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Lords of Chaos: O Filme, verdades... e mentiras

Artigo
Data: 2019-02-27 13:08:48
Por: Tarcisio Lucas

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Caso você esteja lendo essa matéria e não faça a menor ideia do que seja “Lords of Chaos”, eis aqui um breve resumo:
Trata-se de um filme europeu dirigido por Jonas Akerlund – um dos membros fundadores da banda de black metal Bathory – lançado no início do ano passado (2018), e que conta a história do surgimento da cena black metal na Noruega do início dos anos 90. Mais especificamente, o filme retrata a história e acontecimentos em torno da banda Mayhem, que entre suicídios, assassinatos e destruição de igrejas, culminou no assassinato de Euronymous, o principal nome da cena até então, por Varg Vikernes, em um dos episódios mais absurdos, incompreensíveis e lamentáveis da história do rock.
Antes de comentar o filme, 2 coisas precisam ser ditas aqui.
Primeiro: Ainda que a história seja amplamente conhecida e divulgada, essa matéria contém spoilers. Se isso te incomoda de alguma forma, recomendo que assista ao filme primeiro, ou que consulte a história da banda em algum site,  e venha conferir a matéria só depois.

Eis aqui o trailer:

Segundo: Essa matéria se propõe a fazer uma análise do filme, e APENAS DO FILME! Analiso “Lords of Chaos” do ponto de vista artístico, roteiro, direção de arte, atuações...não é o meu objetivo aqui enaltecer de forma alguma os fatos em si de tudo que aconteceu, e que na minha opinião foram extremamente absurdos, criminosos e que NUNCA deveriam ter acontecido. Assim esclarecido, vamos ao ponto! O Enredo (sem muitos spoilers) O enredo gira em torno de um grupo de jovens músicos querendo desenvolver o que viria a ser conhecido como “a cena black metal da Noruega”. No entanto, o que começou como um movimento musical – ainda que se apoiando em filosofias ligeiramente satanistas e até mesmo nacionalistas por parte de seus integrantes – ganha ares sombrios com o suicídio de Dead, primeiro vocalista do Mayhem, e a partir daí o que temos é uma espiral de violência e insanidade perpetuada pelo que era conhecido como o “black circle” (ou inner circle). Os eventos perpetuados pelos membros desse tal “black circle” – um grupo de jovens liderados por Euronymous e que se reuniam no porão da loja de discos que o musico possuía - ganharam proporções nacionais, com muitas igrejas sendo queimadas em nome dessa suposta filosofia que seus membros pregavam. O Filme Deixo de lado a parte histórica – que pode ser lida em milhares de sites espalhados pela internet – e farei aqui uma análise do filme em si. Primeiramente, se você quer fidelidade ao que você sabe sobre a cena, esqueça. Desde seu início, o filme deixa claro que não tem a pretensão de ser um documentário. Trata-se de um filme muito bem produzido, com certeza. O diretor Akerlund soube explorar o material que o roteiro oferecia de forma a criar algo interessante e artístico. A película explora muito bem as paisagens da Noruega, e o filme tem momentos de grande beleza cinematográfica. O elenco , ainda que não tenha nenhum destaque, não compromete e cumpre de forma satisfatória aquilo a que se propõem. Na verdade, a julgar pelos relatos dos reais envolvidos, me parece que todos os atores representaram personagens muito mais carismáticos que os respectivos representados! A trilha sonora, nem precisamos dizer, é fantástica! Praticamente todas as bandas seminais do Black Metal aparecem em algum momento, e para nossa felicidade, até mesmo a banda nacional SARCÓFAGO tem suas músicas “INRI” e “Satanic lust” dentro da trilha sonora. A mesma não fica restrita ao black metal, uma vez que temos Dio e Accept entre as faixas. Até o Dead Can Dance dá as caras em um certo momento. O filme possui quase 2 horas de duração, relativamente longo. No entanto, o roteiro sabe deixar fluido e interessante na maior parte do tempo. Digo na maior parte do tempo pois algumas cenas são desnecessárias, dentro do meu critério. Por exemplo, as cenas do suicídio de Dead são mostradas em detalhes, bem como o assassinato no parque e a luta final entre Varg e Euronymous, todas longas, e cheias de detalhes. Mas entendo que um filme sobre esses eventos que não tivesse sua dose excessiva de violência não seria um filme que se pudesse levar a sério. Verdades e Mentiras Como dito, o filme, por mais que retrate eventos reais, não teve preocupação nenhuma em ser uma obra documental. Tanto que o próprio diretor divulgou em nota que nenhum dos envolvidos – os que sobreviveram, logicamente – foram consultados, e uma pesquisa rápida na Wikipedia mostrará que o roteiro se baseia apenas nas informações que tangem a superfície dos eventos, sem se aprofundar muito ou tentar separar o que de fato aconteceu do que de nunca se passou. Mas o filme não pode ser acusado de sensacionalista! Logo nos créditos iniciais lemos as palavras “verdades...mentiras”. Verdade é que temos aqui um filme decente, enquanto obra fechada, e que funciona mesmo para aqueles que não curtem o som ou as bandas envolvidas. Conclusão e uma breve opinião pessoal O filme deixa claro que nunca saberemos de fato tudo que se passou naquele início de década na Noruega. Foram eventos tão absurdos, tão fora da normalidade, que acredito que nem mesmo os mais exigentes documentaristas conseguirão algum dia traçar um panorama concreto de tudo que houve. Pessoalmente, gostei do filme enquanto arte. Com relação a história em si, sempre vou me questionar como isso pôde acontecer, ainda mais em uma sociedade desenvolvida e economicamente próspera como a norueguesa, em linhas gerais. A filosofia por trás dos atos perpetuados era no mínimo inconsistentes. Os envolvidos, em sua maioria, eram indivíduos desajustados, alguns com sérios transtornos psicológicos. Ao mesmo tempo, musicalmente eram pessoas muito talentosas, que criaram uma das mais mundialmente amadas (e odiada) vertente do metal. O grande episódio que o filme relata, o assassinato de Euronymous por Varg Vikernes foi um crime que chocou a sociedade norueguesa e o mundo. Os motivos que levaram ao crime foram torpes, superficiais, e nenhum argumento poderia atenuar a gravidade do fato. Enfim, o filme não é para todos. Algumas cenas podem causar muito desconforto no espectador, então recomendo moderação. Definitivamente, é um filme para maiores de idade!



Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor

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