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Vinil e Compact Disc, dicas e cuidados para os novos colecionadores

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Autor: Marcel Z. Dio

07/11/2019

Em tempos de youtube, MP3, streaming e outras plataformas, a mídia física quase caiu no ostracismo. Só que a geração mais nova surpreendentemente voltou ao passado de seus pais e avós, apreciando o ritual de ouvir o velho bolachão e toda sua mística sobre capas, encartes, raridades, etc.
A briga vinil contra CD também foi levada a cabo em fóruns da internet. De minha parte acho um pouco abstrato comparar os formatos e ter uma opinião exata, mesmo porque minha aparelhagem está longe de ser top de linha. O buraco é mais embaixo e envolve inúmeros elementos, principalmente ao LP. Fatores como aparelhagem boa, agulhas, regulagem, capsulas e caixas de som, entram em ação. Sem esquecer que a percepção sonora ainda é meramente questão de gosto. Para quem prefere um som limpo o CD é a opção, a quem prefere um som mais "quente e orgânico", talvez o LP seja o mais adequado.

Um bom exemplo dessa questão é a música clássica, pois geralmente os LPs do gênero são encontrados a preços generosos em sebos e lojas do ramo, e devido as nuances que músicas desse tipo apresentam, o ideal é escolher o CD, pois os chiados ou pipocadas, aparecem com mais enfase nas partes em que a música tem o volume diminuído. A não ser que o vinil seja novo ou bem conservado.
No quesito praticidade, os cds também levam vantagem, com opção rápida de se colocar na bandeja, pular as faixas pelo controle e ouvir numa tacada só. Em contrapartida, os bolachões tem o "quadro" da arte da capa, grandes encartes e o ritual mecânico de se virar o lado, ajustar a agulha, e ouvir o chiado, esse, charmoso para alguns.

Sobre os LPs novos fabricados pela Polysom brasileira e também alguns "gringos" de 180 e 200 gramas, existe controvérsias sobre a fonte da master não ser analógica. Alegando o produto ser extraído de forma digital na passagem para o Vinil, portanto é como estar ouvindo um Lp no formato digital, ou melhor, um CD sob forma de vinil. Quanto a isso não posso afirmar, mas conheço gente que jura ser uma infeliz verdade.

NEM TUDO QUE É RARO, É CARO ...

A palavra raridade ficou banalizada no meio, mas ... nem tudo o que é raro é caro. Você pode encontrar um disco com mil cópias e o mesmo valer no máximo 5 reais. É o caso de alguém que teve o sonho de gravar só pra matar a vontade, e distribuir o produto para parentes e amigos próximos.
Por outro lado se o artista ou banda em questão, for famoso, o preço pode passar facilmente a casa dos mil reais. Caso do primeiro disco do Roberto Carlos, chamado "Louco por Você. Diz a lenda que o próprio Roberto Carlos mandava seus funcionários comprar o disco em sebos, para depois destruir, estória que não dou crédito. O fato é que Roberto odeia o disco e a sua produção precária, renegando o próprio passado. No entanto, isso é um direito dele e deve ser respeitado.
O álbum Louco por Você, dependendo do estado de conservação, fica entre 2000 a 5000 reais.

O disco de maior valor comercial no Brasil (entre os famosos) ainda é o Paêbirú de Lula Côrtes e Zé Ramalho. Teve prensagem única de 1.300 exemplares. Destes exemplares, em torno de 1000 se perderam em uma enchente que ocorreu em Recife em 1975. Então somente 300 cópias circulam no país. O valor estimado pode passar fácil a casa dos 6000 reais, conforme a conservação.
Outros de "menor valor", ainda tidos como raros, são: Tim Maia - Racional, Jorge Ben – A Tábua De Esmeralda e Raul Seixas Let Me Sing My Rock N Roll.

Exemplares pouco falados e que valem um nota, são : Cildo Meireles – Sal Sem Carne (1975), anunciado no mercado livre pelo estratosférico valor de 34.000, pela tiragem de 100 cópias, e também o primeiro lançamento de Di Melo (1975).
O disco que Carmen Miranda Gravou Na Brunswick é o item mais caro que já vi, o preço no mercado livre é a bagatela de 1 milhão. Parece piada, ou até é. Mas como sites de vendas viraram terra de ninguém, pedir não é pecado, duro mesmo é achar um louco pra pagar tal quantia.

SOBRE O MERCADO LIVRE

O Mercado Livre é uma ótima opção para quem mora fora do grandes centros e quer começar uma coleção. Mas como prevenir nunca é demais, temos que tomar cuidado com certos vendedores. O primeiro e obvio cuidado, é a reputação do vendedor, o segundo é não levar tão a sério a palavra "raridade". Não é porque temos apenas um exemplar de um produto no site, que o mesmo seja raro. E o terceiro é a atenção aos duplicadores de anuncio, exemplo : o vendedor duplica cinco anúncios, jogando quatro a preços altos e o ultimo por um valor bem abaixo do mesmo produto, nisso o comprador inexperiente acha que fez um negócio da China, em comparação aos outros preços, que na realidade eram do mesmo vendedor.
Com tudo isso, nada substitui o prazer de garimpar em sebos, a checagem imediata do item e a compra livre do frete.

ITENS AUTOGRAFADOS

Cada um tem sua opinião sobre o assunto, sinceramente eu não compraria um item autografado pelo dobro do preço, mesmo porque na maioria dos casos não tem como comprovar a autenticidade. E o que tem de gente falsificando assinatura não é brincadeira !. E mesmo que seja comprovado, autógrafo de terceiros ao meu ver, não tem tanto valor.
Valioso ao meu entendimento, é a assinatura pega em primeira mão, recebida do artista. Algo que vale como história para contar, uma recordação de um artista querido, um momento vivido de verdade.
Quanto ao autógrafo com dedicatória, esse só interessa ao recebedor, tanto que o item tem valor quase nulo se passado a frente, a não ser que seja do Elvis Presley, Michael Jackson ou Beatles, mesmo assim não desembolsaria valores absurdos para tal.

LIMPEZA E OUTROS CUIDADOS

É de extrema importância lavar os LPs e ate mesmo CDs usados, ao compra-los em sebos. Observei dicas mirabolantes no processo de lavagem em visitas por páginas sobre o assunto. Portanto passarei o meu método, que é lavar com detergente neutro e enxaguar bem na água corrente, deixando secar a sombra, com auxilio de um ventilador para adiantar o processo. Se o disco não estiver muito empoeirado, o recurso pode ser um pano macio com álcool isopropílico.

Sobre lavar o Label (selo) não tem problema algum, sempre fiz isso e deu certo. Alguns inventam até aparatos artesanais para cobrir o selo, acho perda de tempo, contanto que você deixe o mesmo secar e não o guarde molhado, não haverá complicações.
Lavar com sabão em pó, nem pensar !.
Quanto aos discos com muita sujeira impregnada (caso extremo), existe o método da máscara de cola. Joga-se cola tipo tenaz sobre toda superfície, deixando secar até que a cola fique dura e depois retira-se com muito cuidado. Nunca usei o método, porem creio ser agressivo com os micro sulcos, puxando a poeira ao mesmo tempo que pode danificar os sulcos.

Com o Compact Disc o processo é o mesmo do detergente, ou em casos mais complexos a cera automotiva com algodão, pasta de dente, ou o polimento.
Deixar CDs originais em estojos com as famosas "redinhas" não é aconselhável, é a melhor forma de risca-los. O mesmo vale ao colocar em aparelhos automotivos, tipo Pioneer, arrisque só com os gravados.
Para tirar cola de caixinhas acrílicas, o ideal é álcool isopropílico.

Escrever com caneta nos encartes não é uma boa, principalmente na capa, boa parte pode ser apagada em 80% dos casos, se o verniz for bom e a cor for branca, do contrário esqueça.
A opção de tirar marcas de caneta com pasta de dentes pode funcionar, porem, se fizer bolha no papelão, fica complicado. Opte por um lápis borracha, pois a pressão é mais forte e aplicada somente na parte escrita, ao contrário do cotonete ou somente algodão com pasta de dente, que alem de tudo pode manchar. Lembrando que a parte branca perderá o verniz, ficando fosca em ambos os processos, causando uma pequena diferença de tonalidade.
O mesmo vale para o vinil, lápis borracha na parte branca que estiver escrita a caneta, com muita paciência e calma consegue-se tirar. Quando perceber que a tinta saiu bem, não exagere, se a capa for laminada o processo é mais fácil e pode ser usado até em partes coloridas. Se for papelão fajuto (caso de Ride The Lightning do Metallica, em edição nacional) o cuidado deve ser redobrado.
Na parte interior (papelão) é bem fácil tirar marcas de caneta, mas se for no selo (label), nem perca tempo, a não ser que conheça algum recurso ninja.

Lembre-se que ao escrever na capa do CD ou LP, o valor do mesmo pode cair até em 50%. Escrever no selo não é tão grave, mas, evitar é bom, o mesmo serve com etiquetas.
As capas podem ser limpas com produtos específicos ou até mesmo com lustra moveis, basta ter cuidado e capricho, prestando atenção se o material tem um bom verniz.
Se a lateral de entrada do disco estiver muito danificada, quase rasgando, a opção pode ser passar uma fita plastica transparente de qualidade, fixando metade da parte externa e metade da parte interna da fita, deixando de 1 a 2 cm para cada lado. Durex nem pensar.
Use uma régua para não deixar bolhas na fita. Faça somente se a borda estiver bem comprometida, após concluído, não tente tirar a fita de forma alguma.
Para completar, compre saquinhos internos anti-estática para os discos e plásticos para a parte externa. Deixando os vinis sempre na vertical, nunca empilhados um em cima do outro.

VINIL EMPENADO

Um dos principais problemas encontrados pelos colecionadores, é quanto à deformação ou “empenamento” que pode ocorrer nos LPs. Isto pode acontecer por diversos fatores, seja pela exposição à altas temperaturas, armazenamento de seu vinil e até mesmo pelo processo de fabricação.
Para empenamentos brandos, recomenda-se prensa-los em livros, deixando por vários dias, até meses se necessário, um verdadeiro exercício de paciência. Ou colocar o dito cujo entre duas placas de vidros expostas ao sol, calculando para que não fique tanto tempo (para não derreter). Alguns aventuram até a por no forno, com o risco de ter um disquinho assado, se der errado é só por sal e comer, degustando com um bom chá de fitas.
Se o empenamento for com bolhas muito altas, nem perca tempo. Alias, não perca tempo em nenhum caso, somente tente os livros, se não funcionar esqueça. Outros tentam dar mais pressão na agulha pelo contrapeso do braço, o que pode piorar a situação, acabando com a agulha.
Desempenar vinil em minha opinião, é uma grande lenda !, é como disco voador, todos ouvem falar que existe, mas ninguém vê. Portanto se o empenamento for leve, fique com o disco, pois tocará sem problemas, se o empenamento tiver muita ondulação, guarde a capa e tente achar outro em algum sebo, jogando o antigo no lixo.

ORGANIZAÇÃO

Quando uma coleção ultrapassa os 500 itens, a organização começa a dar dor de cabeça. O ideal é separar por ordem alfabética e gênero. Exemplo : seção heavy metal, separada por ordem alfabética, seção rock progressivo em ordem alfabética, assim por diante. O trabalho de cada banda pode ser alinhado em ordem cronológica, ou alfabética também, no meu caso, eu prefiro ordem cronológica.
Com algumas bandas, a exemplo do Rush, a situação complica um pouco, pois o trio canadense tem momentos hard rock e progressivo, nesse caso o jeito é separar ou deixar tudo em um segmento. Fica a seu critério.

COLECIONAR OU ACUMULAR ?

Quando o vicio do consumo bate, compramos por puro impulso, até algo que não gostamos, só para encher a estante e ocupar espaço, daí para virar um acumulador é questão de tempo. Interessante é comprar o que vai ouvir, e ouvir por várias vezes. Dar uma repassada na coleção também é bom, "olhando" álbuns que passaram batidos, agora sob outra perspectiva.
Não tente colecionar pela quantidade, para ultrapassar números ou mesmo ostentar, lembre-se que a música é mais importante que a mídia em si.

Essa matéria, como diz o título, visa ajudar os colecionadores novatos, portanto não trará novidades para os mais velhos e pessoas do ramo. São apenas dicas simples, que podem ser uteis aos jovens colecionistas.

Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor


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