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A situação é grave...Os 15 Baixistas mais influentes do rock.

Data: 23/05/2018
Por: Márcio Chagas

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Baixistas são seres diferenciados. Geralmente discretos e nada extravagantes, os baixistas seriam como se fossem os zagueiros no futebol, que juntamente com os goleiros (no caso, os bateristas), seriam os responsáveis pela retaguarda musical de uma banda. O baixo muitas vezes é um instrumento imperceptível, mas pode ter certeza que no momento em que o baixista parar de tocar todo mundo sentirá sua falta. 
	
Mesmo que em sua maioria sejam discretos, alguns músicos conseguiram subverter o conceito de simples baixista, trazendo novos elementos para a linguagem do contrabaixo e muitas vezes se sobressaindo mais que os demais membros de sua banda. Abaixo separei alguns dos melhores e mais influentes baixistas do universo do rock. Para não causar nenhuma injustiça retirei da lista os músicos nacionais, que abordarei em uma futura matéria. Porém, adicionei alguns músicos que, mesmo se sobressaindo em outros estilos musicais influenciaram o universo do rock. Deixei de fora apenas músicos de jazz, pois, se me aprofundasse no estilo a lista com certeza teria o dobro de tamanho.

Importante ressaltar que é impossível fazer uma lista com os melhores, pois seria um tema extremamente subjetivo. Optei por relacionar os mais influentes e tentei coloca-los cronologicamente, ou seja, comecei com os precursores até chegar ao John Myang surgido nos anos 90. Se você acha que eu esqueci algum nome importante (e realmente devo ter esquecido), faça menção nos comentários e que sabe eu não amplio a lista. Boa leitura.

Paul Mccartney – Compositor prolifico e multi-instrumentista, Paul foi quase que obrigado a assumir o baixo após a saída de Stuart Sutcliffe. Tal decisão se mostrou muito acertada, pois Paul conseguiu colocar o instrumento anos luz à frente do que qualquer baixista fazia na época. O Beatle não se contentava somente em tocar notas marcadas, como era comum até então, mas utilizava seu instrumento para "passear" pela música com desenvoltura e elegância de um lorde inglês. Sua nova concepção do instrumento pavimentou o caminho para todos os baixistas que viriam depois. Na ativa até os dias de hoje, é impossível falar de grandes baixistas e não lembrar de Sir Paul Mccartney empunhando seu velho hofner 500/01 em formato de violino. Melhor Performance: The Beatles – Revolver.

John Entwistle – Temos aqui outro baixista "classudo". Entwistle é um profundo conhecedor do seu instrumento e de timbres, um baixista na sua mais ampla concepção da palavra. De temperamento sério e postura reservada, John se mostrava um compositor refinado e irônico quando compunha suas letras, bem diferente de seus parceiros de banda. Considerado o "deus do trovão", o músico conseguia até mesmo ofuscar o tresloucado Keith Moon baterista do grupo. Seus conhecimentos de trompete e piano eram usados em favor de seu instrumento, que sempre se destacava. Sua morte em 1999 deixou uma lacuna irreparável na música. Melhor Performance: The Who – Who´s Next.

Jack Bruce – Bruce foi uma importante figura no mundo do rock e das quatro cordas em geral. Ele foi o primeiro baixista a colocar o instrumento "na cara", quando formou o Cream, um super trio com Ginger Baker e Eric Clapton. Imagine conseguir se sobressair no baixo em um trio desses? Bruce Conseguia! E claro, além de excelente baixista, o músico ainda cantava com desenvoltura, compunha muito bem, e ainda tocava piano e cello. Um verdadeiro precursor do instrumento.  Melhor Performance: Cream – Live Cream. 

Geezer Butler – o responsável pelas quatro cordas do Black Sabbath é mais um nome que não se pode faltar numa lista quando o assunto é baixista. Sempre criativo e técnico, Geezer possui um timbre único em seu instrumento, além da mão direita mais rápida do oeste. É possível assistir a um show do Black Sabbath inteiro olhando somente pra ele, que toca com uma energia e vigor de um garoto de 20 anos. Geezer também pode ser acrescentado na lista dos grandes compositores, já que sempre foi atuante no grupo, principalmente no que tange a criação das letras. Você pega uma canção do Black Sabbath e consegue não só ouvir, mas sentir os graves de Geezer pulsando em seu peito. Um verdadeiro baixista na melhor concepção da palavra. Melhor Performance:  Black Sabbath – Sabbath Bloody sabbath

John Paul Jones – Já fiz uma matéria para esta coluna sobre Jones onde anunciei que o músico era "A âncora  do Led Zeppelin". E é bem isso mesmo!  Jonesy, seu apelido no grupo era um músico e produtor respeitado quando foi recrutado por Jimmy Page para integrar as fileiras de seu então novo grupo. Quando tocavam ao vivo, mesmo quando Page exagerava na bebida ou "em algo mais" a performance do grupo continuava irretocável,  e o motivo era o perfeito entrosamento entre Jones e o baterista John Bonham. Juntos a dupla formou uma das melhores e mais eficientes cozinhas do rock. Melhor performance: Led Zeppelin – IV. 

Chris Squire – O rock progressivo, sempre sinfônico e elegante, colocou em destaque vários tecladistas, guitarristas e até mesmo vocalistas, mas definitivamente não é um estilo que evidencie o baixo. Porem, Chis Squire, líder do Yes, remou contra essa maré sinfônica e colocou seu instrumento em destaque por mais de quatro décadas. Com seu estilo único, Squire tem ao mesmo tempo um som "gordo" e "cortante", que gera uma certa imponência quando empunha seu instrumento, um  Rickenbaker 4001, stéreo com duas saídas, sendo cada uma delas ligadas a um amplificador, um deles com os graves completamente aberto e o outro com os agudos no talo! Tanto esmero com seu instrumento e sua técnica deram a Squire um papel de destaque, mesmo em uma banda onde o vocalista é considerado uma das mais belas vozes mundiais (jon Anderson) e o tecladista um prodígio em seu instrumento (Rick Wackeman). Melhor Performance:  Yes – Fragile

Geddy Lee – A linha que separa o virtuosismo de músico do exibicionismo barato é fina e tênue e poucos conseguem se equilibrar nela. Mas Geddy Lee, o eterno frontman do Rush Faz isso com bastante desenvoltura. Não bastasse sua grande técnica e seu talento para criar as músicas o homem ainda toca teclados, canta e utiliza varias pedaleiras de sons, tudo ao vivo! Eu sei, parece loucura, mas ele consegue. E mais do que esse talento todo o que se sobressai em Geddy é o bom senso na hora de empunhar seu instrumento, algo que falta a mais da metade dos músicos mundiais. Melhor Performance: Rush – Moving Pictures.

John Deacon – Sempre recluso e tímido, o baixista John Deacon era o membro menos notado no Queen. Além de seu jeito calado, o baixista também era o único integrante a não fazer os vocais principais no grupo. Mas engana quem pensa que o músico era renegado a segundo plano. Deacon tinha um gosto musical diverso dos demais integrantes, além de rock, gostava também de soul music e tinha grande admiração pelo Yes. Vem dali o som “gordo” e encorpado de seu contrabaixo. Perfeccionista, tocava linhas limpas e envolventes, seu som possuia um brilho e nitidez incomparáveis. Quem nunca dançou ao som de “Another One Bites the Dust” que atire a primeira pedra. Além de exímio em seu instrumento, Deacon tocava violão, teclados e sintetizadores com igual desenvoltura, e era tido pelos outros integrantes como o cérebro da banda, devido ao seu talento para as finanças, sempre a frente dos negócios do grupo. Apesar de viver recluso, John Deacon é uma influencia enorme para todos que se aventuram no universo dos graves. Melhor Performance: Queen – Night of The Opera.

Bootsy Collins – Aqui está um baixista que desperta a admiração de todos que apreciam o instrumento. Considerado o rei do funk, Boostsy fez fama com suas linhas cheias de groove, seu funkeado pungente e seu visual pra lá de extravagante.  Além de uma carreira solo desconhecida, mas muito bem elaborada, o músico já colocou seu instrumento em forma de estrela (isso mesmo,  um baixo em forma de estrela!) a serviço de James Brown, Isaac Hayes e sua banda principal o Parliamente funkadelic. O groove do instrumento se divide em duas fases: antes e depois de Bootsy Collins! Melhor Performance: Parliament Funkadelic –  Mothership Connection.

Steve Harris – O Líder do Iron Maiden possui uma presença de palco e um estilo ímpar de tocar, tendo influenciado uma geração inteira de baixistas desde o surgimento de sua banda nos anos 80. Na verdade, podemos dizer que Harris foi o baixista mais influente no heavy metal desde a criação do seu estilo. E claro, pesa o fato do músico ser também um compositor profícuo e competente. Com certeza, uma presença marcante em qualquer lista. Melhor Performance:  Iron Maiden – Powerslave

Cliff Burton – Quando Lars Urich e James Hetfield viram aquele baixista tocando ensandecido com notas rápidas e uma postura de palco alucinante não tiveram dúvidas que ele era o homem certo para o Metallica. A certeza foi tanta que a dupla não pensou duas vezes em se mudar para San Francisco, exigência do próprio músico para fazer parte da banda. Carismático, técnico e sobretudo um excelente compositor, Cliff teve sua trajetória interrompida por uma morte precoce, ocorrida por um acidente com o tour bus da banda. Melhor Performance: Metallica – Master Of Puppets

Billy Sheehan – Um dos mais técnicos e versáteis baixistas que eu já tive o prazer de conhecer. Billy toca fusion, jazz, hard rock, pop, heavy metal, com a mesma desenvoltura e o mesmo esmero. Ele tem um imenso prazer em simplesmente tocar seja qual estilo for. E essa pluralidade de estilos fez muito bem a técnica do baixista, que consegue misturar acordes pesados com  grooves cheios de balanço, aliados a técnicas de slap, tapping e  Feedback. Entendeu? Não! Nem eu, mas o fato é que é uma experiência musical maravilhosa ver/escutar Sheehan empunhado seu instrumento com toda sua pompa e onipotência. Afinal, que outro baixista conseguiria acompanhar Steve Vai mano a mano? Melhor Performance: Niacin – Time Crunch.

Les Claypool – Les pode não ser um baixista conhecido do grande público, mas sua técnica no instrumento é imensurável. O músico é fortemente influenciado por Geddy Lee (Rush), mas conseguiu subverter completamente o estilo de seu mestre, incorporando em sua técnica fraseados exóticos e sincopados, inclusive usando alavanca de distorção no baixo, um componente exclusivo das guitarras. Les é sem dúvida o baixista mais original que apareceu no rock nos últimos vinte anos! Melhor Performance:  Primus –   Frizzle Fry

Flea – o baixista do Red hot Chili peppers é bastante conhecido pela mistura de rock, funk e soul, que misturados fazem seu estilo inigualável. Mas poucos sabem que o músico começou influenciado pelo jazz, principalmente por seus conhecimentos no trompete. Mais tarde, Flea acompanharia de perto a cena punk de Los Angeles e dali extraiu todo o vigor com que toca seu instrumento. Mas foi só quando o baixista conheceu o som de Bootsy Collins (Baixista do Parliament funkadelic) que o músico realmente lapidou seu estilo, incorporando em sua técnica o slap e o groove que vinham do funk e do soul. Flea sem dúvida alguma trouxe novos elementos ao vocabulário do baixo no rock mundial. Melhor Performance: Red Hot Chili Peppers – Blood, sugar, Sex,  Magik

John Myung – Conhecido tanto por seu estilo calado e reservadíssimo, quanto por sua técnica harmonicamente rica e intrincada, John Myung é um dos poucos baixistas que conseguem extrair todos os recursos harmônico-musicais do baixo de seis cordas. De acordo com o próprio músico, ele descobriu o baixo por necessidade, uma vez que era o único instrumento que faltava no grupo em que pretendia atuar. Nada mal pra um baixista eminentemente técnico não é? Além de ser mais um baixista que elevou o instrumento a uma nova categoria, Myung  se revela um compositor denso e sombrio quando o assunto é criar letras, como pode ser visto em "Trial of Tears" e "Breaking All Illusions".  Uma frase do Derek Sherinian resume bem a personalidade do enigmático musico: "John é o único músico que eu conheço que continua tocando depois do show apenas para desaquecer" Melhor Performance:  Dream Theater – Awake.



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