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Yes: A decadência de um ícone!

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Autor: Márcio Chagas

21/08/2020

Se você fizer uma lista das bandas de rock progressivo mais influentes, o Yes estará entre elas. Na verdade, se você fizer uma lista com as três maiores bandas de rock progressivo, com certeza o Yes também estará incluído.

Porém, o grupo vem apresentando uma progressiva decadência, deixando em cacos um dos maiores grupos da história da música.

A banda sempre apresentou várias mudanças em sua formação, mas se estabilizou a partir do meio da década de 90 com Jon Anderson, Chris Squire, Steve Howe e Alan White. A constância desta formação coincidiu com a volta do grupo as suas raízes progressivas, sempre com a adição de outros músicos, especialmente Rick Wakeman com suas idas e vindas abruptas.

Mas tudo começou a ruir por volta do inicio de 2008, quando Jon Anderson apresentou problemas de saúde e o grupo resolveu seguir em frente com a turnê planejada, tendo o vocalista Benoit David como frontman, que na época atuava em uma banda cover do grupo.

Jon Anderson não fica nada contente e publica uma carta em seu site pessoal se sentido desrespeitado e anunciando sua saída definitiva do grupo. O Yes então seguiu em frente com as turnês, adicionando posteriormente o tecladista Geoff Downes (Asia) ao seu line-up e gravando  “Fly From Here”, que foi lançado em  2011. Embora não seja comparado aos álbuns clássicos do grupo, o disco traz muito do som sinfônico característico do grupo, com a faixa titulo dividida em cinco partes e ultrapassando os vinte minutos.

Esta formação durou até inicio de 2012, quando Benoit também ficou doente e o grupo novamente arrumou um substituto: desta vez o convocado foi Jon Davison, vocalista do grupo progressivo Glass Hammer e também de uma banda cover do Yes.
Com esta formação o grupo lança “Heaven & Earth”, que ficou com uma sonoridade e direcionamento muito abaixo do que se esperavam dos decanos fundadores do rock progressivo.

E então, no ano seguinte, o baixista, líder e fundador Chris Squire, único membro a participar de todos os álbuns do grupo, veio a falecer em consequência de um tipo raro de leucemia. E foi aí que a coisa começou a se descontrolar de vez.

Squire, mais que um baixista, ele era um estudioso do instrumento e de seus timbres, possuindo dezenas de contrabaixos dos mais variados modelos. Toda essa sua obsseção pelo baixo lhe assegurou um timbre único, ao mesmo tempo grave e cortante, principalmente quando utilizava seu Rickenbaker stéreo.

Para substituir um músico deste porte, seria necessário outro grande baixista que tivesse uma técnica única, ou mesmo fosse um dos seguidores do estilo criado por Squire, como Dave Meros (Spocks Beard), apenas para citar um exemplo. Mas indo completamente de encontro a tudo que escrevi acima, a banda, agora capitaneda pelo guitarrista Steve Howe, convoca Billy Sherwood para substituir o mítico Chris Squire.

Quero esclarecer que não tenho nada contra Sherwood, o músico é um excelente produtor e já havia participado de uma das formações do grupo no final dos anos 90 como segundo guitarrista, podendo ser visto no DVD “House of Blues”, além de ter auxiliado na produção e mixagem de alguns trabalhos da banda. Mas Billy NÃO É BAIXISTA! Ele não tem experiência no instrumento, não conhece suas nuances e peculiaridades. Obviamente poderia eventualmente substituir um músico em um show ou mesmo em estúdio, mas não tem como Sherwood substituir um contrabaixista único e carismático como Squire.

Jon Davison não tem o mesmo carisma de Benoit David e nem chega aos pés do inigualável Jon Anderson. Não possui experiência para lidar com grandes platéias, se mostrando muitas vezes apático e distante. Geoff Downes é um grande tecladista e fez sucesso a frente do supergrupo de AOR Asia e com o The Buggles nos anos 80, mas é inegável que seu estilo passa longe do progressivo sinfônico praticado pelo Yes, e está a anos luz de um musico do porte de Rick Wakeman.

Dos membros remanescentes da formação clássica setentista, sobraram Steve Howe e Alan White. Este último nunca foi um baterista excessivamente técnico como seu antecessor Bill Bruford, e com o peso da idade seu rendimento tem caído consideravelmente, principalmente ao vivo. O mago Steve Howe continua apresentando uma performance irretocável, com sua guitarra e estilo único, mas convenhamos, somente sua presença é muito pouco para levar adiante a massa sonora do Yes.

Do outro lado, Jon Anderson se reuniu com Rick Wakeman e Trevor Rabin, guitarrista da fase pop do grupo e ao lado de músicos contratados vem realizando shows sob o nome Yes, lançando inclusive um CD ao vivo denominado “Live at The Apollo”. Anderson, do alto de seus 75 anos continua com uma voz única e melódica. Wakeman continua toca com seu virtuosismo habitual, mas é notório que Trevor Rabin não tem o estilo sinfônico que caracteriza o som do grupo. Seu estilo mais despojado e direto em nada tem a ver com as suítes complexas criadas pela banda. 

A cozinha formada por Lee Pomeroy e Louis Molino, se não atrapalha, também não tem espaço para se sobressair, deixando claro que o trio formado por Anderson Wakeman e Rabin são os donos da bola.

Separados por rusgas e orgulho, o grupo segue dividido e claro, enfraquecido, pois nenhuma das duas formações que se apresentam sobre a égide do nome “Yes” representam o verdadeiro legado de um dos maiores nomes do rock progressivo mundial, tendo ambas as versões se transformado em uma banda cover deles mesmos. Quem sai perdendo com esta postura com certeza são os fãs.

Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


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