Duran Duran: a história até o ano 2000

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Por: Roberto Rillo Bíscaro

Colaborador Top Notch

23/06/2018



Wild Boys: the story of Duran Duran (2000) é um documentário da BBC, em homenagem ao sucesso da turnê norte-americana Pop Trash, seu décimo álbum de estúdio. A ideia era mostrar que o grupo continuava vivo no imaginário de muita gente. Isso significa que a maior parte do material é laudatório, mas, muito interessante para duranies e para quem quer conhecer um pouco o poder quase beatlemaníaco – em termos de popularidade – do grupo na primeira metade dos 1980’s.
A diluição de electronica alemã; glam rock à Roxy Music; disco a la Giorgio Moroder e Donna Summer, fase I Feel Love, com pitadas da atitude “faça você mesmo” do movimento punk levaram os meninos bonitos da classe trabalhadora de Birmingham ao zênite do estrelato consumista, embalado e incentivado pelo tatcherismo yuppiano à Milton Friedman.

Depois de uns anos 70 recessivos, quem resistia ao então glamour duranie, de paletós coloridos, em iates? Heterossexuais com maquiagem pesada, namorando e se casando com modelos e cantando deliciosas melodias pop? A mulherada se descabelava, os meninos sentiam inveja/ciúmes, chamavam os caras de “viado”, mas dançavam também.

O documentário fala da adesão ao som funkeado a la Chic, de início rejeitado pela gravadora, que logo se deu conta do erro de avaliação, com o estrondoso sucesso de The Reflex. Fala da sucessão de vídeos idílicos, da diluição punk extremada de Wild Boys (canção e clipe). Os punks de plantão que não cuspam, afinal, John Lydon acabou fazendo comercial de margarina!

A fase da decadência é tratada muito de leve, afinal o programa é para celebrá-los. Nada é falado da tentativa de aderir à cultura rave com certas faixas de Big Thing (1988), fiasco nas paradas para os padrões duranies. Algo é dito sobre a volta à forma, em 93, com dois grandes sucessos.

Wild Boys: the story of Duran Duran traz várias personalidades pop importantes para falar bem da banda. Debora Harry, Lou Reed, Nile Rogers e Iggy Pop (onipresente em qualquer documentário musical!) afirmam que os meninos têm talento e sabem tocar, não eram apenas uma boy band manipulada. Essa era uma pedra que a imprensa musical gostava de atirar neles, porque fugiam do estilo calça jeans/peito cabeludo à mostra/suor dos roqueiros. Aliás, muito do envolvimento de alguns membros com drogas e farra é atribuído a querer provar que eram sérios.

Para contrabalançar tanto elogio – muitos merecidos, há que se reconhecer – um carinha falando sistematicamente mal. Que eram feios, não sabem tocar, eram bregas etc. Qual o nome do moço? Quem lembra? Depois de tanta celebridade de primeiro escalão da época falando bem dos meninos, como saber o nome do desconhecido artista gráfico ou sei lá o quê.

Descontados esses poréns, é um prazer ver Wild Boys.... O estilo blasé calculado de Nick Rhodes (soltando uma ou duas farpas discretamente envenenadas), a simulação de bom moço “simples” de Simon (claro que Yasmin le Bon e Claudia Schiffer iam falar bem dele, né?) e o estilo de galã com o pé no chão, de John Taylor. Basta prestar atenção ao cenário onde cada um gravou as entrevistas e a gente percebe as personagens.


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