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Artigo

O Futuro é Vortex?

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Autor: Marcel Z. Dio

10/01/2020

Uma onda de nostalgia atacou as pessoas da rede, atacou de tal forma que parafraseei a música do Replicantes: estamos numa safra de cultura vortex. Remamos para passado como se ele fosse o futuro, talvez porque não enxerguemos uma luz no mesmo.
Se os jovens do passado tivessem ignorado Elvis the Pelvis ou os Beatles, talvez o futuro da música pop fosse outro. Mas não deu pra passar incólume ao talento de ambos, embora os velhos do passado tentassem. E agora nós, os velhos do futuro, criticamos os novos do presente, erguemos as mãos e soltamos a pérola: No meu tempo era muitttoooo melhor, tinha o Michael Jackson, o Black Sabbath e também o Luiz Miguel. ...

Sem esquecer que o sertanejo de nossa época ainda tinha raiz, só um fiapinho, mas tinha. É compreensível que hoje seja assim, quem pode compor algo sobre o campo, sentado numa escada rolante ?.
O sertanejo virou uma bandeira de culto a cerveja, pegação e baladas, uma ode a ilusão do fim de semana proletariado.

A música pop virou plastico e nem refrão tem mais, fez o acompanhante ter saudade da pior espécie de sinth pop reinante nos anos 80. Human League será o Beethoven do futuro.
Ah, mas a nostalgia não para por aí, nem o tal do roque, o mais nostálgico dos gêneros, escapou !. E nem falo de Elvis The Pelvis, estou quase nos anos 80, quando o Iron Maiden fazia a cabeça e ditava tendencias, era legal demais. O que existe de mulekada voltando pra resgatar o heavy anos 80, não é brinquedo. Tem até uma onda retrô NWOBHM e uma enxurrada de grupos thrash retornando aos braços do old school. Ate o Metallica voltou ao berço, cuspindo a raiva do passado, mesmo com a conta bancária cheia e sem motivo pra ter raiva.
A MPB deu uma morridinha, virou qualquer nota e ainda sobrevive com cantoras mais chatas que chinelo de gordo. Milton já esta quase de bengala e o clube da esquina virou clube Lan house.
Talvez a MPB tenha morrido no final da ditadura e ninguém se apercebeu, agora que pode reclamar a vontade, perdeu a graça, contravenção era incentivo.
Quem pinta no Faustão é a Anita e o Pablo Vittar - o cantor que não consegue terminar uma frase sem desafinar. Raul Gil não descobre mais ninguém, não dá ibope. Agora ele incentiva cantores mirins a virarem funkeiros, ajudando a enobrecer a cultura da música popular, é... não da pra confiar em ninguém.
Meu amigo Altamirro disse que o fim estaria perto quando considerassem o Zezé de Camargo como o Bob Dylan sertanejo, então, estou ficando com medo, na verdade borrando as calças. Altamirro leu muito sobre o apocalipsenejo, ele sabe o que diz. Disse também que o mundo será dos nostálgicos, e soltou uma frase inédita : "Eu era feliz e não sabia".


Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


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