Voz: Bruce Dickinson

Relacionado com: Bruce DickinsonIron Maiden

Artigo

Por: Fábio Arthur

Colaborador Especialista

27/01/2021



É muito interessante saber que Bruce Dickinson não foi somente uma inspiração para o próprio Maiden nas suas canções em início de carreira, mas para incontáveis vocalistas. Para se ter um ideia, quando estava no Samson, recebeu elogios de seu ídolo Ian Gillan, e assim logo pouco tempo depois entraria no Iron Maiden. 

Fato é que, dentro Maiden, Dickinson teria que continuar a mostrar serviço e utilizando agudos e drives, entre médios e agudos. No caso, quando ele gravou o álbum "The Number of the Beast", de 1982, o vocalista, mostrou que tinha uma capacidade ampla de voz, indo de melodias fortes e com uma força altamente crescente nos agudos e falsetes também. Ao vivo Dickinson conseguiu - e tinha que fazer isso - cantar com a mesma força e qualidade, e isso em uma tour noite após noite. As faixas do álbum citado demostram a fonte do vocal de Bruce e também acabaria sendo imitado por tantos grupos que até mesmo bandas mais pesadas o fariam e etc. "Run to the Hills" tem um tom de dobra de vozes fenomenais, tem drives e gritos extensos em altos tons, assim como a faixa título "The Number of the Beast", com aquela intro e que teve um embate entre Birch e o cantor, que culminou no centro de uma voraz performance e única.

Ano após isso, em 1983 com "Piece of Mind", Dickinson já vinha mais desgastado, após turnê e noites cantando em tons altos, mas sua voz soa muito forte ainda e aguda e com bons drives. As dobras vocais continuam e a força em entoar e interpretar faixas com altos tons, "Revelations" seria uma dessas, além de "Flight of Icarus", e ao vivo, ele se valeu também desse vocal, mas com um pouco menos de agudos, usando drives em gritos rasgados e algumas partes mais melódicas se valendo dos médios.

Já em 1984/1985, turnê de Powerslave, Dickinson começou a ter problemas vocais, a extensão da turnê foi derradeira para o cantor sofrer anos após. No disco, Bruce mantém agudos, drives, médios e dobras, mas ao vivo teve que baixar o tom e apenas no Rock in Rio 85 que conseguiu manter a fonte, em 11 de Janeiro, para cantar igual ao álbum em questão. 

Mas após 85, Bruce teve um desgaste vocal e emocional, e assim não conseguia lidar com seu vocal da forma que fez nos discos anteriores, e coube ao mesmo ter que cantar melódico e com drives, mas para fazer ao vivo seria difícil. A solução foi cantar com que chamam de voz de peito, usando de um vocal forte para fora e sem usar tons muito baixos. Essa foi a sacada e técnica genial do cantor, além disso, se vocês ouvirem áudios de 1986 no YouTube, verão que, mesmo estando sem condições, ele canta e muito, dado a esse recurso citado. Aliás, tem alguns shows de Bruce gripado e ele consegue manter o show em dois tons abaixo e ainda soar sem desafinar. Essa fase foi de "Somewhere in Time", que trouxe músicas como "Wasted Years", que Smith o auxilia no backing e ainda temos "Alexander the Great", da qual surge tons mais altos e drives. 

Em 1988 Bruce foi obrigado a continuar mantendo a fonte de 1986, mas com drives com sua voz mais ríspida e firme, no entanto, sem tentar soar com agudos e sim se ater ao seu poder de fogo do momento. O disco mostra ótimas faixas, aonde Dickinson consegue mostrar um fôlego e uma técnica apurada de deixar rolar as frases sem soarem separadas e sim manter a respiração constante segurando a entonação completa de voz. "7th Son of a 7th Son" seria uma delas e "The Clairvoyant" um outro exemplo. A adaptação inteligente do cantor aliando sua técnica é algo único. 

Dickinson manteve nos anos iniciais uma força incrível vocal, ele não desafina, não perde intensidade e faz com que a música soe ótima e sem perder os elementos clássicos do Maiden. Um dos maiores vocais e as imitações podem até soar bem, mas nunca geniais como o artista o fez.


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Sobre Fábio Arthur

Nível: Colaborador Especialista

Membro desde: 04/02/2018

"Obtive meu primeiro contato com o Rock, com o grupo KISS no final de 1983, após essa fase, comecei a me interessar por outros grupos, como Iron Maiden, do qual ganhei meu primeiro vinil o "Killers" e enfim, adquiri o gosto por outras bandas, como Pink Floyd, John Coltrane, AC/DC entre outras."

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