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Woodstock 1969: 3 dias de paz, amor e música - Parte I

Artigo
Data: 2019-04-03 13:14:00
Por: Fábio Arthur

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Woodstock, foi um dos maiores festivais já exibidos ao mundo. O movimento da contracultura americana, um festival permeado por música folk, rock e pop, movimento de arte envolvido acima de tudo em uma cultura hippie. Drogas, pessoas livres e desinibidas, formaram três dias de movimento em que a geração americana de jovens se levantou contra o governo e a Guerra do Vietnã. O evento ocorreu entre os dias 15 e 18 de agosto no interior de Nova Iorque, e foi considerado um dos maiores festivais. Houve outros depois, mas, Woodstock de 1969 recriou e inovou os padrões de uma geração de uma época.

Afortunadamente, as pessoas envolvidas tinham a intenção de lucrar e angariar fundos para negócios futuros e o que houve naqueles dias foi uma manifestação gigantesca de jovens ávidos e ansiosos por cultura, por arte e por música de boa qualidade. O Woodstock continuou sendo referência por anos a fio e nos dias de hoje é tido como um dos maiores acontecimentos da história da música. A livre expressão, o amor e o comportamento de uma juventude agarrado aos seus ideais, deixaram marcas não somente na história da música, as imagens e os artistas estão lá eternizados no documentário de nome: Woodstock. 
O festival continuou ocorrendo no interior de Nova Iorque, mas não no condado de Woodstock e sim em Bethel, Já que os moradores da cidadela de WallKill entraram com uma liminar judicial para impedir que houvesse a realização do mesmo; eles odiavam os chamados hippies. 
John Roberts e Joel Rosenman queriam injetar um capital para gerar ainda mais lucro. Robert tinha uma pequena fortuna pelos lucros de uma indústria farmacêutica e Joel tinha desejo de multiplicar a quantia que ele mesmo havia adquirido e à parcela de Robert também. Determinados a conseguir o feito, inseriram um anúncio tentador em um jornal da cidade mais próxima, o mesmo procurava por jovens com capital ilimitado com vontades para investimentos em negócios. Artie Kornfeld e Mike Lang os contrataram. Explicaram um plano de negócios que teriam que injetar dinheiro  para receber o dobro no futuro, na intenção de construir um estúdio de gravação. O festival seria para arrecadar todo esse dinheiro restante sem sair no prejuízo. Assim, o negócio chegaria a outro patamar e um nível à frente, logo a quantia a ser recuperada vastamente. 
Quando conseguiram sair do papel e começar a colocar em prática toda a movimentação do festival, que seria chamado agora de Woodstock Music & Art Fair,  realizado em Bethel, começaram a enviar os ingressos para venda. Eram vendidos em lojas especializadas de música ou através do correio. As pessoas poderiam comprar ingressos para um, dois ou três dias. Mas, a primeira impressão foi ruim já que a mudança de localização causou certo incômodo e algumas pessoas cancelaram seus pedidos, pedindo seu dinheiro de volta. O festival acabou sendo montado em uma fazenda de 600 acres fornecida por um fazendeiro, um dos moradores antigos e que não se importava com os Hippies em sua cidade usando drogas e muitas vezes caminhando em bandos pelas redondezas. Max Yasgur, foi o generoso fazendeiro dono dos 600 acres em que foi realizado o festival. Após o evento, tempos depois Max foi repreendido por fazendeiros e pessoas locais, mesmo que muito deles chegaram a ajudar os jovens que chegavam festival os hits e não se importavam com o estilo de vida dos jovens americanos, naquele momento acabaram de certa forma por repreender Max e levar o caso à justiça, querendo obrigá-lo a pagar uma certa quantia por danos em propriedades privadas e por tirar a paz de um condado.
Woodstock seria para um público alvo de 50 mil pessoas. Logo depois, com a fazenda ajeitada e local determinado, houve uma mudança drástica tanto para o bem quanto para a desordem: cerca de duzentas mil pessoas começaram a chegar para o evento, ou seja, duzentos mil ingressos foram vendidos inicialmente. Isso era maravilhoso, os investimentos estavam sendo pagos, os artistas contratados seriam pagos e o festival já seria sucesso garantido. Mas não foi o que ocorreu, a via expressa de Nova Iorque sentido interior foi totalmente interditada. Fotos históricas mostram engarrafamentos de horas, chegando a ponto de deixar os próprios jovens do festival parados na estrada sem água, comida e tendo que caminhar de 20 a 30 km a pé, deixando seus veículos para chegar ao local do festival. Mediante a isso e nesse turbilhão, entre começar o festival e estar prestes a receber todos esses jovens, o movimento todo acabou crescendo de 200.000 para 500.000 pessoas até um pouco antes do início do festival. Viviam em bandos, pulavam cervas, não respeitavam o limite dos portões eletrônicos, que eram simples mas funcionais. No entanto, a partir disso, não havia outro meio mediante aquela situação toda daquele enorme lugar lotado de jovens de todos os estilos, bebendo, fumando, dormindo e ao mesmo tempo ansiosos, o festival foi decretado como livre. O prejuízo foi enorme, mas não havia o que fazer. O Woodstock agora era uma feira livre de arte música, em que o salário dos artistas teriam que ser pagos e mesmo assim os donos do festival tinham que segurar a onda, pois não havia mais o que fazer. 
Um dos maiores problemas foi que alguns jovens nessa caminhada entravam pela vizinhança, pediam coisas para comer e beber. Alguns vizinhos eram solidários, outros não, e alguns desses jovens acabavam por surrupiar leite e qualquer outra coisa que estivesse ao alcance na região do festival. Outro empecilho muito grande e que trouxe um desconforto foi a falta de comida durante os dias de festival pois, logicamente, os produtores e promotores não estavam preparados para o número de pessoas que invadiu o local. Assim, acabou saindo do controle inclusive na questão de higiene pessoal, pois os banheiros eram limitados. Mesmo que algumas pessoas trabalhavam na limpeza dos banheiros químicos, fato que inclusive aparece no documentário, a confusão ainda sim era generalizada. Não havia comida e banheiros suficientes, e assim, as pessoas ajudavam uns aos os outros. Jovens se prontificaram a ajudar a fazer comida para servir, trabalhar em barracas ou mesmo doar o que tivesse consigo ao seu vizinho, fosse bebida ou comida. Um tempo depois, quando o festival já estava acontecendo, alguns helicópteros jogaram mantimentos e roupas limpas, mas mesmo assim não foi suficiente. O Woodstock, após um dia chuvoso, se tornou um lamaçal por completo. Os jovens se banhavam nos rios em volta da fazenda e é possível ver nas imagens as pessoas entrando, se depilando, tomando banho, brincando na água e se divertindo. É possível também visualizar as pessoas andando nuas livremente em volta das localidades ou mesmo dentro do festival. Isso não incomodava ninguém dos jovens, pois eles estavam ali curtindo o festival em paz e amor. Em uma das cenas, um casal vai para uma localidade um pouco distante dos palcos e da multidão, tiram a roupa normalmente e começam a conduzir o ato sexual livre e puramente, sem a intenção causar ou mesmo chocar alguém. 
O público, basicamente uma legião que era formada pela contracultura americana, bem diferente da estabelecida na Europa, que foi assassinada por uma gestão. Nos Estados Unidos não era normal o consumo de drogas lisérgicas e também o ideal era o grito de paz contra o Vietnã. Naquele momento, a vestimenta, os cabelos, os comportamentos de muitos jovens que estavam lá chocavam o país. Usar uma camiseta do The Who e/ou Jimi Hendrix, era algo diabólico e imperdoável na visão dos pais; o que hoje nos conforta como comum bonito e aceitável, naquele momento era o ápice de uma juventude perdida e transviada. 
As drogas eram comuns em Woodstock. Vendia-se ácido lisérgico, maconha e até mesmo a cocaína. Algumas pessoas usavam e abusavam da heroína. Obviamente havia um grupo de paramédicos, mas as ocorrências foram inúmeras, inclusive, houve até mesmo partos em Woodstock. Houve mortes acidentais e overdoses. O consumo de droga era alto tanto entre artistas como entre os jovens. A mescalina, uma das mais poderosas, era de certa forma natural naquele momento e muitos se aventuravam para consumir essa droga poderosíssima. Apesar de tudo, Woodstock manteve sua beleza. Foram dias gloriosos da música com nível cultural acima de média. O êxtase musical à flor da pele, em que artistas fenomenais brindaram jovens e o mundo com sua música, com sua arte e com sua cultura incisiva. 

Como dito antes, 500 mil jovens estavam acampados e esperando os primeiros artistas a subir ao palco. Esse primeiro dia seria elaborado com o teor do country music; vários artistas e bandas em sequência deram o primeiro passo e foi uma das noites mais agradáveis do festival, mesmo começando atrasada devido ao fluxo do trânsito na rodovia, o que de certa forma interferiu na chegada dos músicos. Isso fez com que os elaboradores do evento fizessem uma ponte enorme sobre o chão, como um corrimão, em que os artistas chegavam de helicóptero e andavam em uma caminhada longa até chegar ao palco. Woodstock acabou por ser rústico, mantido de uma forma simples, com pouca iluminação, com suas torres, um tablado enorme de madeira construída no pico do monte, onde por visão aérea se tem uma distância em relação ao público. Mesmo assim, acabou sendo maravilhoso e agradável aos olhos e aos ouvidos daqueles jovens de toda uma geração.

Na segunda parte dessa matéria, veremos como foi o primeiro dia de Woodstock. As bandas, os imprevistos, a recepção do público e, acima de tudo, a qualidade dos músicos daquela época, todos fascinantes, dos mais famosos aos que estavam começando, fazendo de Woodstock um festival de grande sucesso já em seu início.



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