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Bill Bruford e Neil Peart: Quando chega a hora de parar!

Artigo
Data: 2018-12-28 15:24:47
Por: Márcio Chagas

Acessos: 623

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Bill Bruford e Neil peart, podem ser considerados dois dos maiores instrumentistas de seu tempo. Cada um ao seu jeito conseguiu trazer novos elementos rítmicos ao rock. 

Bruford fez parte da formação clássica do Yes, gravando álbuns antológicos como “fragile” e “Close To The Edge”, para em seguida integrar as fileiras do king Crimson na fase que muitos consideram a mais promissora do grupo, com o lançamento de discos do porte de “Red” e “USA”. Entre idas e vindas no rei escarlate, o baterista excursionou com o Genesis, integrou o supergrupo UK ao lado de Alan Holdsworth e Eddie Jobson e gravou vários excelentes discos de jazz rock com sua banda solo que levava apenas o seu sobrenome. No caso do Yes, o músico só retornou brevemente em duas ocasiões: no projeto Anderson, Bruford, Wackeman & Howe em 1989 e para o lançamento do CD “Union” em 1991.

Durante toda a década de 90 e 2000, Bruford montou seu combo  denominado Earthworks, um grupo sem guitarras e com ênfase no jazz tradicional. O músico foi alternando seu grupo solo com performances ao lado do King Crimson durante todo o período, permanecendo sempre em evidência.

A trajetória de Neil Peart é bem mais tranquila e linear. Apontado várias vezes por diversas revistas especializadas como o melhor do mundo, Peart é citado como maior influência por todos os grandes bateristas de rock. Ainda mais tímido e arredio que Bruford, o canadense passou praticamente toda sua carreira gravando e compondo com o Rush, com exceção de dois volumes dedicados ao baterista Buddy Rich que produziu e tocou ao lado de outros grandes nomes do instrumento em 94 e 97.  

Mas além de ambos serem tímidos, discretos e irrepreensivelmente técnicos e criativos , o que mais eles possuem em comum para figurar nesta matéria? Eu respondo: ambos se encontram absolutamente aposentados!

Bruford deixou de tocar bateria em 2009  faz quase uma década que não se apresenta mais. Peart pendurou as chuteiras em 2015 se dizendo aposentado. Eu achei que com o encerramento das atividades do grupo o baterista poderia se dedicar a um projeto mais voltado pra o instrumental e exibir sua grande técnica, mas as declarações dadas por Geddy Lee, seu parceiro de banda informam que Neil não pratica mais o instrumento, se considerando aposentado da música. 
 
A justificativa de encerramento da carreira de Peart segundo Lee são as dores excruciantes que o baterista sofre nos ombros durante sua performance, lhe tirando o prazer de tocar. Realmente tal enfermidade é mais do que o suficiente para que o músico desista de passar aproximadamente 3 horas atrás de seu imenso kit, principalmente se levarmos em conta que Peart está com 66 anos.

No caso de Bruford, não há uma justificativa plausível por parte do baterista. Ele apenas decidiu encerrar sua carreira em 2009 e se concentrar em sua biografia e alguns livros didáticos. Como o músico deu poucas entrevistas na época, sendo a maioria na mídia especializada em seu instrumento, muitos fãs sequer se deram conta que Bill não está mais na ativa.

Porém, os fãs de Bruford e Peart que ficaram cientes do episódio lamentaram pelo fato dos músicos não se apresentarem mais. No caso do primeiro, a sua falta foi sentida com a volta do king Crimson aos palcos nos dois últimos anos. Muitos fãs desejavam ver o músico comandando as baquetas ao lado de Pat Mastelotto conforme ocorria nos anos 2000. 

Em se tratando de Peart, a enorme comunidade de fãs do rush ainda se recusa a acreditar que o grupo encerrou as atividades e mantêm viva a chama da esperança para uma possível volta.

Ambos os músicos, apesar de  retraídos, possuem personalidade forte, e dificilmente voltariam atrás em sua decisão. Mas, se por uma acaso voltassem à ativa valeria a pena? Difícil responder a algo que não aconteceu. Porém, assisti há algum tempo um DVD do Gary Moore em que homenageava a musica de Jimi Hendrix denominado ‘Blues for Jimi”. No DVD em questão, o guitarrista convidou o baterista Mitch Michell do Jimi Hendrix Experience para executar alguns canções ao seu lado no palco. 

O resultado é triste. Ver um senhor cansado e combalido tentando executar na bateria temas que outrora tocava com a maior facilidade é decepcionante. É notório no DVD que o Mitchell sentado atrás da bateria era apenas uma sombra daquele homem altivo que conseguia acompanhar Hendrix  com segurança e destreza. Achei desnecessário expor o músico daquela maneira, manchando seu legado irretocável ate então.

No caso de Bruford e Peart, além de serem dois instrumentistas altamente criativos, os dois também são considerados com inteligência e senso acima da média. Se levarmos tal fato em consideração, não é difícil imaginar que ambos fizeram uma profunda reflexão e decidiram encerrar suas carreiras no auge, antes de se tornarem uma mera caricatura do que realmente foram. 

Uma decisão inteligente, que não cabe a nós fãs questionarmos. Precisamos respeitar a decisão e levarmos em conta que, não só os citados, mas uma infinidade de bateristas estão gravando e excursionando há mais de 5 décadas, muito mais tempo que alguns fãs têm de vida.

Li certa vez a seguinte frase: “Melhor do que começar é saber a hora de parar.” Apesar de certa tristeza em não ver mais Bill atrás dos tambores ou Neil comandando seu imenso kit com o Rush, fica o consolo do legado deixado por suas respectivas bandas e a contribuição de cada um para a evolução do instrumento seja no rock, seja no fusion.



Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor

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