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Backmasking, quando o Diabo resolve entrar em estúdio...

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Autor: Marcel Z. Dio

04/07/2020

Após descobrir a ciência do subliminar, o Diabo começou a interferir em estúdios e comprar a alma de artistas ou vender o nome a troco de propaganda. Sua reputação na década do pop aumentou consideravelmente, deixando aquele esquema de possessão carnal, para adentrar em nossos amados disquinhos. Estendendo-se ainda em lendas urbanas para fazer parte do imaginário popular, ao atacar até os brinquedos.
Satã não poupou nem o personagem miniatura do Fofão, apoderando-se do boneco, por saber que nenhum padre poderia exorcizar um brinquedo, sob risco de "queimar o filme" tentando tirar o mal de um pobre "ser" com bochecha em formato de saco escrotal. Diz a lenda que o Fofão continha em seu interior, uma cruz invertida. Podendo também se transformar em espada para usos ritualescos.
Sem esquecer da boneca vinculada a imagem da apresentadora Xuxa, que a noite ganhava a vida para assustar crianças.
Xuxa revelou sofrer muito pela conversa de pacto e mensagens inventadas. Após anos e anos de especulações, em 2016 entra na brincadeira para avacalhar em vídeo feito para promover a série Stranger Things. No vídeo, a rainha dos baixinhos aparece com look dos anos 80 e faz piadas sobre satanismo, oferecendo um som com seu disco "de trás pra frente."

Voltando ao assunto principal, o termo Backmasking, (popularmente conhecido como mensagem ao contrário) ganhou fama e fez a alegria dos religiosos. Valia tudo para atacar quem ganhava grana com música. A arte de virar discos na contra mão rotativa para achar pêlo em ovo, ou, mensagens escondidas, detonou a agulha e a coleção de muita gente.
No Brasil ninguém escapou, desde Balão Mágico, Alceu Valença, Raul Seixas, Xuxa e até mesmo Claudinho e Bochecha nos anos 90. Imagine um religioso perdendo aproximadamente dois dias a parelhar letras e editar legendas num vídeo?, tentando ouvir palavras similares para aplicar o golpe. Diabo rimava com quiabo, que rimava com esparadrapo e também com a palavra retardado, a última, conveniente aos que acreditavam na estória.
Como enxergar nuvens no céu, as legendas enganavam o cérebro e desse modo os protagonistas religiosos assustavam suas ovelhas, chegando ao ponto de queimar discos em praça publica, num fato ocorrido ao cantor Ozzy Osbourne. Porem, as mensagens dele eram espalhadas na "caruda", sem precisar do artificio reverter.
De fato, Ozzy Osbourne gravou na canção Bloodbath in Paradise, de 1988, a frase "Your mother sells whelks in Hull" ("Sua mãe vende caramujos em Hull") - uma paródia de um xingamento impublicável que ficou famoso em O Exorcista.

Os Beatles também entraram na dança, com os universitários americanos espalhando rumores de que Paul McCartney havia morrido em 1966, e que tinha sido substituído por um sósia. A prova? poderia ser identificada em mensagens passadas pelos Beatles em seus discos - tanto na capa quanto nas gravações.

“Stairway to Heaven” do Led Zeppelin, "ao contrário", tornou-se clássica, expelindo frases como : “Oh, esta é para meu doce Satã. Aquele cujo caminho curto me deixaria triste, de quem o poder é Satã. Ele dará o 666 para quem está com ele. Existia uma cabana onde ele nos fez sofrer, triste Satã”, diria a letra em homenagem ao Diabo. Assustador não ?.
Na realidade Stairway to Heaven torrou mais a paciência de quem era obrigado a ouvir aspirantes do violão tentando replicar aquele dedilhado maldito, aquilo sim era coisa do tinhoso, o inferno real!.

Alguns artistas entraram no rolo e confundiram ainda mais a cabeça dos que viam o Diabo até em embalagens de maionese. Caso do Pink Floyd, propositalmente interferindo nos recurso de gravação para deixar a mensagem na canção Empty Spaces da ópera-rock The Wall. Roger Waters diz: "Parabéns, você acaba de descobrir a mensagem secreta. Por favor, mande a resposta ao velho Pink, aos cuidados da fazenda engraçada, Chalfont..." (como se estivesse passando um endereço para correspondências).

Os Engenheiros do Hawaii fizeram o mesmo com a faixa Ilusão de Óptica. É possível ouvir o vocalista Humberto Gessinger questionando: “Por que cê tá ouvindo isso ao contrário? O que cê tá procurando, hein?”. Na sequência, escuta-se claramente uma série de expressões aparentemente desconexas, deixadas de propósito para serem descobertas.
Percebe-se no caso do Engenheiros do Hawaii, que o ato de inverter não era nada simples se a função "linguística" tivesse sentido em ambos os lados, por isso, a desconexão ao ouvir em modo normal. Só por esse fato é compreensível o devaneio de acreditar que artistas brasileiros tenham perdido tanto tempo com isso para torrar a paciência dos técnicos de gravação, assim como eu perco tempo escrevendo esse texto meia sola.
O caso de Stairway to Heaven tem um pouco de fundamento, se pensarmos que Jimmy Page mexeu realmente com ocultismo e que a letra da mesma, tem linguagem e objetivo confuso, todavia ...

Quem sabe o querido e fútil Backmasking popularizou-se pra valer-se no o ato semi subliminar de acabar com agulhas e Lps em troca de vender mais. Claro que é só uma suposição tosca, pois os religiosos do outro lado do meio fio, queriam mesmo é encher o saco com o papo de avisos malignos e outras baboseiras.
Ora, quem quer ver o Sete Peles mandando recado em uma "bolacha" dos Menudos, se aquilo por si só, já é uma tragicomédia da música mundial, um mal da arte em caras vistas.
Peço licença agora, estou ansioso para usar a técnica ouvindo Enya, até porque o sábio Altamirro disse que um disco de new age ao contrário, continua sendo new age.

Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


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