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A morte de Eddie Van Halen e o legado de um mito!

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Autor: Márcio Chagas

06/10/2020

Palavras como “gênio”, “inovador”, “mestre” são usadas com frequência para denominar muitos músicos. Porém, se tais adjetivos soam exagerados para alguns, eles cabem perfeitamente quando falamos de Eddie Van Halen, 

Não é exagero dizer que a guitarra pode ser dividida em duas partes: Antes e depois de Edward Van Halen!

O guitarrista apareceu no final da década de 70 com a banda que levava seu sobrenome e seu surgimento caiu como uma bomba no meio musical. O musico solava sua guitarra de maneira muito veloz e usava técnicas até então pouco utilizadas pelos colegas de instrumento. 

Em pouco tempo, todos queriam tocar como aquele jovem magricelo, que conseguia deslizar seus dedos sobre o braço do instrumento na velocidade da luz e ainda manter na face um sorriso contagiante, utilizando e popularizando a técnica denominada “Tapping ou “Two Handed Tapping”  (como na foto acima).

O espanto era ainda maior quando descobriam que o músico não utilizava uma guitarra de ponta, como uma Fender, Gibson ou mesmo Jackson, mas um instrumento criado por ele próprio de maneira artesanal que Eddie apelidou de “Frankenstrat”, ou seja, um corpo de Stratocaster com peças de varias outras guitarras como um Frankstein. Nos anos 80, 

Eddie e sua banda reinaram absolutos no mainstrean musical, fazendo história com seu hard rock festeiro com pitadas de pop. 

E por falar em pop, na hora de gravar o solo de “Beat it” do multiplatinado “Thriller”, Michael Jackson não pensou duas vezes em chamar Eddie, que arrasou no solo da canção e foi mais uma vez assunto no meio musical e objeto de desejo dos aspirantes a guitarristas, que queriam de toda maneira tocar o solo da música.

Nem a saída do cantor e frontman David Lee Roth abalaram as estruturas do grupo, que seguiu em frente com Sammy Hagar nos vocais, gravando álbuns seminais nos anos 80 e 90 como “OU812” e “For Unlawful Carnal Knowledge”.

No final dos anos 90 após o errático “Van Halen III” e um hiato para tratar de sua saúde, o músico voltou triunfante em 2012, novamente ao lado do vocalista Roth, seu irmão Alex e tendo agora seu filho Wolfgang no baixo e vocais.

Embora tivesse uma técnica diferenciada e fosse um revolucionário no instrumento, Eddie era uma pessoa simples e atenciosa, sempre foi querido por fãs, repórteres, músicos e toda a comunidade musical. O guitarrista nunca teve uma postura megalomaníaca de um rockstar.

No inicio dos anos 90, um repórter acompanhava a turnê de “F.U.C.K”, recebeu um aviso da direção da casa de shows que o teatro teria que ser evacuado por ameaça de bomba. Em determinado momento todos procuravam pelo guitarrista, e apavorados foram encontra-lo encostado em um carro, impassível, praticando sua guitarra, alheio a qualquer confusão. Essa atitude tranquila e bem humorada era uma constante, fosse no palco, no estúdio ou em casa com os amigos.

Eddie Van Halen nos deixou após uma longa batalha contra o câncer. O músico teve problemas com um tumor na língua no ano 2000 e teve parte da mesma retirada. Na ocasião disseram que ele estava  totalmente curado, mas a verdade é que o guitarrista nunca mais se recuperou totalmente.

A partir de 2015 seu estado teria piorado bastante, com um novo câncer agora na garganta. Eddie nunca falou abertamente sobre o assunto, mas vários amigos próximos comentavam de modo discreto a luta do guitarrista contra a doença.

Eddie perdeu a batalha contra a doença hoje, mas com certeza seu legado permanece vivo por incontáveis décadas. Seu legado continuará tocando a todos que gostavam de boa música e tinham a guitarra como referência. 

BÔNUS TRACK:  Uma caso com Eddie Van Halen.

No meio dos anos 80 eu tinha aspirações de me tornar um grande guitarrista e resolvi tomar aulas de violão clássico, (As aulas duraram poucos meses e na verdade, me tornei um péssimo baixista ao invés de guitarrista).

Então, após algumas aulas, coincidentemente adquiri uma edição especial sobre Eddie Van Halen e na parte final havia uma partitura do solo “Eruption”.

Fiz fotocópias das páginas da partitura e “inocentemente” levei para minha professora de violão clássico para que ela me desse uma opinião sobre o tema.

Minha professora pegou a partitura e à medida que a analisava, seus olhos ficavam maiores e mais vívidos, como se fossem saltar para fora.

Ela me pediu licença para mostrar a partitura à outra professora, que por vez, chamou outra e outra e no final, havia uma pequena convenção de professores e nenhum deles conseguia entender como se tocava o tema apresentado. Só diziam que era muito, muito rápido. 

Em minha cabeça, eu conseguia ver o sorriso tímido de Eddie ante a reação inesperada de tantos músicos. Um dos grandes momentos que a música me fez vivenciar.

Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


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