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As Grandes Cozinhas do Rock: Unidade entre baixistas e bateristas

Data: 25/08/2018
Por: Márcio Chagas

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A guitarra é o ícone máximo do rock. O guitarrista é um ser admirado e privilegiado, afinal sem ela, seria impossível a criação deste maravilhoso estilo fragmentado em tantas subdivisões. Alguns poucos vocalistas conseguiram roubar a atenção pra si e desviá – la deste maravilhoso instrumento, como Bruce Dickinson, Ozzy Osborne, Ian Gillan, Freddie Mercury, Peter Gabriel, só para citar alguns. Outros, como James Hetfield, uniu o útil ao agradável e se tornou guitarrista e vocalista. 

Mas muitas pessoas se esquecem que, sem uma boa cozinha, um bom entrosamento entre baixo e bateria, é impossível que qualquer guitarrista ou vocalista brilhe lá na frente. Ao que parece, nos primórdios do rock, as bandas não davam uma importância muito grande a cozinha, já que era difícil na época, achar um bom entrosamento entre baixistas e bateristas, que se resumiam em repetidas notas de baixo e umas poucas levadas de bateria.  Foi só no fim dos anos 60 que três grandes cozinhas que fizeram as pessoas acordarem para a importância de uma dupla bem formada. Com Cream, Jack Bruce e Ginger Baker, mostraram que juntos, podiam eclipsar até mesmo o pretenso “deus” Eric Clapton, que muito puto resolveu debandar acabando precocemente com a alegria e os altos vôos do trio. A segunda dupla foi John Entwisttle e Keith Moon, o compenetrado Entwistle encontrava o contraponto perfeito no amalucado Moon, e os dois juntos faziam a terra tremer, além de segurar as bases para que Roger Daltrey e Pete Townshed pudessem  levar a frente a massa sonora do The Who. A terceira e última, mas não menos importante, transitou por três grupos e continua na ativa até os dias de hoje. Falo de Tim Bogert e Carmine Appice, que começaram juntos no Vanilla Fudge no meio da década de 60. Com o fim do grupo, os dois resolveram criar o Cactus e continuaram na estrada, lançando CD´s, fazendo shows e compartilhando de uma interação impossível de ser descritas em palavras. Com o fim do Cactus e mais uma vez disponíveis, a dupla embarcou ao lado do guitarrista jeff Beck naquele que seria a meu ver, um dos três maiores power trios da historia da música: o Beck Bogert e Appice. Uma pena que a empreitada só rendeu um disco de estúdio e um ao vivo. Tocando juntos até os dias de hoje, em reformulações do Cactus ou do Vanilla, Bogert e Appice influenciaram uma geração inteira que viria a seguir, redefinindo os conceitos de baixo e bateria no rock. 

Nos anos 70, a dupla que pôs fogo no rock foi John Paul Jones e John Bohan que fizeram o Led Zeppelin decolar por mais de dez anos. Se Robert Plant dava seus gritos tresloucados e Jimmy Page Tocava guitarra abusando de efeitos lá na frente na maior tranqüilidade, é porque sabiam que lá “atrás” estavam os Jones e Bohan, mantendo o Zeppelin em seu curso. Mesmo quando pilotava os teclados, Jones ainda mantinha um elo quase palpável com o baterista, uma dupla infernal. O Deep Purple foi outro que conseguiu em Ian Paice e Roger Glover a simbiose perfeita pra uma cozinha de respeito. Paice sempre desceu bem o braço nos tambores e Roger, sempre se manteve comedido na sua arte de tocar baixo, e não poderia ser de outra forma, pois uma banda como o Purple, com guitarras e teclados solando boa parte do tempo, poderia soar embolada caso o baixista resolvesse tocar em demasia. Ponto para Glover que com seu estilo ajudou a manter o som do grupo no lugar certo. 

Precursores do que viria a se chamar de heavy metal, os ingleses do Black Sabbath também tinham uma cozinha maravilhosa em seus primeiros anos. Ozzy Osbourne podia até desafinar lá na frente do palco, mas no fundo, Geezer Butler e Bill Ward mantinham na linha os riffs macabros criados pela guitarra de Tony Lommy. Aqui o mais despojado sempre foi Geezer, cabendo a Ward uma postura mais segura. É inacreditável que nem mesmo após um enfarto sofrido por Ward no final dos anos 90, conseguiu  tirar a cumplicidade dos dois. Tocando ainda combalido, Ward tinha a segurança de seu velho amigo Butler, que fez outra memorável parceria com Vinnie Appice na fase do Sabbath com o Dio. Outra dupla maravilhosa era formada por Gay Chain e Lee Kerslake, a cozinha do Uriah Heep. Fazendo um som pesado, calcado no órgão hammond de Ken Hensley, Chain e Kerslake conseguiam se sobressair e até improvisar, em meio a montes de teclados e guitarras estridentes. A parceria começou no disco mais clássico do grupo, “Demons and Wizards”, e terminou de vez com a morte do baixista logo após sua saída do grupo, vitima de complicações decorrentes de um poderoso choque elétrico que Gary levou em pleno palco, enquanto tocava com a banda. Embora prolixa, a parceria entre os dois durou pouco, mas seu ápice pode ser conferido no disco ao vivo de 73. uma aula de como fazer rock.

Um exemplo de cozinha polivalente e que se dava bem em todas as subdivisões do rock eram Roger Taylor e John Deacon, respectivamente baterista e baixista do Queen. Enquanto Taylor era um baterista típico de rock, Deacon tinha uma influência soul e funk que fazia um contraponto bem interessante. Some – se isto a um guitarrista de estilo muito pessoal e um vocalista que era um verdadeiro show man e pronto! Estava feita a formula mágica do grupo que transitava com igual desenvoltura entre o pop, o rock, passando pelo operístico e até compondo trilhas sonoras para filmes. Além de tudo os dois tocavam com desenvoltura teclados e sintetizadores além de cantarem e realizarem bons vocais de apoio ao vivo. Roger também sabia tocar guitarra e baixo, o que ajudava muito o músico, que obtinha uma visão do ângulo de seu parceiro. Em “A Night Of The Opera”, você pode ver esta integração em toda sua totalidade. 

Navegando nas mesmas águas que os ingleses, os canadenses do Rush conseguem até hoje, após 40 anos uma desenvoltura fora do normal, graças ao entrosamento de Geddy Lee e Neil Peart. Lee parece um alienígena, pois toca teclados, canta, além de tocar seu baixo. Seja em qualquer estilo, a fase hard ou prog dos anos 70, a pop com sintetizadores dos 80´s ou mesmo na pluralidade da década seguinte, Lee e Peart se mantêm em uma unidade singular, como se fosse a coisa mais fácil do mundo estar em uma banda como o Rush.

Como bom “Zappeiro” que sou, não poderia deixar de falar da cozinha do mestre Frank Zappa. O guitarrista sempre esteve cercado por excelentes baixistas e bateristas, então fica difícil dizer qual a mais coesa, mas para o meu gosto pessoal vou citar a integração de Chad Wackeman e Scott Thunnes, que faziam a cozinha do mestre lá nos anos 80. Uma banda que ensaiava até oito horas por dia não tinha como não estar afiada, e isto vale para a cozinha. O baixista Thunnes era o segundo líder do grupo, na falta de Zappa, era ele quem colocava a banda nos trilhos. Óbvio que isso se refletia ao vivo, com a dupla se mantendo coesa e passando segurança para Zappa até mesmo em formações mais numerosas de seu grupo, com naipe de metais, dois tecladistas e três guitarristas.Em matéria de southern rock, quem sabia comandar um baixão, era Allen Woody, que começou a fazer sucesso no Allman Brothers. Porém, integração de verdade só aconteceu quando ele e o baterista Mattias Abbs integraram o Govt Mule, um power trio fantástico, que se completava com o guitarrista Warren Haynes, também egresso do Allman Brothers. Infelizmente Haynes nos deixou, foi encontrado morto por overdose. Acabava ali uma das duplas mais criativas do rock sulista.

Uma das vertentes do rock que sempre teve boas cozinhas foi o progressivo, e embora seus amantes curtam muito longos solos de sintetizador e guitarra, o baixo e a bateria também são valorizados, como podemos ver no Yes. O baixista Chris Squire começou formando uma boa dupla com o baterista Bill Brufford, com quem gravou dois clássicos absolutos do estilo, “Fragile” e “Close To The Edge”. Quando Bruford resolveu sair, Squire achou em Alan White o  parceiro ideal para seu estilo agudo e ao mesmo tempo encorpado, tocando juntos por mais de 40 anos, segurando a onda para os altos solos do tecladista Rick Wackeman e do guitarrista Steve Howe. No mesmo estilo, vale a lembrança de Mike Rutherford e Phil Collins. O primeiro, um dos baixistas mais singulares de toda a história do rock, pois Mike foi guitarrista em sua banda pré – Gênesis, o que o levou a ter uma outra visão sobre o instrumento. Basta notar que ao vivo, Rutherford possuía uma doublé neck, isto é, um instrumento de dois braços que possuía uma guitarra de 12 cordas no braço de cima, e um contrabaixo no de baixo, assim o músico podia fazer algumas bases com a guitarra enquanto se utilizava de um pedal para tocar as notas de baixo. Sua integração com Collins sempre rendeu bons frutos, seja na primeira fase com os vocais de Peter Gabriel, ou na segunda, quando Collins assumiu o microfone e obrigou seu parceiro a tocar ao vivo com outro baterista. 

Talvez o duo mais subestimado de todo o rock progressivo seja Jürgen Rosenthal e Klaus Peter Matziol, dupla que integrou o grupo alemão Eloy entre 76 e 78. Apesar de lançar somente quatro discos com essa formação, sendo um ao vivo, o Eloy ganhou em riqueza harmônica e precisão. O baterista Jurguen, que já era conhecido por seu trabalho ao lado do Scorpions, possuía uma refinada técnica para a época, com seu enorme kit. Além disso, o baterista também fazia os vocais de apoio e escrevia todas as letras dos discos que tocou, tal qual Neil Peart. Klaus foi o mais injustiçados dos músicos de progressivo, com seus baixos Alembic sempre carregados de grave, Matziol norteava os rumos do grupo com sua peculiar precisão, deixando o líder e guitarrista Frank Bonnerman tranqüilo para suas viagens floydianas. Confira minhas assertivas ouvindo “Ocean” e “Eloy Live”, dois dos grandes clássicos do grupo. 

Nos anos 80 Steve Harris e Nicko Macbrain do Iron Maiden reinaram absolutos durante toda a década, pois não havia cozinha mais festejada e aclamada no meio do metal. A mão direita de Harris fazia o Maiden pulsar e Nicko, mais ao fundo, se sentia tranqüilo para realizar suas levadas com comodidade e segurança. Mesmo nos dias de hoje, a donzela de ferro faz um dos espetáculos mais respeitáveis do showbussines, graças a força de sua cozinha, que de tão perfeita, dá conta de 3 guitarras com segurança. E olha que deve ser difícil não se perder com tantas notas erradas do guitarrista Janick Jers, que pula feito um cabrito no palco. Em termos de cozinha pulsante e precisa, para rivalizar com o Maiden naquela época, só mesmo os criadores do thrash metal, o Metallica, que tinha dois alucinados em sua parte rítmica, o baixista Cliff Burton e o batera Lars Urich! Juntos, tinham a força de uma bomba nuclear, tamanha a precisão dos dois, que de comedidos não tinham nada. Burton, tocava como um alucinado, ora com a mão , ora dando palhetadas em seu baixo, Urich também não ficava atrás, com suas viradas precisas e espetaculares. Some – se a esta usina sonora o segundo melhor guitarrista base do mundo (o primeiro é o Malcom Young!), James Hetfield e Voilá! Temos a receita de um thrash de qualidade que se completa com a guitarra solo de Kirk Hammet. Está promissora parceria foi desfeita quando Cliff Burton morreu precocemente em um acidente com o tour bus da banda, quando estes estavam em turnê pela Europa, mas pode ser conferida em “Master Of Puppets”, o maior petardo do grupo. 

O baterista Cozy Powell passou sua vida toda pulando de grupos em grupos e a meu ver não teve tempo de imprimir uma parceria significativa com um baixista, embora Cozy tenha atuações memoráveis por todos os grupos que passou. Mas uma de suas curtas parcerias a meu ver rendeu um fruto poderoso, foi ao lado de Chris Glenn, na gravação de “One Night At Budokan” do Michael Schenker Group, um dos grandes discos ao vivo dos anos 80. Tudo ali é perfeito, inclusive a interação de Powell e Glenn, que mantiveram o clima coeso para Schenker e o vocalista Gary Barden brilharem na frente do palco. Uma pena que Cozy viria a falecer na década seguinte, encerrando a carreira de um dos mais brilhantes bateristas que já passaram pelo rock. Uma outra parceria que merece ser citada quando o assunto é heavy metal, foi a formada por Jimmy Bain e Vinie Appice, na primeira encarnação da banda solo de Ronnie James Dio. Os dois músicos já tinham um currículo respeitável em suas carreiras. Bain tinha trabalhado com Dio no Raimbow, banda do ex Deep Purple Richie Blackmore, e Appice acompanhou Ronnie na segunda fase do Black Sabbath. Os dois juntos formaram uma dupla coesa e eficiente, e gravaram três petardos clássicos com o baixinho, com destaque para o primeiro o clássico “Holy Diver”. 

O pop rock dos anos 80 nunca foi marcado pelo virtuosismo, mas há uma dupla que tem que ser citada neste artigo: São eles Sting e Stewart Copeland. À frente do The Police, estes dois ingleses mostraram que a música pop podia ser ao mesmo tempo acessível e bem-feita. E não poderia ser diferente, afinal como o Police era um trio e o guitarrista Andy Summers um músico muito limitado, sobrou para os dois levarem a cabo o som do grupo, uma mistura de reagge, ska e rock. Sting sempre cantou muito bem, além de tocar seu baixo com firmeza e precisão; e Copeland é até hoje um dos mais precisos e inventivos baterista de sua geração. Uma fusão perfeita, só destruída pelos egos de seus integrantes. 
A década de 90 foi péssima pro rock. O grunge com raras e honrosas exceções foi um emaranhado de músicos ruins que não sabiam tocar direito seus instrumentos, fazendo um som sujo e com composições horríveis. Mesmo assim teve algumas boas duplas na cozinha, principalmente o Primus. Les Clay Pol e Tim Alexander formavam uma das cozinhas mais extravagantes e piradas do rock. O Primus sempre foi uma banda difícil de se ouvir ou mesmo rotular, mas era inegável o entrosamento de ambos. A dupla do The Black Crowes, Steve Gorman e Sven Pipien, respectivamente baterista e baixista, também se saíram muito bem, em meio a onda retrô que acompanhava o grupo. 

No meio de tanto virtuosismo desnecessário, era muito legal ver a integração de ambos tocando para e pelo grupo. Fica difícil falar das cozinhas dos anos 90, sem citar Rex Brown e Vinnie Paul do Pantera. Mais que tocar com integração, o baixista Brown e o baterista Vinnie, revolucionaram a maneira de tocar metal ao lado do falecido guitarrista Dimebag Darrel. O Pantera injetou uma dose extra de vigor no metal que andava em baixa na época, e muito desse sucesso alcançado pelo grupo se deu pela segurança de Brown e a inventividade de Paul. Eu nunca fui demasiadamente fã dos Red Hot Chili Peppers, e acho que o grupo sempre careceu de um bom guitarrista e de arranjos mais bem elaborados, mas a cozinha formada por Flea e pela incrível Chad Smith é até os dias de hoje uma das mais inventivas e técnicas de todo o rock. O groove construído pelos dois músicos é insuperável! 

No meio da década de 90 os ingleses Colin Edwin e Chris Maitland, seguravam a onda psicodélica do Porcupine Tree, Colin sempre foi um baixista econômico, que visa primeiro a construção de melodias na música. Porém é dotado de uma precisão fenomenal, que fazia um contraponto interessante com Maitland, um baterista dotado de uma sutileza impressionante. Ao vivo, Maitland abusava de percussões, fazendo parecer que tinha mais de um percussionista no palco. Junto com Edwin, Maitland formava uma dupla inigualável, como pode ser conferida no CD ao vivo “Coma Divine”. Curiosamente, após a saída do baterista no final da década de 90, o Porcupine Tree passou de uma excelente banda de progressivo influenciada por música psicodélica, a mais uma banda de prog metal. Discípulo direto de Chris Squire, o baixista Dave Meros  fez uma interessante dupla com o tresloucado Nick D´Virgilio, ambos do Spock´s Beard, banda americana de rock Progressivo. Além de se saírem muito bem no meio das sincopadas canções do grupo, ambos são multinstrumentistas e ainda cantam muito bem. Inclusive, Nick assumiu os vocais principais da banda com a saída do tecladista e vocalista Neal Morse e permaneceu liderando o grupo por longos anos até ele mesmo resolver sair. 

Os impronunciáveis Wojtek Szadkowski e Piotr Mintay Wiltkowski, poloneses do Collage, foram, ao lado do Porcupine, uma das mais emblemáticas cozinhas de todo prog rock anos 90, Wojtek, o baterista e líder, também era responsável pelas palavras do grupo, assim como acontece no Rush. Com um estilo que contrastava com a guitarra de Mirek Gil, Wojtek tinha a segurança de Piotr ao seu lado, e podia imprimir um estilo ao mesmo tempo técnico e agressivo, que era envolvido por camas de teclados e belos vocais. Confira a obra – prima do grupo “Moonshine”, e verifique se não tenho razão. Uma grata surpresa neste novo milênio foram os também poloneses do Riverside. Fazendo uma mistura bem homogenia entre progressivo e heavy metal, o grupo tem uma cozinha bem segura, formada por Mariusz Duda e Piotr Grudzinski. O primeiro, além de baixista, também é vocalista, líder e principal compositor do grupo, já o segundo possui uma pegada bem direta, imprimindo um toque pesado a banda. Com uma carreira consolidade com vários CD´s, os músicos tem tudo para imprimir seu nome na história do rock.

Mas a grande revelação dos anos 90 foram os americanos do Dream Theater. John Myung e Mike Portnoy se comunicam de tal maneira que eles não precisam nem se olhar nos shows, tamanha a integração e precisão de ambos, uma verdadeira máquina de fazer música. Abro um parêntese para dizer que Myang é o único baixista de rock que não parece um idiota usando o baixo de 6 cordas. O músico realmente sabe usar todo o recurso harmônico do instrumento, não fazendo do baixo mais uma figura decorativa.

Claro que há outras boas duplas de baixo e bateria no universo do rock, porém, não dá pra citar todos sem deixar o texto logo demais. De todo modo, este artigo tem a intenção de mostrar que pode se fazer eleições e roda de discussões para saberem qual o melhor e o mais técnico guitarrista, ou mesmo vocalista, mas uma boa cozinha ainda é essencial para uma boa banda de rock
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Observações à cerca do artigo...

* Uma dupla temporária que funcionou muito bem foram Pete Trewavas do Marillion e Mike Portnoy do Dream Theater quando integraram o projeto Transatlantic.

* Rich Greich e Ginger Baker também formaram uma dupla maravilhosa no único disco Blind Faith, ao lado de Eric Clapton e Steve Winwood.

* Wilbur Bascomb e Narada Michael Walden tocaram magistralmente bem no disco “Wired” do Guitarrista Jeff Beck. O baixista Bascomb dá uma aula de como ser um músico técnico sem ser demasiado virtuoso. Nota 10!!!

* No neoprogressivo não tem pra ninguém, Peter Gee e Fudge Smith, respectivamente baixista e ex-baterista do Pendragon, são uma referência para qualquer músico.

* Em matéria de progressivo italiano, Patrick Djivas e Franz Di Cioccio, formam, até hoje, a dupla mais insana do Italian Prog.

* A cozinha do Camel formada pela dupla Richard Sinclair e Andy Ward não tinha o carisma da anterior, que contava com o baixista Doug Ferguson no lugar de Sinclair. Mas a dupla Ward/Sinclair funcionou magistralmente melhor, como pode ser conferido nas apresentações ao vivo do grupo. Ouça o bootleg  Unevensongs, e confira!!!

* Um das cozinhas mais cavernosas de todo rock pesado, podia ser ouvida nos bons tempos pelos irmãos Joe e Albert Bouchard, respectivamente baixista e baterista do Blues Oyster Cult, uma das mais subestimadas bandas da história do rock.

* Falando em bandas subestimadas, no Canadá, Mike Levine e Gil Moore formavam a dupla a frente do Triumph, que deveria ter feito tanto sucesso quanto seus conterrâneos do Rush.

* John Wetton e Bil Brufford, fizeram um ótimo trabalho na segunda fase do King Crimson, lançando pérolas como Red. Eles voltariam a atuar juntos no supergrupo UK. 

* O baixista Jonas Reignold encontrou no baterista húngaro Zoltan Czorsz, a simbiose perfeita para se fazer uma cozinha pesada e progressiva no grupo sueco The Flower Kings. Deu tão certo que Zoltan foi a primeira escolha de Reignold quando este lançou seu grupo de prog metal Karmakanic.

* Uma dupla que funcionou muito bem  foi Simon Phillips e Neil Murray, no trabalho de Michael Schenker Group, chamado In The Midst Of Beauty.

* Duas bandas que eu não poderia deixar de falar são os suecos Anekdoten e Anglagard. Ambas foram fundadas no inicio dos anos 90 e se caracterizam por levadas intricadas contrastando com belas passagens de teclados. Infelizmente Anglagard já encerrou suas atividades.

* Há muitos baixistas ou bateristas que eu admiro, mas que ficaram de fora deste artigo porque não tiveram um par a sua altura para formar uma boa dupla, ou ainda não tiveram tempo de amadurecê–la. É o caso de Peter Trewavas, Eric Carr, Ian Hill,  Glenn Hughes, e muitos outros....

* Melhor ou pior em algo é sempre uma coisa muito subjetiva. Neste artigo tentei apenas pontuar minhas duplas favoritas e as que tiveram mais relevância para o rock.

* Resolvi me concentrar nos verdadeiros músicos, aqueles que realmente sabem que estão em uma banda e por ela devem trabalhar. Bateristas excessivamente técnicos são com “ninjas”, e baixistas autoindulgentes deveriam tocar guitarra. 


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