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Artigo

Introduções e solos marcantes de teclado

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Autor: Marcel Z. Dio

09/07/2020

Comentar sobre os grandes solos e introduções de teclados não é tarefa fácil, até pela quantidade de bandas e músicos sensacionais que transitam por aí. Tentei incluir apenas temas famosos e no meio deles alguns que podem ser desconhecidos dos mais novos.
O título refere não somente ao teclado e sim instrumentos de teclas em geral.

Aproveitem para comentar os artistas que gostariam de ver na lista.

MR. CROWLEY - OZZY OSBOURNE
Homenagem e tanto para um dos grandes ocultistas do século XX, o Sr. Aleyster Crowley.
Não é de hoje que os roqueiros escancaram as ideias do livro da lei e despejam em suas canções. O mais famoso dessa turma foi o maluco Raul Seixas, praticamente musicando a ideia central do livro da lei em curso com a sociedade alternativa.
A sinistra introdução de órgão é feita por ninguém menos que Don Airey, virando marca registrada na carreira de Ozzy, por fazer parte do set list em quase todos os shows do Madman.

TOCCATA AND FUGUE IN D MINOR - SEBASTIAN BACH
Poucas coisas na música são tão notáveis quanto o introdução de órgão em Toccata and Fugue in D minor. Tecnicamente não é complexa em seu prelúdio, o segredo está na tensão gerada pelos acordes. Quem viu ao vivo e a cores nos concertos da vida e não se arrepia, pode procurar um agente funerário ou deixar o testamento no jeito. Tem para a música clássica a dimensão dos riffs de Smoke and Water para o rock.

PARALLELS - YES
Poderia citar pelo menos trinta músicas do Yes com as teclas roubando a cena, desse modo, escolherei uma que marcou e marca até hoje, deixando todos com cara de espanto ao primeiro contato. Trata-se de Parallels do disco Going For the One (1977). Wakeman tocou em um autêntico órgão da igreja, que foi gravado na St. Martin's Church, em Vevey - Suíça.
Paralles só mostra a magnitude e genialidade de Rick e também da mão divina sobre o Yes, pela junção de músicos extraordinários. Uma obra de alinhamento planetário dos anos setenta, que nem daqui mil anos surgirá.

THE FINAL COUNTDOWN - EUROPE
Preciso dizer que Final Countdown torrou minha paciência por anos, juro que não aguento. Do mais, tenho que render-me e inclui-la na postagem como uma das mais importantes linhas de largada da história do rock, e, obviamente da carreira do Europe. Creio que o tecladista tocou-a tantas vezes que suas mãos caem pelas teclas no comando automático, comparado a bicicleta de bêbado que busca o destino sem precisar de "piloto".
Para os curiosos, existe uma "versão" de The Final Countdown sem teclados, suponho ser a matriz com o "corte" na pista do instrumento.

MY LIFE - BILLY JOEL
My Life deveria ser condecorada como uma das sete maravilhas do piano. Billy Joel destruiu tudo por aqui, sua linha é digna da maior apreciação e não somente pela introdução, sim pelo conjunto da obra.
É possível que o ouvinte seja transportado a um tempo que não viveu, e esse é o valor que a música tem em nossa vida.
Para ficar melhor, sugiro que vejam um vídeo na cidade de Budokan no Japão, nele Billy Joel convida Elton John para um dueto. Saquem a cara de Billy Joel divertindo-se a beça com a vestimenta do amigo na mascara de Godzzila.

ANY COLOUR YOU LIKE- PINK FLOYD
As notas de Any Colour You Like fixam de modo que só lobotomia pode arrancar. O saudado Richard Wright entrega sua obra definitiva aqui.
Vale conferir o cover do Dream Theater e o que Jordan Rudes apronta em sua introdução de dois minutos. Jordan conseguiu melhorar o que parecia intocável ou sagrado, dando voltas em torno do instrumento ao tocar do lado oposto ao tempo em que sua mão parece teleguiada pelo sobrenatural. Ora, como ele faz isso ? ...nem ouso responder, um mistério da humanidade.

EVIL WOMAN - ELETRIC LIGHT ORCHESTRA
Evil Woman é a essência do rock and roll, impossível ficar inerte a uma canção tão poderosa, no tempo que o ELO sequer sonhava em se afiliar-se a disco music num futuro próximo.
Todos os amantes de piano, teclado ou seja o que for, tem por obrigação arranhar pelo menos a introdução. Masterpiece!.

THE WAY IT IS - BRUCE HORNSBY
Em 1987 meu irmão mais velho levou-me ao centro da cidade, precisamente em uma loja de discos. Ele comprou aquelas famosas coletâneas de hits lançadas pela pela som livre, o Hits Reunion do respectivo ano, contendo a pérola The Way It Is.
Portanto, tomei contato já quando saiu e também pelas Fm(s) da época.
Os pianos classudos de Bruce eram um show a parte, num tempo em que a música pop não precisava de MTV como muleta. Sempre amei The Way It Is, a admiração aumentou quando tardiamente descobri que a letra abordava questões sociais.
Fica como lição de casa aos mais jovens, conhecer urgentemente The Way It Is.

JUMP - VAN HALEN
E pensar que o produtor Ted Templeman e David Lee Roth eram totalmente avessos ao uso dos teclados em 1984. Ainda bem que o teimoso e genial Eddie Van Halen assumiu a bronca e tocou o barco em frente.
Salvo engano, Jump foi composto em um teclado / sintetizador Cassio Cz 3000, linha com certa saída no Brasil.
O sucesso de Jump foi tanto, que até hoje é a mais importante obra do Van Halen. A introdução é tão marcante quanto o solo.
Dessa forma Eddie provou ser bom em tudo que faz, não bastasse, temos a maravilhosa canção "1984", a qual serviria de conexão para a introdução de Jump.
Anos mais tarde David Lee Roth mordeu a própria língua ao usar o "inimigo" como aditivo em carreira solo.

LUNAR SEA - CAMEL
Lunar Sea basicamente é divida em três partes, uma, com as guitarras tomando as rédeas em paralelo com as fortes pontuações de notas pedais no contrabaixo. A segunda parte com um dos melhores solos de moog da história, rivalizando entre Cinema Show (Genesis) nesse quesito. Hipnotiza de tal maneira, que o ouvinte sai anestesiado, como se a alma pulasse fora do corpo e fosse dar uma volta em algum lugar do espaço.
Por essas e outras, Peter Bardens é meu tecladista preferido do rock progressivo. O solo aplicado em Lunar Sea elevou minha admiração pelo Camel ao patamar máximo.

CINEMA SHOW - GENESIS
O que Peter Banks fez para Cinema Show é digno de Oscar e reverencia eterna. Alem da aplicação certeira das notas, conseguiu construir um solo com várias "camadas" de timbres, sendo um melhor que o outro. Enfim, uma viagem ao santo graal do rock progressivo.
Não fosse Banks comprimido entre os semi-deuses Rick Wakeman e Keith Emerson, a história seria outra.

PERFECT STRANGERS - DEEP PURPLE
Jon Lord virou um mago dos teclados, e a perspectiva do seu trabalho não pode ser superficial. Apontar as melhores faixas é mais complicado que fazer gargarejo de bruços.
Escolhi Perfect Strangers pela volta da formação MK2 e pelo álbum de 1984, que é um dos meus favoritos.
A introdução marca a abertura com sons metálicos, tão firme e poderoso quanto qualquer riff de guitarra. Jon Lord reina dentro da escala pentatônica e uso de muitos power chords em temas que se repetem por vários trechos.

TAKE A PEBLE - ELP
Assim como o irmão progressivo Yes, o trio Emerson Lake and Palmer tem uma coleção de grandes composições baseadas em piano e teclados.
O debut ganha predileção pela exploração dos pianos, ainda mais com Take a Peble e sua vertente de música clássica exposta em outra proporção.
Procurem o vídeo oficial onde Keith Emerson escorrega por diversas vezes a mão direto nas cordas do piano, dedilhando e fazendo um tipo de glissando.

TAKE ON ME - A-HA
A-ha é uma das minhas bandas favoritas do pop oitentista e também da maioria dos ligados nesse tipo de som. Admito, nunca gostei de Take On Me, nem nos anos oitenta e muito menos agora que soa tão datada quanto máquina de escrever. Sei lá, parece coisa de Atari.
Ao contrário desse que vos escreve, o povo e os fãs do A-ha são vidrados nela e em seu vídeo.

SAVE A PLAYER - DURAN DURAN
Introdução enigmática da melhor banda pop dos anos 80, com efeitos e timbres diferente de quase tudo dentro do pop. Cultuada até hoje, tende a ser uma das cinco faixas mais conhecidas do Duran Duran. Inesquecível !.

GREEN-EYED LADY - SUGARLOAF
Em Green-Eyed Lady atrativo é o solo, já que os riffs de guitarra e baixo, roubam a luz para si na parte inicial. Ouça a melhor música do Sugarloaf e saque como um solo de teclado pode ser tão marcante quanto a guitarra, a essa, coube enfiar os rabo entre as pernas e raspar acordes de alternância jazzística enquanto Jerry Corbetta brilhava.

PITÁGORAS - MUTANTES
Certa vez li um comentário sobre Pitágoras, guardei bem aquelas palavras, dizia que não poderia ser feita por seres humanos sem a adição de substancias para expandir a consciência. De certa forma o comentário foi eloquente, pois tem algo de especial e desnivela dentro do conceito de Tudo foi Feito pelo Sol (1974).
Túlio Mourão rivaliza com as guitarras de Sérgio Dias e dá uma aula de como tocar. São notas de piano e mini-moog que transcendem qualquer coisa que possa ouvir ou imaginar dentro do rock brasileiro, uma viagem lisérgica.

ROCKIT - HERBIE HANCOCK
É até pecado citar Rockit quando temos um baú cheio de peças extraordinárias compostas por Herbie Hancock, um dos músicos mais conceituados do jazz.
No entanto, pegou rabeira na breakdance e também no electro oitentista, para criar algo extremamente simples e pegajoso, lançando-a como single em Future Shock (1983). Apesar de artificial e inocente para os padrões de Hancock, Rockit foi sucesso de bate e pronto.

END TITLES - VANGELIS
O bruxo Vangelis foi protagonista da trilha sonora Blade Runner, filme de ficção científica (1982) dirigido por Ridley Scott.
Das trilhas, o destaque maior ficou com End Titles, amparada por toda tecnologia de sintetizadores para vestir como luva as intenções do filme.
Com isso, temos um som futurista orientado pelo ventre do sinth bass em um sequenciador. A partir dessa base, os efeitos são jogados por Vangelis para criar uma trilha futurista até mesmo para os padrões atuais.

AXL F - HAROLD FALTERMEYER
Esse é mais um tema marcante de filme dos anos 80, agora para Beverly Hills Cop, ou, traduzindo para nossas telinhas : Um Tira da Pesada.
Considerado um dos pioneiros da música eletrônica, o alemão Harold Faltermeyer gerou algo muito simples em Axl F. Tão acessível, que até um novato pode tocar as partes fundamentais, desde que escolha o timbre ou preset correto.

THE ENTERTAINER - SCOTT JOPLIN
Quem tem mais de trinta anos já ouviu The Entertainer em algum filme de faroeste, desenho ou mesmo em vinhetas de programas televisivos.
A saliente canção datada de 1902, é uma instrumental do Ragtime - gênero musical norte-americano que teve seu pico de popularidade entre os anos 1897 e 1918. Ritmo que foi o primeiro gênero musical autêntico norte-americano.

HUNGARIAN RHAPSODY No. 2 - FRANZ LISZT
A segunda e mais famosa obra de um conjunto de dezenove rapsódias compostas por Franz Liszt. Poucas composições atingiram tal popularidade e permitiram ao pianista a revelar sua habilidade de forma sobrenatural, oferecendo ao ouvinte uma experiencia única no encontro da música perfeita.
Confiram a maravilhosa interpretação de Valentina Lisitsa no vídeo gravado em 2010 em Leiden, Holanda. Sua mão dança freneticamente sobre o piano, tal como os dedos Hendrix voavam sobre os trastes da guitarra.

THE CAPTAIN OF HER HEART - DOUBLE
O termo One Hit Wonder é usado para definir aquelas bandas que emplacaram apenas um sucesso, a exemplo do Double. Double deixou para a posteridades um dos hits mais classudos dos anos 80. Piano inicial tomando a frente em dueto com o saxofone, com frases simples para raiar em tempos estratégicos.
The Captain of Her Heart ganhou evidencia entre os brasileiros pela exposição frequente na radio Antena 1.

RIDERS ON THE STORM - THE DOORS
Aos sons de chuva e trovoes, o piano de Ray Manzarek suavemente aspira a alma de quem ouve, jogando-nos dentro de sua arte.
De textura delicada e um tanto jazzística, Riders On the Storm age como mantra ao sobrevaler até mesmo a voz do poeta Jim Morrison.
Seus graves fazem parte de uma segunda melodia, e no estúdio são tocados por Jerry Scheff, conquanto, Ray Manzareck fazia a função de Jerry ao vivo, adaptando-a para o teclado. Absurdamente incrível, se pensarmos que são ritmos de encaixe sublime e totalmente independentes. Como tocar na destra, brincando com solos e improvisos, enquanto a outra faz o papel do contrabaixo.
Por isso dizem que os Doors não possuíam baixistas, a mão esquerda de Ray, valia por eles. Em estúdio os créditos evidentemente eram reconhecidos e Jerry Scheff que foi baixista do rei Elvis Presley, por um triz não tornou-se o quinto Doors.


Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


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