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A história da música que nossos ancestrais não contavam: Os Capítulos Negros na história do Metal - Parte Final

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Autor: Daniel alves Ribeiro

26/08/2020

A Terrível história de Ricky Kasso.

Sempre que nos deparamos com notícias sobre crimes bárbaros e cruéis que, de alguma forma envolvem crenças, satanismo ou coisas do gênero, há uma tendência popular em atribuí-los a alguma manifestação da "loucura". Imediatamente a psiquiatria é questionada sobre qual eventual tipo de doença mental estaria em jogo.

A primeira questão a ser esclarecida é sobre a vocação popular em considerar louca a pessoa que opta por alguma seita satânica. Quando procuramos na internet páginas que fazem referência ao satanismo, em português encontramos em torno de 5.500 delas, 4.000 em italiano, 7.400 em espanhol, 78.500 em inglês e assim por diante. Faça o teste você mesmo e digite a palavra nos principais mecanismos de busca.
O segundo tópico importante a ser considerado é sobre a negação cultural de características próprias da natureza humana, normalmente envolvidas na questão religiosa, tomando erroneamente por doença atributos próprios da espécie. Há uma tendência cultural em suspeitar de doença as atitudes que acabam resultando na morte de pessoas.

Talvez seja mais correto, cientificamente falando, considerar a doença sob o ponto de vista cultural e, em seguida, sob a ótica do sofrimento e, finalmente, de acordo com os estados onde a consciência esteja prejudicada, preferentemente nessa ordem. Se não fosse nessa ordem, ou seja, se negássemos os aspectos culturais, correríamos o risco de considerar doença os milhões de estados de transe, onde há severo prejuízo do estado de consciência, que se observam em determinadas culturas.

Ora, seria muita pretensão da medicina psiquiatrizar (lembrando que esse termo não existe só usei-o para enfatizar o texto), toda essa população pelo simples fato de discordarem dos princípios religiosos tradicionais do mundo cristão, budista, muçulmano, etc. 

Não podemos, de forma alguma, psiquiatrizar as pessoas que não comungam a mesma crença religiosa ou mesma ideologia política tradicional do sistema. Se assim fosse, seria manifestação de loucura um cristão vivendo na China, onde existem mais de um bilhão de budistas, ou um muçulmano em auto-flagelação em nosso meio, tradicionalmente cristão e coisas parecidas.

Mas deixando um pouco de lado o lado histórico e científico da coisa vamos ao que realmente importa.
Ricky Kasso era um jovem de 17 anos de idade que residia em Northport, Long Islande. Apelidaram-no de "Rei do Ácido", (Acid King) devido à sua afeição às drogas alucinógenas.

Em 1984, a polícia de Northport recebe uma chamada telefônica declarando que havia sido achado um corpo semi-enterrado num pequeno bosque de Aztakea. Um grupo de agentes se dirigiu ao lugar com a intenção de comprovar a veracidade da chamada, e efetivamente, nos bosques se encontrou o corpo de Gary Lauwers.
Por o elevado grau de decomposição do cadáver se estimou que devia levar ali mais de duas semanas. O homem havia sido apunhalado 32 vezes, das quais umas 22 na face. Devido ao mal estado do corpo, os agentes não poderiam assegurar o número exato de feridas, podendo ter sido um total de cortes maior ao precisado.

A polícia enfocou sua investigação sobre dos jovens bastante conhecidos no mundo policial como consumidores de drogas habituais e por cometer atos de vandalismo próprios de adolescentes. Se tratava de Ricky Kasso e seu amigo James Troiano. Os dois haviam deixado a escola secundária e se dedicavam a andar à toa pelas ruas ouvindo bandas como Black Sabbath, Venom e até o AC/DC.

Ambos eram dois personagens curiosos, Troiano tinha o recorde de detenções por roubo, enquanto Kasso reunia detenções por casos mais estranhos, sendo a última por ter profanado uma tumba do século 19, tendo roubado um crânio e uma mão. Segundo suas declarações, pensava utilizar o material roubado num rito satânico o qual aconteceria na famosa casa de Amityville no popular dia das bruxas.

Pouco depois foram postos sob custodia, e num interrogatório quase de rotina, ambos confessaram aos agentes terem cometido aquele assassinato. Diziam que tinham se unido a um grupo satânico local, conhecido como "Os Cavaleiros do Círculo Negro" (The Black Circle), o qual tinha ao redor de vinte membros e era conhecido por seus sacrifícios animais a satã.
Atribuíram ao crime parte de um rito satânico, no qual haviam extraído os olhos da vítima. Kasso declarou que estava no bosque com Lauwers e dois amigos, Quinones e Troiano. Disse que começou a sentir-se extremamente agressivo, então começou a golpear a Lauwers até perder o controle. Logo reconheceu haver sacado uma faca e apunhalado gritando "Diga que ama a satanás". Como o agredido contestava dizendo que "Não, eu só amo a minha mãe", matou-o.

Quando viu o que havia feito sentiu medo mas, nesse momento, disse ter escutado o canto de um corvo que, em sua mente, identificou como um sinal de satanás dizendo que o crime havia sido em sua homenagem, sendo um fato positivo para ele. Por outro lado, quando James Troiano foi interpelado em juízo por assassinato em segundo grau, declarou ter sido apenas uma testemunha do assassinato, junto com Alberto Quinones. 

Mesmo  admitindo que Kasso tinha um estilo bastante relacionado com o satanismo, confessou que as drogas usadas pelo grupo haviam sido o fator principal do crime. O ato que motivou o assassinato, de fato, foi que Lauwers tinha roubado dez papelotes de droga de Kasso.

Para finalizar, em 7 de julho de 1984, Richarde Kasso se suicida na prisão de Riverheade, em Nova Iorque. Anos mais tarde, em 1992, baseado na história de Ricky Kasso, saia o filme My Sweet Satan (Meu Doce Satanás), escrita, dirigida e interpretada por Jim vam Bebber.

Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


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