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Os melhores e mais criativos baixistas do mundo

Data: 16/08/2018
Por: Marcel Z. Dio

Acessos: 429

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JACO PASTORIUS

Assim como Jimi Hendrix dividiu o mundo da guitarra. O americano Jaco Pastorius revolucionou a cena do contrabaixo, jogando para escanteio o conceito de instrumento de acompanhamento. 
Dono de uma personalidade forte e até desajustada, o baixista criou obras seminais, como a famosa "Portrait of Tracy", onde explora de maneira sobrenatural os harmônicos.
A complexa "Havona" do grupo Weather Report, também é uma aula de contrabaixo, tanto que Pastorius usou-a em demonstrações de workshop. O solo rápido e estonteante de "Port of Entry" não fica por menos.
Não vou me alongar, pois os destaques são muitos. A audição das três faixas citadas, dão a dimensão da técnica apurada e do bom gosto de Jaco ao criar suas linhas.

O trágico fim de John Francis Anthony Pastorius III inicia-se em 11 de setembro de 1987. Após um show de Carlos Santana, se dirige ao Midnight Bottle Club, em Wilton Manors, Florida. Após ter um comportamento exibicionista e arrogante, entra em uma briga com o segurança do clube, chamado Luc Havan. Como resultado da briga, sofre traumatismo craniano e entra em coma por dez dias. Depois que os aparelhos foram retirados, seu coração ainda bateu por três horas.

Discos recomendados :

Jaco Pastorius (1976)
Heavy Weather (1977) - Weather Report 
Night Passage (1981) - Weather Report

CHRIS SQUIRE

O baixista mais famoso do rock progressivo influenciou milhares de músicos pelo planeta. Dono de um timbre singular e criador de complexas linhas, Chris levou o nome da marca rickenbacker ao mundo. Merecia uma estátua na entrada da fabrica rickenbacker, pelos serviços prestados.
Palhetadas precisas e som gorduroso deram a liga a música do Yes, o timbre de "Roundabout" até hoje deixam os baixistas de boca aberta. Alem do talento com as notas graves, o gigante inglês manda bem nos vocais.

Discos recomendados :

Time and a Word (1970) - Yes 
Fragile (1971) - Yes
Close to the Edge (1972) - Yes
Drama (1980) - Yes
Fish Out Of Water (1975) (disco solo)

GEDDY LEE

O "bruxo," como é apelidado pelos fãs, divide o baixo com os vocais, tarefa relativamente fácil, se a forma de tocar fosse na marcação de notas. Mas o que o canadense faz simultaneamente com a voz, é digno de estudo cientifico. Suas frases intrincadas, na maior parte do tempo funcionam como contra-melodia, fugindo totalmente da linha vocal.
Um belo exemplo dessa independência é "Big Money". Outro cartão de visitas, atende pelo nome de "Yyz", canção rápida em que o líder do Rush explora ao máximo o contraponto entre graves e agudos, alternando vários mini-solos com Neil Peart.
E de quebra, o bruxo ainda toca os pedais taurus, uma especie de teclado tocado pelos pés para a criação acordes programados. Em algumas canções o canadense faz as três funções ao mesmo tempo, como pode ser visto na introdução de "Xanadu" do dvd R30.

Discos recomendados :

Fly By Night (1975) - Rush
Hemispheres (1978) - Rush
Moving Pictures (1981) - Rush
Power Windows (1985) - Rush
My Favorite Headache (2000) Disco solo

PAUL McCARTNEY

Fazer parte dos Beatles credencia Paul a qualquer lista, alem disso ele não é só um baixista, é cantor, compositor, multi-instrumentista, empresário e produtor musical.
Nos Beatles sua forma de tocar abrangia a simplicidade do rock, mas sem por a criatividade de lado.
Já na carreira solo, o fab four teve total liberdade de criação, mostrando uma outra faceta.
Percebam a genialidade de Paul em composições como "Silly Love Songs" e "Goodnight Tonight".

Discos recomendados :

Band on the Run (1973) - Wings
Wings At The Speed Of Sound (1976)- Wings
Rubber Soul (1965) - Beatles
Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band (1967) - Beatles

STING

O conceito de menos é mais, se aplica ao Sting, suas notas criativas e relativamente simples, são a espinha dorsal do The Police.
Qualquer garoto recém apresentado ao mundo dos graves,  tocaria tranquilamente as primeiras notas de "Walking on the Moon". Mas não se trata disso, questão aqui é a criatividade pra fazer a coisa funcionar.
Sting é um dos poucos cantores do rock/pop a tocar baixo fora do tempo e também a cantar fora do tempo, pensando atrasado para o baixo e as vezes adiantado para a voz, parece fácil, e talvez seja, mas para o genial Sting.

Discos Recomendados :

Outlandos d'Amour (1978) The Police
Reggatta de Blanc (1979) The Police
Synchronicity (1983) The Police
…Nothing Like the Sun (1987) Álbum solo

JOHN ENTWISTLE

Considerado pela revista Rolling Stone como o maior baixista de todos os tempos, o britânico influenciou uma geração com seu potente grave.
O apelido de "Datilografo" surgiu pela forma de posicionar a mão direita sobre as cordas para que os quatro dedos pudessem ser usados para bater percussivamente nas mesmas.
Interessante ouvir os mini solos proferidos por John na canção "My Generation" do The Who. Formando uma das seções rítmicas mais poderosas do rock, ao lado do alucinado Keith Moon.
John Entwistle morreu em Las Vegas no dia 27 de junho de 2002, um dia antes do início de mais uma turnê norte-americana do The Who.

Discos recomendados:

My Generation (1965) The Who
Who's Next (1971) The Who
Quadrophenia (1973) The Who

JACK BRUCE

Outro músico que foi referencia para a geração posterior (anos 70) Sendo adorado por artistas como Gezzer Butler e Geddy Lee. Suas linhas calcadas no blues eram de extremo bom gosto.
Pena que a duração do Cream foi curta, devido as brigas. No entanto o trabalho de Jack Bruce ficou para a posteridade.
Com o final do Cream, o baixista fez ótimos discos e participou de muitos projetos, tocando sempre com a "nata" dos músicos. O últimos deles foi o interessante Spectrum Road - uma superbanda formada por Jack, Vernon Reid, Cindy Blackman e John Medeski.
Recomendo a audição de "Badge" para quem não conhece nada do Cream, um belo cartão de visitas para compreender a genialidade do Sr Jack Bruce.
Jack Bruce morreu aos 71 anos, por conta de uma doença no fígado.

Discos Recomendados

Fresh Cream (1966)  Cream
Disraeli Gears (1967) Cream)
Harmony Row (1971) Disco solo
Why Dontcha (1972) com Bruce & Laing 
Spectrum Road (2012) com Vernon Reid, Cindy Blackman e John Medeski.

STEVE HARRIS

Apesar da influencia do rock progressivo na vida de Harris, o líder do Iron Maiden pegou a estrada contraria, indo ao encontro do Heavy Metal.
Tendo como grande influencia o baixista Pete Way do UFO, tanto no som, quando no estilo irrequieto no palco.
As principais armas de Harris, são as famosas "cavalgadas" (uma nota seguida por três outras tocadas em rápida sucessão) aliado também ao uso de notas pedais* e introduções dedilhadas, tocadas com técnica de violonista.
A pegada na mão direita enfatiza o poder dos graves estalados. Usando em alguns trechos, os três dedos na técnica do pizzicato, ganhando velocidade na execução.

* Quando uma nota varia, enquanto as outras permanecem repetindo simultaneamente.
Exemplos : Introdução da faixa "Killers" e introdução de "The Clairvoyant".

Discos recomendados :

Killers (1981)
The Number Of the Beast (1982)
Powerslave (1985)
Seventh Son of a Seventh Son (1988)

STANLEY CLARKE

Um dos baixistas mais completos do mundo, o músico americano permeia por vários estilos feito um coringa.
Indo do Jazz, rock, blues, R&B e pop. É mestre tanto no baixo elétrico como no acústico, alem de criar trilhas para filmes.
A audição de Schools Days de 1976, é obrigatória para conhecer a alma musical de Stanley Clark.
Um dos pioneiros na técnica de slap, Clarke concebeu um dos solos mais espetaculares na faixa homônima do citado disco.
"Sometime Ago" do Chick Corea é outra canção que merece audição detalhada, com um incrível solo de baixo acústico.

Discos recomendados :

Return To Forever (1972) - Chick Corea
Journey to Love (1975)
Schools Days (1976)
Modern Man (1978)

TONY LEVIN

Tony Levin entra nessa lista, não pela influencia e sim pelo pioneirismo com novos timbres e instrumentos exóticos.
O curriculum do cara não é qualquer coisa, haja visto que trabalhou com Peter Gabriel e tocou nos gigantes King Crimson e Pink Floyd, alem de participar de inúmeros projetos, que entre os mais conhecidos estão o Liquid Tension Experiment e Bozzio / Levin / Stevens.
Alem de ser adepto do instrumento Chapman Stick*, inventou o funk fingers, que simplesmente consiste em usar duas baquetas fixadas por um velcro e colocadas em seus dedos. 
O objetivo é tirar sons percussivos, tal qual o slap, golpeando as cordas com as duas baquetas, uma presa do dedo indicador e outra no dedo anelar.

*O Chapman stick ou Stick é um instrumento musical elétrico criado pelo luthier californiano Emmett Chapman no início dos anos 1970. A técnica usada para se tocar o instrumento é o tapping, que consiste em tocar o instrumento em seu "braço" com ambas as mãos pressionando as cordas por toda a sua extensão, conforme a execução da peça musical.
O instrumento evoluiu muito desde sua fabricação, e co-existem atualmente vários diferentes modelos: de oito cordas (Stick Bass, especial para baixistas), dez cordas (Standard Stick), e o de 12 cordas (Grand Stick), ambos para variados estilos de composição, devido a sua distribuição harmônica. fonte : Wickpedia

Discos recomendados :

Melt (1980) Peter Gabriel 
So (1986) Peter Gabriel.
Discipline (1981) - King Crimson
Black Light Syndrome (2000) Bozzio / Levin / Stevens

GEZZER BUTLER

Parafraseando o apelido do jogador Rivelino, pode-se dizer que Gezzer tem a patada atômica do contrabaixo.
Sua pegada na mão direita é reverenciada desde os primórdios do rock pesado.
Criou linhas "espelhadas" com as guitarras, fazendo também brilhantes contra-melodias que davam riqueza ao som do Black Sabbath. A afinação baixa na maioria dos álbuns, contribuiu com o peso sonoro da lendária banda. 
Na famoso solo introdutório de "N.I.B", o baixista usou um pedal wah wah como efeito.

Discos recomendados :

Black Sabbath (1970)
Paranoid (1970)
Master of Reality (1971)
Heaven and Hell (1980)
Dehumanizer (1992)

BERNARD EDWARDS

O cara que fez todo mundo dançar nos anos 70, também é conhecido como o rei do groove, título mais que merecido !.
Só pela linha de "Good Times" merecia ser canonizado, porem tinha "Dance, Dance, Dance", "le Freak", "I Want Your Love" e a espetacular "Everybody Dance", na ultima, o baixista aplica um técnica bem peculiar na mão direita, ao tocar como se estivesse segurando uma palheta imaginaria.
O Chic foi tão influente que até os roqueiros se renderam ao talento deles, percebam que a linha de "Another One Bites the Dust" é baseada nos moldes de "Good Times".
Infelizmente em 18 de abril de 1996, num fatídico show feito no Japão, o baixista tocou o show inteiro com pneumonia, sendo encontrado morto no dia seguinte.
A parceria com o amigo Nile Rodgers rendeu muitos frutos, tanto é verdade, que eles produziram e tocaram com inúmeros artistas da era "Disco".

Discos recomendados :

Chic (1977)
C'est Chic (1978)
Risqué (1979)
We Are Family (1979) com o Sister Sledge
Take It Off (1981)

MEL SCHACHER

O som que Mel Schacher tira em seu contrabaixo pode ser considerado o mais pesado dos anos 70, um autêntico motor de Maverick V8.
O timbre distorcido é fruto de muito estudo ao lado do produtor Terry Knight. Muitos falantes estourados depois, a West Amplifiers construiu modelos exclusivos para Schacher.
Ouçam as poderosas "Paranoid", "Creepin" e "Im Your Captain/Closer To Home".

Discos recomendados :

Grand Funk (ou The Red Album) (1970)
Closer to Home (1970)
E Pluribus Funk (1971)
We're an American Band (1973)

CLIFF BURTON

Ao ver o maluco Cliff tocar, Lars e James não tiveram duvidas de quem seria o "novo" baixista do metallica.
Cliff Burton se destacava entre os demais baixistas do metal, e apesar de ser um grande fã de Misfits, tinha muito conhecimento sobre música erudita.
Em "Orion" o músico ganhou admiração pelo belíssimo solo, já na introdução de "For Whom The Bell Tolls" o efeito aplicado é semelhante ao som de guitarra.
Em 1986, por obra do destino, o baixista sofre um acidente de ônibus na volta de um show, e é lançado para fora da janela, falecendo no local.

Discos recomendados :

Kill 'Em All (1983) Metallica
Ride the Lightning (1984) Metallica
Master of Puppets (1986) Metallica

FLEA

Ao mesclar o rock com o funk, o Red Hot Chili Peppers não via concorrentes nos anos 80, e o baixista Flea encabeçava o direcionamento da banda, com seus slaps.
A criatividade do autodidata era o ponto alto, o que ouvimos em Aeroplane é a linha dos sonhos de qualquer amante do som grave.
Outra característica do músico, é a humildade. Pois com uma carreira consolidada e vários discos de ouro na estante, Flea procurou uma faculdade de música para obter mais conhecimento sobre o instrumento.

Discos recomendados :

Freaky Styley (1985)
Mother's Milk (1989)
Blood Sugar Sex Magik (1991)
One Hot Minute (1995)
Californication (1999)

MARK KING

Quando o assunto é Slap, Mark King tem cadeira cativa em qualquer postagem do gênero.
Mark elevou a forma percussiva de tocar, a níveis inimagináveis !! e convém citar sua habilidade ao cantar e tocar, o que é extremamente complicado para nós mortais, o líder do Level 42, faz com uma tranquilidade absurda.
Reza a lenda que seu "polegar" direito entrou no "seguro", sendo avaliado a época, pela bagatela de 3 Milhões em dólares.
Um dos heróis do músico PJ (Jota Quest) é justamente Mark King. PJ ficou espantado quando viu a desenvoltura do baixista em um DVD.

Discos recomendados :

Level 42 (1981) Level 42
World Machine (1985) Level 42
Running in the Family (1987) Level 42

WiLLY VERDAGUER

O baixista e maestro argentino, radicado no Brasil desde 1967, fez um trabalho espetacular com o Secos e Molhados, e não poderia ficar fora da lista.
Pelo baixo de "Amor" mereceria respeito eterno, só que o WiLLY é muito mais, reparem nas palhetadas rápidas da faixa "Voo" dos Secos e Molhados, simplesmente imperdível !!
Altamente recomendado a audição de Raíces de América e também da banda Hamahuaca.
O Baixista atualmente faz parte da banda de Guilherme Arantes.

Discos recomendados :

Secos & Molhados (1973)
Secos & Molhados (1974)
Humahuaca (como "Verdaguer") (1994)
Raízes de América (1980)

JAMIL JOANES

Em minha modesta opinião, Jamil Joanes é o melhor baixista do Brasil. Quando ouvi o disco Maria Fumaça da Banda Black Rio, fiquei alucinado com Jamil Joanes e seu groove samba/ rock e funk.
Jamil também tocou com feras como Raul Seixas, Gal Costa, Luiz Melodia, João Bosco e Tim Maia.

Discos Recomendados :

Maria Fumaça (1977) Banda Black Rio
Reencontro (1979) Tim Maia
Vira Lata (1979) Antônio Adolfo
O Dia em que a Terra Parou (1977) Raul Seixas

NICO ASSUMPÇÃO

Considerado pela maioria como o melhor baixista do Brasil e uns dos melhores do mundo, o carioca buscou conhecimento aprofundado no exterior, passando a integrar o grupo do pianista Don Salvador e do saxofonista Charlie Rouse, o que lhe abriu as portas para tocar com alguns dos mais importantes músicos de Jazz.
Mozar Mello tem conta uma história curiosa sobre Nico : 
"Estávamos discutindo cada acorde, pois cada um tinha uma ideia diferente. Menos o baixista, que se encontrava em um canto, encostado, aparentemente muito longe dali. Subitamente, em um determinado compasso no qual ninguém tinha chegado a um consenso, o tal baixista, sem o instrumento na mão, gritou: coloca um Lá bemol aí!. Ninguém entendeu direito, pois o acorde era "sus", mas ele insistiu. Na falta de uma alternativa melhor todos concordaram. O fato é que o acorde encaixou perfeitamente no arranjo, e aquilo deixou todos boquiabertos".
Nico também trabalhou com o violonista João Bosco e veio a falecer em 2001, em decorrência de um câncer.

Discos Recomendados :

Nico Assumpção (1981)
Três/Three - Nico Assumpção - Nelson Faria - Lincoln Cheid - 2000

Então é isso, espero que gostem da matéria. Sei que faltou muita gente importante como : Ron Carter, Marcus Miller, John Paul Jones, Billy Sheehan, Bootsy Collins, Lemmy, James Jamerson, David Ellefson, Carol Kaye, Liminha, Roger Glover etc. Fica para uma segunda parte.


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