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Guitarra rítmica: A base do rock!

Artigo
Data: 2019-03-02 00:13:21
Por: Márcio Chagas

Acessos: 414

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“Eu me esforço bastante para ser um guitarrista rítmico. Cresci pensando que quanto mais notas eu tocasse em um solo, melhor ele soaria. Acho que, ao longo dos anos, adquiri um melhor senso de melodia e maior impacto emocional na maneira como solo. Porém, se você for um guitarrista rítmico sólido e forte, servirá muito mais à canção e, no final das contas, isso é o que importa.” Alex Lifeson, guitarrista do Rush.

Quem gosta de música, principalmente o pessoal mais jovem, sempre se rende primeiro a guitarra. É realmente fantástico ver nomes como Jimmy Page, Slash ou mesmo Eric Clapton detonando seu instrumento em belíssimos solos.
Mas a verdade é que, embora os solos cativem o ouvinte a ponto de despertar em alguns deles o desejo de se iniciarem no instrumento, é na base que se encontra a alma da música.  Alguns guitarristas não são necessariamente bons solistas, mas conseguem manter uma base forte através de riffs  grandiosos e criativos, suprindo muitas vezes sua deficiência técnica. 

Mais do que isso, muitos guitarristas se especializaram na guitarra base ou rítmica, deixando  obrigação de solar para um colega de banda. Abaixo selecionei seis dos melhores guitarristas conhecidos por suas bases fortes e pungentes.

1-	Malcom Young, AC/DC: Quando o assunto é guitarra base, o nome  Malcom Young, o guitarrista do grupo australiano AC/DC indiscutivelmente  vem à tona.  Embora a figura central da banda seja o seu irmão, o também guitarrista Angus Young,  sempre endiabrado com seu uniforme de colegial,  é Malcom, com sua base poderosa, e seus riffs certeiros, o responsável pelo andamento sempre correto do grupo nos shows, dando espaço pra Angus se soltar e solar a vontade.  Era sempre divertido vê-lo no fundo palco, com o pé no praticável da bateria, sentindo o groove de Phil Rudd e comandando o instrumental do grupo. Infelizmente Malcom foi diagnosticado em estágio avançado de demência  e  afastado das atividades do grupo, vindo a falecer pouco tempo depois. É notório que após sua saída o som od grupo nunca mais foi o mesmo.

2-	Andy Fairweather Low: Com uma extensa carreira que começou ainda nos anos 70, Andy sempre preferiu as bases aos solos, e vem fazendo seu trabalho com muita perfeição. No inicio dos anos 80, o músico ficou conhecido por ser o guitarrista base da banda de Pete Townshend (The Who). No meio da mesma década, Andy passou a integrar a banda de Eric Clapton e nela permanece até os dias de hoje. Sempre ativo, o guitarrista participa de diversos outros projetos e gravações de CD´s. De suas várias gravações como músico contratado, vale ouvir suas bases no disco homônimo de Joe Satriani gravado em 1995.  O produtor Gly Johns, insatisfeito com as bases criadas por Satriani, que segundo ele, só sabia solar,  contratou Andy como guitarrista apenas pra cuidar da parte rítmica. O resultado é surpreendente. Ultimamente, o músico vem sendo conhecido por integrar a banda solo do ex Pink Floyd Roger Waters. Seu único solo na música “Money”, desconstruindo as bases é fenomenal! Pra encerrar, um frase dita pelo músico nos anos 70 resume bem sua performance no instrumento: “Enquanto a maioria dos guitarristas se espantavam com os solos de Jimi Hendrix, eu fica mais interessado em como ele unia os acordes”.

3-	James Hetfield, Metallica:  Guitarra base no heavy metal é sinônimo deste americano nascido na ensolarada Califórnia. A combinação de palhetadas precisas, riffs poderosos e timbres únicos, fez todo o diferencial na carreira do músico, que por várias vezes foi eleito o melhor guitarrista base do mundo. Mesmo nos dias de hoje, apesar de ter influenciado toda uma geração, ninguém consegue tocar como ele ou mesmo criar  bases parecidas. O músico já declarou diversas vezes que pensa na guitarra de maneira percussiva, como se estivesse tocando bateria
Quando se assiste o Metallica ao vivo não se tem dúvidas que Hetifield é a força motriz que impulsiona o grupo. Além de manter o ritmo no lugar certo, Hetfield é um front man nato e em todas as apresentações consegue deixar a plateia a seus pés. 

4-	Rudolf Schenker, Scorpions: No terreno do hard rock, os alemães do Scorpions reinam soberanos desde o inicio dos anos 80. E, mais do que um simples guitarrista base, Rudolf Schenker, com seu famoso bigodinho e sua indefectível Gibson flying V, é a cara do grupo, aquele músico que todos reconhecem rapidamente ligando-o a sua banda. Tal reconhecimento se deve ao fato do músico permanecer nas fileiras do grupo desde o seu inicio ao lado do vocalista Klaus Meine. Nos anos 60 e 70, quando a banda ainda indecisa, transitava entre o hard e o psicodélico, Rudolf já tomava as rédeas do instrumental, chamando pra si a responsabilidade de criar e tocar os riffs e bases das canções. 
Nestes mais de 40 anos comandando as seis cordas, o músico dividiu o palco com vários outros guitarristas solo, incluindo o seu irmão Michael. Mesmo com vários parceiros o músico nunca se intimidou ou mesmo alterou seu estilo por conta deles, ao contrário, os músicos que chegam ao grupo que se adequaram a sua sonoridade. Klaus Meine, vocalista do grupo disse certa vez: “Quando alguém se perde no palco, sempre procura pela guitarra de Rudolf para retornar a canção...”

5-	Izzy Stradlin, Guns n´Roses: Embora alguns acreditem que Izzy tenha sido um mero coadjuvante de Slash nos áureos tempos do Guns n´Roses,  o guitarrista foi muito mais que isso. Além de um excelente músico, Stradlin também é um prolifico compositor, tendo escrito ou co-escrito os maiores sucessos do grupo. A balada “Patience”, foi totalmente escrita por ele, além de ter ajudado na composição do mega hit “Sweet Child O´ Mine”. Seu talento como compositor é tão latente que o músico já lançou mais de dez álbuns solo desde que deixou o grupo. Sempre discreto e tranquilo Stradlin  toca atento ao que se passa a sua volta, sempre procurando passar segurança e deixando seus colegas de grupo mais tranquilos e soltos como o baixista Duff. Mckagan. Sua guitarra conseguia soar limpa e cristalina mesmo em meio as distorções tresloucadas de Slash, seu colega de grupo.

6-	Scott Ian, Anthrax: Se você gosta de thrash e não é tão fã do grupo Anthrax, pode nem se lembrar quem é o solista da banda, mas certamente se lembrará de Scott Ian, o baixinho careca e barbichudo que lidera o grupo ao lado do baterista Charlie Benante.
O estilo de Ian é bem agressivo, criando paredes de riffs que visam preencher as lacunas deixadas pelos demais instrumentos. De palhetada firme e segura, o estilo do músico se difere do citado Hetfield, principalmente por não utilizar o instrumento de maneira percussiva, se atendo principalmente aos riffs e tocando “em cima” do bumbo de Benante. 

Obviamente a história da guitarra base não se resume apenas a estes seis baluartes, principalmente se levarmos em conta que muitos guitarristas não limitaram seu estilo apenas as bases do instrumento, mas desenvolveram técnicas seminais para a sua evolução como Tony Iommy, Brian May e Keith Richards  apenas para citarmos três nomes.

Apesar do lado lúdico do rock estar sempre ligado a imagem do guitarrista solando no palco de olhos fechados, são as bases que sustentam a usina sonora dos maiores ícones do estilo.



Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor

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