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Músicos de apoio: a verdadeira força motriz da música!

Data: 24/11/2018
Por: Márcio Chagas

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Muitos podem estranhar essa situação, mas no meio musical ela é mais comum do que muitos imaginam. Bandas e grupos na verdade depois que fazem um determinado sucesso, se tornam verdadeiras instituições financeiras, como se fossem uma empresa, e quando um membro deixa essa instituição, é muito mais vantajoso economicamente contratar um músico para que o mesmo receba um salário fixo, do que agregar uma nova pessoa a esta empresa. Os próprios Rolling Stones são um bom exemplo do que foi dito acima.
Bobby Keys, saxofonista americano que acompanhou os Rolling Stones por mais de 40 anos até sua morte em 2014. Difícil imaginar músicas como “Brown Suggar”, ou a psicodélica “I can´t hear knocking” sem o seu toque pessoal e seu sax eminentemente rockeiro.  Bobby apesar de ter sido o melhor amigo de Keith Richards, guitarrista da banda e acompanhasse Mick Jagger e sua trupe por mais de 40 anos, nunca fez efetivamente parte da banda. Atuando sempre como músico contratado.

Na década de 90, o baixista original do grupo Bill Wyman resolve deixar o grupo alegando precisar de mais tempo com sua família. Para o seu lugar a banda trouxe o excelente Darryl Jones, famoso por seu trabalho ao lado de nomes como Sting e Miles Davis. Mas o baixista nunca se tornou membro efetivo, realizando shows e gravando discos sob o status de músico contratado. Os Rolling Stones seguiram sempre como um quarteto, ou seja: o vocalista Mick Jagger, o baterista Charlie watts e os guitarristas Keith Richards e Ronnie Wood. Além de Jones e Keys, os Stones contam com vário outros músicos de apoio no palco, com destaque para o tecladista e produtor musical Chuck Leavell.
Uma das maiores instituições do chamado rock progressivo, os ingleses do Pink Floyd sempre tiveram músicos contratados atuando aos lados dos membros originais desde a turnê do disco “The Wall” de 1979. Essa situação ficou mais evidente após a briga com o baixista original Roger Waters no meio de década de 80. Os membros remanescentes David Gilmour (guitarra), Rick Wright (teclados) e Nick Manson (Bateria) contrataram um verdadeiro exército para acompanhá-los nas apresentações ao vivo. Além do baixista Guy Pratt que substituía Waters, no palco podiam Ser vistos vários outros músicos como três vocalistas de apoio, um saxofonista, um percussionista, um guitarrista base e ainda um tecladista de apoio para cobrir as várias camas de teclados idealizadas pelo grupo, somando um total de oito músicos contratados amparando o grupo.
Muitas vezes os músicos participam das fotos promocionais, como se realmente fizessem parte do grupo em que atuam somente trabalhando. Esse é o caso do Kiss. O linguarudo baixista Gene Simmons e seu companheiro Paul Stanley são os verdadeiros donos da marca desde a metade da década de 80. De lá pra cá o grupo sempre teve bateristas e guitarristas convidados. Atualmente Tommy Thayer e Eric Singer, respectivamente guitarrista e baterista  completam o time. Eles inclusive usam a maquiagem tradicional dos antigos membros do grupo. Também dão entrevistas, posam para fotos e têm seu momento de destaque no show, mas não passam de músicos atuando sob o regime de um contrato, sem qualquer poder de decisão dentro da banda.
As vezes o músicode apoio nem mesmo aparece no palco. Um bom exemplo é o Black Sabbath que sempre foi um grupo de rock pesado com pouco uso de teclados. Em estúdio o guitarrista Tony Iommy e o baixista Geezer Butler sempre fizeram às vezes do tecladista. Ocasionalmente  apareciam alguns tecladistas em participação especial, como aconteceu com Rick Wackeman no multiplatinado “Sabbath Bloddy Sabbath”. Ao vivo porém, o grupo contava com o apoio de um “tecladista fantasma” ou seja, um músico que ficava atrás das cortinas para tocar as (poucas) linhas de teclado e piano que estavam inseridas em algumas canções do grupo. Quem mais permaneceu no posto foi Geoff Nicholls, que por quase 20 anos assumiu as teclas dos pais do heavy metal.

Várias outras bandas de rock pesado copiaram o Black Sabbath neste sentido, adicionando ao vivo um tecladista convidado para tocar seu instrumento escondido atrás do palco. Em 1988 o Iron Maiden lançou “Seventh Son of a Seventh Son” primeiro álbum do grupo a incluir realmente teclados e sintetizadores. Como o grupo não possui um tecladista,  Michel Kenney, técnico de baixo do grupo, ficou responsável por tocar o instrumento ao vivo, estando até hoje, mais de 20 anos depois na mesma função.
O Queen sempre foi muito mais que uma banda performática.  Todos os quatro membros do grupo são excelentes músicos e sabiam exatamente o que extrair do estúdio. Embora no palco um piano de cauda ficasse a disposição de Freddie Mercury para ser usado durante as baladas, quem realmente ajudava o grupo nas guitarras e teclados adicionais era Spike Edney, renomado pianista britânico.
No hard rock, quem  está amparado por vários músicos contratados são os americanos do Bon Jovi. No final dos anos 90 o baixista Alec John Such deixou o grupo por diferenças pessoais com o líder e cantor, sendo substituído pelo excelente Hugh Mcdonald, conhecido na seara pop. No inicio desta década foi a vez de Richie Sambora deixar a banda e o vocalista imediatamente contratou o guitarrista Canadense Phil X, relativamente conhecido por sua passagem meteórica no Triumph.  O núcleo  do Bon Jovi gira em torno de apenas três membros originais: o vocalista que dá nome ao grupo, o tecladista David Bryan e o baterista Tico Torres. Rumores indicam que após quase vinte anos de serviços prestados o baixista Mcdonald tenha sido efetivado como membro do grupo, mas tenho minhas dúvidas se há paridade nos lucros astronômicos arrecadados pela banda;

Na esfera musical em todos os estilos vamos encontrar grandes músicos, sejam eles tecladistas, baixistas ou bateristas tocando como se pertencessem ao grupo, mas na verdade não passam de mais um trabalhador contratado e assalariado, sem qualquer direito as cifras milionárias arrecadadas pela banda em questão. Muitas vezes esses músicos desconhecidos são os verdadeiros responsáveis pelo bom andamento do show



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