Os 10 melhores discos de Rock Progressivo de 2020

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Por: Tiago Meneses

Colaborador Especialista

20/12/2020



O ano de 2020 está acabando e novamente o Rock Progressivo deixa um saldo extremamente positivo em termos de quantidades de discos relevantes. Fazer uma lista nunca é fácil e cometer algumas injustiças é inevitável. Durante todo o ano, eu escutei pouco mais de 80 álbuns do gênero que saíram do forno em 2020, e separar apenas 10 deles não foi uma tarefa fácil. Segue abaixo os escolhidos para compor o Top 10. 

10. Karfagen – Birds of Passage

Inicialmente um projeto, mas hoje podendo ser considerado muito mais uma banda consolidada, Karfagen, liderada pelo músico ucraniano Antony Kalugin, à quase 15 anos vem lançando discos recheados de músicas aventureiras e muito bem elaboradas. Em Birds of Passage cada instrumento é nítido e polido, com muitas interações de teclado e guitarra, além de bons vocais que se utilizam do canto e da harmonização entre vozes masculinas e femininas. Resumindo, a banda mais uma vez apresenta um rock progressivo sinfônico dinâmico e instrumentalmente bem direcionado. 9. The Samurai of Prog - Bernard & Pörsti: Gulliver
The Samurai of Prog chegou ao seu oitavo álbum mantendo a mesma consistência de sempre - na verdade, soando melhor do que nunca. Além do baixista e idealizador Marco Bernard, aqui também temos o baterista Kimmo Pörsti como músico em todas as músicas. Apesar de ser um disco que conta com mais de vinte músicos envolvidos – somente tecladistas são seis -, no final tudo soa de forma bastante coerente. Amantes de bandas como Genesis e Kansas – pra citar apenas duas – que seja menos saudosista e se disponha em dar chance ao novo, não vai se arrepender ao ouvir Gulliver, pois trata-se da The Samurai of Prog no seu apogeu. 8. IO Earth – Aura
Desde que o guitarrista Dave Cureton havia afirmado – antes de sair o primeiro teaser do disco – que em Aura a banda mostraria um lado mais suave, todos os admiradores do grupo ficaram bastante curiosos em relação a isso. E de fato ele não estava mentindo, o que não faltam são músicas evocativas e melódicas durante todo o álbum. Porém, isso não quer dizer que a música não possa aumentar de intensidade, ficando mais estimulante e animada. A mistura de vocais masculinos e femininos é excelente, além de ótimas seções instrumentais estendidas, com destaque maior para os belos trabalhos de piano e guitarra. Certamente e com todos os méritos merece aparecer em qualquer lista de melhores discos de rock progressivo do ano. 7. Antony Kalugin - Marshmallow Moondust
Antony Kalugin é uma das maiores mente do rock progressivo contemporâneo – tanto que seu nome está aparecendo pela segunda vez aqui na lista. Marshmallow Moondust consiste em duas suítes épicas de 20:20 – sim, as duas músicas têm exatamente o mesmo tamanho. O músico aproveitou as lacunas entre a gravação do Karfagen para decidir gravar um disco “one man”. Antony mostrou que até mesmo um bloqueio – que lhe forçou a um isolamento - é capaz de estimulá-lo, dando rédea a sua criatividade musical solo de maneira impressionante ao melhor estilo Mike Oldfield e Robert Reed através de um disco épico. O resultado foi simplesmente incrível. 6. Gazpacho – Fireworker
Em seus dois últimos discos do grupo, Molok e Soyuz, a banda parecia estar perdendo um pouco do seu gás, porém, em 2020, através de Fireworker, eles mostram um regresso a sua melhor forma. O disco traz uma musicalidade em que o piano, teclado e o baixo temperamental tomam o centro do palco e formam a espinha dorsal das canções, enquanto que as guitarras são usadas apenas esparsamente, porém, com uma eficácia incrível, conseguindo pontuar cada um dos momentos dramáticos do disco. A dinâmica também é muito grande, mudando entre momentos de voz e violão para picos de sonoridades mais altas e esmagadoras de guitarra. Fireworker é um fosso musical entre o rock progressivo, alternativo, depressivo e melancólico, além de soar comovente e fascinante do começo ao fim. 5. The Flower Kings - Islands
The Flower Kings não é aquele tipo de banda em que podemos esperar algo novo em seus álbuns, eles possuem uma identidade própria como poucos. Mas aqui ao menos que você seja aquele tipo de fã de rock progressivo que possui um pensamento do tipo, “se não tiver nenhum épico eu nem vou me dar o trabalho de ouvir o álbum”, será fácil perceber que Islands consegue oferecer um pouco de tudo para todos e dificilmente algum fã da banda não irá encontrar muitos motivos para degustar deste álbum por um bom tempo, com uma série de composições inventivas, instrumentais requintados e ótimos momentos curtos e peculiares. Em poucas palavras, Islands é mais um belo feito de uma banda extremamente prolífica. 4. La Maschera di Cera – S.E.I.
Uma lista de melhores discos de rock progressivo do ano sem representantes da escola italiana é algo quase impossível de acontecer. Em seu sétimo disco, S.E.I. , significado para Separazione, Egolatrial e Iganno, novamente o que podemos encontrar no som da La Maschera di Cera são teclados muito criativos, texturas musicais sempre em mutação, baixos distorcidos que compensam muito bem a ausência de guitarra elétrica e belos arranjos vocais. S.E.I possui apenas três faixas sendo um épico de mais de vinte e um minutos e outras duas faixas, uma com dez e a outra com onze minutos. Em suma, S.E.I é um disco verdadeiramente impressionante, um retorno em grande estilo após sete anos desde o lançamento da obra-prima, Le Porte Del Domani. 3. Logos - Sadako e le mille gru di carta
Novamente um nome do rock progressivo italiano aparecendo na lista. Quem acompanha a banda, provavelmente se perguntou se eles conseguiriam ao menos manter o nível da obra-prima que foi o disco anterior, L' Enigma Della Vita, lançado em 2014. Pois eu digo que não há motivos para preocupações, pois, Sadako e le mille gru di carta, mantém e até supera algumas expectativas. É tocado e produzido com habilidade que beira a perfeição. Em algumas passagens os sons do teclado lembram ao velho Rick Wakeman, com o leve toque de influência do Genesis que é característico do rock progressivo italiano. No site da banda tem as letras do álbum – que é conceitual – em vários idiomas, sendo que vale muito conferir para poder aumentar ainda mais a carga dramática e emocional do disco. 2. Pendragon – Love Over Fear
Como de costume, Nick Barrett ficou a cargo de todas as letras do disco. Durante este período, Barrett foi aplacado pelo acontecimento da triste morte do seu pai e sentia-se sufocado pelo amargo de tantas notícias ruins pelo mundo, mas ainda assim, queria como resultado um álbum que celebrasse as maravilhas e coisas boas da vida. Ao mesmo tempo em que podemos enxergar referência em discos anteriores – principalmente do período mais sinfônico que vai de The World até o Not of This World -, também é cheio de novas e agradáveis surpresas, sendo um álbum onde é difícil não se deixar levar pela energia positiva, tanto dos seus temas, quanto dos seus tons. Acho difícil que não agrade qualquer fã da banda. Love Over Fear não possui um momento fraco que seja. Versos, refrãos e instrumentais são todos ricos em melodias, a instrumentação é extremamente maravilhosa e diversificada, além de possuir uma dinâmica variada e bem estruturada. 1. Wobbler - Dwellers of the Deep
Em 2017 os noruegueses da Wobbler, através do seu disco, From Silence to Somewhere, assombraram o mundo do rock progressivo e produziram uma das melhores obras dos últimos pelo menos 30 anos. Se isso não fosse o bastante, a banda em 2020 através do seu Dwellers of the Deep, novamente a colocou o seu nome no topo de listas de melhores do ano. O álbum nos oferece um equilíbrio ideal entre influências em composições do passado e do presente. Encontramos, portanto, reminiscências em Anglagard, Gentle Giant e Yes nas composições, sendo cada uma mais brilhante que a outra. Impressionante como eles têm todos os sabores auditivos do passado, mas ao mesmo tempo nos servem algo novo e fresco. Se esse álbum tivesse sido lançado na década de 70, poderia ser um clássico hoje em dia, porém, lançado agora, certamente será um clássico absoluto no futuro.


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Sobre Tiago Meneses

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