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Vamos falar um pouco sobre Eps?

Artigo
Data: 2019-03-19 16:09:28
Por: Marcel Z. Dio

Acessos: 189

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Vamos falar um pouco sobre Eps?

Eles foram uma boa alternativa para as bandas divulgarem de forma rápida seus trabalhos, alem da economia financeira. Geralmente antes do debut sob forma de Full Lenght (disco completo) os grupos soltavam seus Eps no mercado, caso clássico de bandas como Queensryche, Helloween e Sepultura.
O formato era o intermédio entre o single e o disco normal, contando geralmente com 4, 5 ou 6 faixas. 
E o conceito de "tiro rápido" perdura até hoje, seja em bandas como o Down de Phil Anselmo, na vasta discografia do guitarrista Buckethead ou até mesmo na era do streaming, haja visto o enorme sucesso de "Esse cara sou eu", EP com a faixa homônima e mais três músicas de Roberto Carlos, com 2 milhões de cópias vendidas até o fim de 2012.

Sem mais delongas, viajaremos um pouco no tempo, citando os Eps mais famosos do rock - em especial na vertente heavy metal.

IRON MAIDEN - THE SOUNDHOUSE TAPES (1978)

No boom da onda punk o Iron Maiden lança o EP mais cultuado de todos os tempos. Entre a urgência punk e o heavy metal, as canções tinham muita energia, só faltava a divulgação e aporte financeiro. Coube então a Soundhouse ser o cartão de visitas para voos mais altos.
Com exceção de "Invasion", mais tarde editado como lado B do single "Women in Uniform", as faixas "Iron Maiden" e "Prowler" seriam aproveitadas no primeiro disco de 1980, obviamente com um polimento sonoro. "Strange World" também fez parte da estreia, porem foi rejeitada no EP por falta de qualidade.
A tiragem de 5000 cópias tornou The Soundhouse Tapes uma peça de colecionador, sendo disputado a preços estratosféricos. O único item no Mercado Livre sai pela "bagatela" de 11 mil reais.

QUEENSRYCHE - QUEENSRYCHE (1983)

Lançado de forma independente em 1983, o som dos americanos já dava mostra do requinte sonoro que ouviríamos num breve futuro. As influências de Iron Maiden e Judas Priest iam até a segunda pagina, pois a banda tinha cara própria. E com os contemporâneos do Fates Warning e Helloween ajudaram a forjar o heavy metal melódico, embora os créditos fiquem em torno do Helloween.
Com o sucesso nas rádios locais, a propaganda caiu na boca da major Emi, e a banda assinou com a gravadora, ganhando de quebra o relançamento do EP.

ANTHRAX - I'M THE MAN (1987)

Convenhamos que o Anthrax está longe de ser unanimidade entre os amantes do thrash. O visual mais descolado, uso de bermudões e o crossover com o outros estilos, desagradou uma grande parcela. 
Imagine um true ouvindo I'm a Man ? só os mais ecléticos escaparam do choque inicial. A verdade é que a medonha canção (com três versões diferentes) misturava o som pesado com o rap. É fato que até o Aerosmith embarcou nessa, mas não de forma tão estupida. 
O cover para "Sabbath Bloody Sabbath" (Black Sabbath) não compromete, embora os arranjos fiquem no porto seguro (sem grandes variações). A voz de Joey Belladonna não ajuda para esse tipo de rock, que requer algo menos festeiro e mais profundo. Não dá pra cantar Black Sabbath como se estivesse em um churrasco com os amigos.
"I Am the Law" e "Caught in a Mosh" do espetacular Among The Living (1986), são apresentadas ao vivo com energia impar, praxe do Anthrax em shows.

LIVING DEATH - WATCH OUT! (1985)

Em 1984, o Living Death lançou seu álbum de estreia Vengeance of Hell , que, apesar da baixa qualidade de produção, vendeu bem em todas as paradas independentes. Living Death então saiu em turnê em apoio ao Warlock e depois disso eles demitiram o baterista Harald Lutze e o substituíram por Andreas Overhoff. Em janeiro de 1985 lançaram o EP Watch-Out! com três músicas remixadas do primeiro LP e da faixa auto-intitulada.
O "bolachão" é bem conhecido por aqui, sempre dando sopa nos sebos da vida ou lojas especializadas. Tenho a minha copia e confesso que a mídia está um bagaço. Os micro sulcos estão espelhados e o som uma verdadeira tortura, como frisado acima a produção ainda é um fiasco. 
Enfim, Watch Out vale a escuta por ser uma banda guerreira, desafiando a cena com seu heavy/ speed/ thrash simples e eficaz. Para quem tem Vengence of Hell na estante, não vale desembolsar uma grana atrás do EP, pois as trilhas estão contidas no debut, e as versões remixadas são pura tapeação, a exceção do torpedo Watch Out !.

SLAYER - HAUNTING THE CHAPEL (1984)

O Slayer pegou a mão contraria de outros grupos, lançando esse mortal EP após o lançamento de Show No Mercy. Isso foi possível graças ao sucesso anterior, o que obrigou o produtor Brian Slagel a pedir as pressas outro disco.
Considerado pela maioria como o melhor Ep de todo o thrash metal, apesar de conter apenas três canções, ou melhor, três tijoladas no pé da orelha !, o registro é uma extensão do primeiro, sem grandes novidades, até pelo curto tempo que eles tiveram para concluí-lo. Tanto que as faixas saíram como bônus em tiragens futuras de Show No Mercy. A reedição incluía a música "Aggressive Perfector", também lançada na coletânea metal massacre vol 3.

METALLICA - THE $5.98 E.P.: GARAGE DAYS RE-REVISITED (1987)

Antes de sofrer "o boicote dos graves" em And Justice For All, Jason Newsted marcou sua estreia nesse ótimo disco de covers.
Com cinco gravações bem interessantes, o Metallica fez o pré aquecimento antes de partir para seu trabalho mais ousado, o referido And Justice For All.
"Helpless" ganhou um pouco mais de "punch" ante a criação do Diamond Head (banda queridinha de Lars Ulrich). É claro que não bate a original, porem vale a checagem.
Em "The Small Hours" do Holoucaust - a faixa ganha outros contornos, perdendo um pouco o clima angustiante, ao tempo em que a melhora na gravação fica evidente, já que a primeira tem uma produção um tanto apagada. Salvo engano, a versão de 1992 pelo próprio Holocaust, recebeu um upgrade na gravação.
"The Wait" do Killing Joke não compromete, enquanto o hardão de "Crash Course in Brain Surgery" (Budgie), foi esticado para o heavy metal.
"Last Caress/Green Hell" (Misfits) me parece uma homenagem ao saudoso baixista Cliff Burton, pelo que sei ele era o único membro que curtia essa banda (me corrijam se estiver errado). Do mais, a canção não apresenta grandes novidades, apesar de eu preferir a do Misfits.
Importante frisar que essas cinco músicas fizeram parte de Garage Inc. (1998). Um álbum de covers mais completo, que saiu numa edição tripla em vinil. Alem disso, a trupe de Lars e cia resgataram aos mais jovens alguns tesouros do rock, como o Budgie e o Diamond Head, bandas que muitos souberam da existência por "culpa" do Metallica.

HELLOWEEN - HELLOWEEN (1985)

Este EP pode ser considerado uma das primeiras obras do power metal. Ainda que o sub gênero seja datado em anos anteriores, creio que esse é o power metal responsável por influenciar uma leva de bandas como : Hammerfall, Sonata Arctica, Angra, Edguy, Kamelot e Blind Guardian. Bom ... independente de ser power metal, metal melódico ou seja o que for, o mesmo apresenta uma qualidade absurda, em canções rápidas, técnicas e melódicas, sem tanto exagero e corais chatos como ouvimos nos medonhos Rhapsody e Dragonforce. A pegada aqui é direta e o som bem construído.

WURZEL - BESS (1987)

Ainda no Motorhead, Michael "Würzel" Burston arrumou tempo para lançar o interessante Bess. Bem conhecido pelos fãs da turma de Lemmy e cia, mas que passou batido pela maioria.
A faixa título transitava por um slow blues de muita qualidade, os desavisados poderiam jurar de pés juntos que era o Gary Moore tocando.
"Midnight in London" volta ao básico, com a pegada mais acessível do hard, enquanto "People Say I'm Crazy" era é um hibrido entre o Saxon dos primórdios e banda de seu patrão.
O prato principal fica com o espetacular instrumental de "ESP". Um hard rock arrasador, a lá Mahogany Rush, com solos matadores e uma quebradeira jazz fusion na batera.

Infelizmente, em 2011 Wurzel viajou fora do combinado e foi tocar guitarra em outra dimensão.

A CHAVE DO SOL - A CHAVE DO SOL (1985)

Lançado pela Baratos Afins e com produção do próprio Luiz Calanca, esse trabalho é quase um filho temporão dos anos 70, e o meu preferido no formato.
Feito sobre as bases de um hard / heavy inspirado e uma qualidade técnica invejável, de músicos do calibre de Rubens Gióia (guitarra) Zé Luis Dinola (bateria) e o genial Luiz Domingues Tigueis no contrabaixo. Pois é, enquanto muitos virtuoses estavam engatinhando no instrumento, Tigueis já comia seu baixo com farofa, despejando notas de extremo bom gosto em contra melodias de cair o queixo. 
Com restrição da confusa "Um Minuto Além", (um rock blues arrastado, que não sabe se vai ou fica ??) as outras canções são estão em alto nível, sobretudo a instrumental Hard /fusion "Crisis Maya" - uma pequena amostra do poderio instrumental da Chave.
Simplesmente Obrigatório !!.

HARPPIA - A FERRO E FOGO (1985)

27 minutos do melhor heavy nacional cantado em português, e o Harppia cravava seu nome na história do rock nacional.
Harpago era só um aperitivo para a entrada da melhor canção de todo o heavy nacional - uma tal de "Salém", cujo o refrão esta fincado no inconsciente de qualquer banger brazuca.

"Alto lá, guerreiros eternos
Que o mestre vos aguarda
Permaneçam pois, fiéis
Que de vós será o inferno"

Alem de Salém, o disco continha pérolas como : "Naufrago" e a faixa título, sem esquecer da interessante instrumental "Incitatus".

PLATINA - PLATINA (1985)

Platina foi o embrião do Dr Sin, com os irmãos Busic apavorando já naquela época.
O começo ...
Por volta de 1981, a dupla junta-se ao guitarrista Daril Parisi com a intenção inicial de formarem uma banda country. Nesta fase Ivan era somente o vocalista, com Andria no baixo e Daril na guitarra. Como não conseguiam arrumar um baterista fixo, por sugestão de Daril, Ivan passou a estudar bateria. A partir daí o vento mudou de direção e sob o nome de Prisma começaram a fazer covers de Kiss, Rush e Metallica. Pouco tempo depois adotaram o nome Platina e conheceram o vocalista Sergio Sêmam, soltando esse belo disco, com um instrumental bem maduro, porem com letras um pouco ingênuas.
Assim como o disco da Chave do Sol, Platina foi lançado pela Baratos Afins, detalhe - em 45 rotações, costume da gravadora.

SEPULTURA - BESTIAL DEVASTATION (1985)

Quinze minutos de porradaria extrema e uma produção pra lá de tosca, foi o primeiro soco na cara desferido pelo Sepultura.
O outro lado era ocupado por ninguém menos que o Overdose, sob o título de Século XX. 
A falta de recursos financeiros e outros empecilhos, era compensada pela garra e raiva sonora. O split serviu para divulgação e preparou o terreno para Morbid Visons de 1986. Se Bestial Devastion não é um primor, pelo menos foi o primeiro passo de uma escalada que alcançaria o topo com os espetaculares Arise (1991) e Chaos AD (1993). E assim o Sepultura ganhava o mundo.
Quem tem esse split, guarda uma verdadeira relíquia !. Não só pelo retrato de uma época, mas como um item que hoje vale uma boa grana !!.

É isso ! quem gostou deixe um like ou compartilhe. Achou a falta de algum Ep famoso? então comente abaixo.
Correções, sugestões e criticas, são bem vindas.
Na próxima matéria falarei sobre SPLIT (álbum dividido por dois ou mais artistas) abraços e até lá !



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