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Ranking 2020

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Por: José Esteves

25/12/2020

Chegamos no final do ano, e nesse momento, é sempre bom dar uma reavaliada no que experimentamos. Eu havia decidido pré-pandemia que eu ia ouvir mais discos novos, para tentar me manter a frente da curva, e admitidamente, eu ouvi mais discos desse ano do que de qualquer outro ano que eu vivi. Mais de 40 álbuns foram avaliados e colocados nesse blog. Isso foi, realmente, uma tarefa árdua, em um ano que eu analisei mais de 200 discos individuais. Não só isso, mas eu também fechei várias discografias. Eu estou genuinamente surpreso com o quão longe eu consegui ser prolifico com esse blog esse ano.

Porém, esse post é fundamentalmente para resumir todos os pensamentos que eu tive esse ano, indo do pior álbum do ano até o melhor. Para a meiúca, eu vou apenas ranquear, mas para o pior e para o top 5, eu irei escrever um parágrafo dedicado, pois eles fizeram por onde.

O pior álbum do ano vai para…

Green Day – Father of All…

Só tipo, uau. Eu sou um fã meio maluco de Green Day, eu amo o American Idiot com uma paixão, eu gosto do Nimrod pra cacete. O que que aconteceu nesse disco? Quem é o público alvo? O jeito que eles injetaram dance e arena rock, de todos os conceitos, criou um álbum super estranho que vai sumir no meio da enxurrada de álbuns esquecíveis do Green Day (ou seja, junto com o Uno Dos Tres). Não tem um hit memorável no álbum, não tem um momento maneiro. Não só isso, ele foi o único álbum que eu ouvi esse ano que recebeu a pior nota que eu posso dar no blog. Eu evito ao máximo dar o Fortemente Desfavorável e o Fortemente Favorável para ser, realmente, discos essenciais do ano. Esse disco não tem nada de aproveitável, o que é uma pena, considerando que o Revolution Radio foi bom e eles estavam no caminho certo. Aqui vai a meiúca ranqueada: Ruins: Morrissey – I am not a Dog on a Chain Grouplove – Healer Fontaines D.C. – A Hero’s Death Bruce Sprinsteen – Letter to You Vukovi – Fall Better Shakra – Mad World Ruinzinhos: Testament – Titans of Creation The Strokes – The New Abnormal Ambush – Infidel Cask – Surviving on Borrowed Time Orianthi – O Medianos: Imperium – Heaven or Hell Pearl Jam – Gigaton Hällas – Conundrum Xtasy – Eye of the Storm Bonzinhos: Occam’s Laser – Return to the Grid The Third Mind – The Third Mind Revolution Saints – Rise Paul McCartney – McCartney III BRKN LOVE – BRKN LOVE Ac/Dc – Power Up Biff Byford – School of Hard Knocks Deep Purple – Whoosh Pink Cigs – Pink Cigs Wishbone Ash – Coat of Arms Jeff Scott Soto – Wide Awake (in my Dreamland) Karfagen – Birds of Passage Bons: Uncut – Blue Ozzy Osbourne – Ordinary Man Phil Campbell and the Bastard Sons – We’re the Bastards Ego Kill Talent – The Dance Between Electric Mob – Discharge Mamalarky – Mamalarky The Wild! – Still Believe in Rock and Roll Haken – Virus Yacht Rock Revue – Hot Dads in Tight Jeans Kansas – The Absence of Presence Excelentes: Cornershop – England is a Garden Zé Leônidas – Zé Leônidas 5- Blues Pills – Holy Moly!
Eu não sou nenhum fã de blues rock, mas o jeito que o Blues Pills conseguiu criar um blues não só interessante como envolvente e sem pontos baixos é incrivelmente surpreendente. O vocal, a guitarra e o baixo funcionam bem, mas a bateria, se tem alguém que eu acho que vai aparecer no futuro como talvez um dos maiores bateristas do mundo, é André Kvarnström. As músicas funcionam bem e não tem pontos baixos (como não terão, considerando que são meu top 5), mas o jeito como o álbum passa rápido é de uma fascinação a parte. Do hard rock ao blues, poucas bandas conseguiriam fazer um projeto melhor do que esse no lado da sobriedade alucinante do blues rock que esse disco apresenta. 4- Pendragon – Love Over Fear
Uma das críticas que eu tenho a qualquer banda moderna é quando eles tentam muito resgatar alguma coisa especifica no passado, se limitando pelas formas ultrapassadas dos anos setenta ou oitenta. Exceto quando a banda decide se espelhar em algo que é, quase que por definição, sem limites: o Genesis do Peter Gabriel. Do vocal até os arranjos, é basicamente o que o Genesis estaria fazendo hoje em dia se o Peter Gabriel tivesse continuado o caminho do Selling England by the Pound, e considerando que o Selling England é um excelente álbum, Love Over Fear também o é. Foco especial no álbum para Clive Owen, o tecladista, que manda incrivelmente bem, e se não fosse pelo próximo lugar, teria sido o melhor álbum de rock progressivo do ano. 3- Wobbler – Dweller of the Deep
Uau. Acho que tem pelo menos uns dez anos que eu não ouço um álbum com um prog de teclado específico que eu gosto, como é o caso desse. Os teclados do colecionador retrô Lars Fredrik Frøislie funcionam incrivelmente bem, dando uma roupagem clássica e eterna ao álbum. Talvez o vocal seja um pouco abaixo do esperado, mas considerando que prog não precisa exatamente de um bom vocal, o disco entrega o melhor prog do ano. A primeira faixa tem treze minutos que não vão te abandonar, variando a forma dos teclados sem deixar a bola cair e é recheado de referências óbvias a outros gigantes do rock progressivo do passado. Eu consigo ver claramente esse álbum figurando no futuro de forma imponente, como o Dark Side, o Court of the Crimson King e o Fragile são hoje em dia. 2- Siena Root – Secret of our Times
Eu sou fissurado em hard rock, então não é surpresa nenhuma pra mim que algum álbum de hard rock ia aparecer aqui na minha lista pessoal. O jeito que o Siena Root conseguiu criar um Deep Purple com a Ann Wilson no vocal é de espantar: o vocal da Zubaida Solid encaixa tão perfeitamente bem no propósito que não tem graça. O guitarrista Johnathan Borgstörm faz riffs perfeitos, mantendo o clima do álbum lá em cima, e talvez não tenha aquela noção de clássico eterno, talvez por resgatar demais conceitos anteriores, mas não muda o fato de que o álbum em si é incrível. Para mim, poucas bandas conseguem superar Deep Purple, e esse ano, o Siena Root superou, apresentando o melhor álbum de hard rock do ano. 1- Universal Sigh – Cherish
Na primeira vez que eu ouvi esse álbum lá em janeiro, eu já sabia que ele era incrível. Eu presumi que o ano ia ser ótimo pra música, e não foi, mas também não foi desastroso nem nada assim. Mas é um dos álbuns que eu não larguei esse ano todo: devo ter ouvido ele na integra umas quinze vezes. Um jazz rock psicodélico metamórfico funky a beça que não te larga até o final. Mesmo as mais baladas são severamente interessantes, com bossas novas e músicas tendendo a rock progressivos, eu genuinamente achei que esse álbum ia ser um prenúncio de um novo tipo de música. Não foi, e eu estou curioso ao que o Universal Sigh vai entregar a seguir, mas não tenho duvidas de que se mantiver a qualidade, será incrível. Com isso, eu encerro os álbuns do ano (pelo menos enquanto ele ainda está indo). Teve algum álbum que você acha que mereceu um lugar no top, que eu não ouvi? Comente abaixo.

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