fãs absurda, mas muito mais que isso, revolucionou a onda do metal satânico, trazendo fãs famosos como Dave Mustaine, o pessoal do Metallica e Slayer; apesar desse último ser um adepto do metal diabólico e fazer um Speed com aliança de metal no estilão Judas. Enfim, a coisa foi tendo uma virtude mais voltada ao som de peso pesado e dá-lhe então Mercyful Fate, Testament, Sodom e seus afins.

Agora com "Black Metal" a coisa pegou total, a arte chamativa, produção melhorada, os sons foram o ponto alvo para poder manter a banda naquele momento. Mas com a empreitada de shows, fãs e vendas de álbuns, o grupo veio com "At War With Satan". A banda queria um disco em alto relevo, capa de couro, um livro ilustrado sobre o tema, um álbum de nível diferenciado, já que a faixa título com 19 minutos tomaria um lado completo. E assim, a coisa não saiu muito do papel, enviaram um alô para major e mesmo assim a banda se perdeu. 

O disco semi conceitual evoluiu com uma pegada forte, mas ainda assim a gravadora e alguns pontos da mídia não entendiam a jogada, e o pior, o clã religioso não queria aquilo solto nas lojas e propagando o "mal". Enfim, com tanta balela do grupo, da gravadora e dos religiosos, a banda sucumbiu ao lançar "At War.." e assim saiu em turnê sem o disco na mão, todos foram retirados das lojas e nem na venda de esquina tinha para vender.

Tiveram que fazer turnê e tocar algo do disco sem vendê-lo, e assim, prejuízo de discos e somente ganho de concertos. A banda tocava ao vivo os dois primeiros álbuns, e deixava às vezes algo do trabalho de 1983. Algumas das faixas tocadas eram "Rip Ride" e "Woman Leather and Hell". 

Tinham que seguir adiante, mas e o disco de estúdio? Sim, ele foi lançado anos depois, com capa simples, sem livro de letras e muito menos algo do nível imagino anos antes. A banda assim permitiu-se nem tocar as músicas, já que o disco não circulava e sim algumas demos e raros LPs de compra antecipada; uns até com capa de couro mesmo. Raridade hoje em dia!

Agora Cronos sempre foi dureza e dificultou tudo, sendo uma pessoa briguenta e complicado de lidar, já que poderia ter invertido a situação e não a cruz, naqueles dias. 

O Venom se tornou o pai do Black Metal e trouxe um pedaço da obra para um futuro nos anos 90, quando molecada curtia na Europa o Metal como referência. Como as letras eram muito satânicas, a banda perdeu o direito do disco lançado, mas se não fosse pela força em continuar, teriam parado até antes mesmo, já que depois lançaram o disco "Possessed". Enfim, a coisa toda andou de forma até boa, mas o grupo não emplacou depois como devia. 

Engraçado como a coisa funciona, pois a banda poderia ter alterado algo e não o fez, assim, passou por cima com um VHS ao vivo e alguns shows até aqui no país, ruins diga-se e sem a participação de Mantas. 

Cronos enfim manteve sua postura tosca e sem um pingo de humildade, deixando a banda e causando um fim precoce do grupo, mesmo tendo continuado.


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Sobre Fábio Arthur

Nível: Colaborador Especialista

Membro desde: 04/02/2018

"Obtive meu primeiro contato com o Rock, com o grupo KISS no final de 1983, após essa fase, comecei a me interessar por outros grupos, como Iron Maiden, do qual ganhei meu primeiro vinil o "Killers" e enfim, adquiri o gosto por outras bandas, como Pink Floyd, John Coltrane, AC/DC entre outras."

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