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Artigo

Aniversário macabro

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Autor: Fábio Arthur

05/07/2020

O tempo passou e ainda me lembro quando o grupo americano Slayer lançou South of Heaven, disco bem diferente e inovador da banda. A obra trouxe o mesmo estilo de arte de capa, produção ótima e no quesito som, o que se ouve foi uma apuração de todo o estilo do Slayer. 

Os riffs e a bateria fulminantes estavam lá, mas a cedência dava lugar ao invés do som ágil e de faixas curtas de seu disco antecessor. Pouco se viu críticas negativas ao grupo na época, uns e outros não aceitavam o fato do Slayer estar mais 'suave" e mesmo assim a coisa aconteceu de forma muito acima do esperado. As temáticas pesadas estavam lá. A voz de Araya ainda permanecia impactante e rasgada e as canções, mesmo sendo bem mais cuidadas e menos Thrash, não trouxe o desapego do som visceral. Até mesmo o fato de a banda estar em uma major, não tirou o mérito da qualidade do grupo enquanto metal, ríspido e cru. 

Melodias, flertes com cadências e até mesmo uma versão para Dissedent Agressor do Judas Priest trouxe uma avalanche sonora e bem imposta. Slayer, aqui com Hanneman liderando parte do trabalho, manteve um alto nível de faixas que caíram nas graças de fãs. Ao comprar esse álbum quando saiu eu fiquei pasmo com a mudança e com a virtude benéfica que o mesmo trouxe; soava descomunal e muito bem qualitativo. 

South of Heaven, a faixa título, traz muitos elementos vigorosos e insano do grupo, a afinação de guitarra, a cadência de bateria com viradas absolutas de um Lombardo perfeito e técnico até demais, além de demorar uma interpretação de Araya muito bem cuidada. Obviamente não são músicos exemplares com solos homéricos e seus afins, mas sim, Slayer soa aqui em 1988 como uma fonte de mudança sonora e uma nuance bem definida. 

Na época a banda concedeu uma entrevista em que o grupo afirmava que alguns deles ouviam Peter Gabriel ex-Genesis e isso chocava os "metaleiros" sedentos pelo sangue e pelo caminhos obscuros - de fato - a julgar pelo estilo do grupo. Eu não entendia como eles faziam questão de mencionar suas favoritas canções do momento e sim que eles eram os mais intensos do metal, na linha Thrash de ser. 

O Slayer de fato hoje tende a ter esse trabalho como um dos pontos altos de sua carreira. Como fã eu nunca deixei de criticar a banda por seus erros futuros, mas aqui, seria uma ode à loucura insultar a decisão de elaborar um elemento mais sutil ao invés de um segundo Reign Blood - o que de fato, seria a morte da banda -, sem dúvida alguma. 

Ghost of War é outra faixa feroz do disco, ela traz a essência do Slayer anterior mas ao mesmo tempo, acompanha o teor de South of Heaven. Silent Screams e sua letra forte é outra música de que não podemos deixar de ajusta - lá como um clássico do disco. Behind the Croocked Cross é ferrenha, forte no sentido lírico e também em seus riffs. Spill the Blood é outra faixa voraz, melódica em termos e traz a cadência afortunada. Para não deixar de lado, temos Mandatory Suicide, uma das mais salutares faixas do disco e da banda, em verdade. 

Foi esse o primeiro CD que vi em uma loja quando o artefato foi lançado, entrei e logo de cara estava lá, mas eu já tinha o vinil na época e sendo assim parti para comprar a coleção em vinil mesmo, obtendo os CDs anos depois. 

Álbum certeiro, e com a força de uma banda ainda em época jovem e renascida em sua própria fome de chegar em um ponto de coesão. 

Lançado em 5 de julho de 1988, South of Heaven marca de vez o Slayer como um baluarte do Metal.

Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


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