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Boy George teve caso com vocalista de banda punk

Relacionado com: Boy George
Data: 27/04/2018
Por: Roberto Rillo Bíscaro

Acessos: 215

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Boy George brilhou na primeira metade dos anos 80, com sua imagem andrógina e alegre. Mas o telefilme Worried About The Boy revela que por trás da maquiagem havia um garoto inseguro, que fazia escolhas amorosas erradas.

A primeira metade dos anos 80 assistiu à Segunda Invasão Britânica no mundo pop e jovens oriundos de subúrbios ou lugarejos ingleses foram catapultados ao estrelato global em questão de meses. O Culture Club, com sua liquefação de influências e etnias e a androginia adestrada de Boy George, indiscutivelmente é ícone do período. Em pouco mais de 3 anos, a banda saiu do anonimato, conquistou a Terra e caiu mortalmente ferida com escândalos e despencar na popularidade. Seja o que for, mas Karma Kameleon sempre estará entre as canções-símbolo da década, como Rock Around the Clock estará para os 50’s e assim por diante.

O telefilme Worried About the Boy (2010), da BBC, foca nas desventuras românticas de George O’Dowd — nome de batismo da drag — meio que para explicar/justificar sua adição à heroína, que o levou às páginas policias e aos tabloides nos meados oitentistas. Contrapondo a fase pré-Culture entre 80–2 e o auge da baixaria (da época, porque bafão não faltou na trajetória da tia da Lady Gaga!) em 86, a explicação para o azar do inseguro George com relação ao amor é a seguinte: seu visual muito feminino não agradava aos homens gays, mas sim aos héteros, que o fantasiavam como mulher para justificar inconscientemente seus desejos homoeróticos. Claro que essa muleta psicológica sempre quebrava e os machildos de Boy George — dentre eles o baterista John Moss, do próprio Culture Club e Kirk Brandon, vocalista punk do Theatre of Hate e do Spear of Destiny — surtavam e saiam correndo atrás de vagina, deixando o cantor com o coraçãozinho partido. Pena que o roteiro não tangencia nem de longe a homofobia internalizada de George ao se apaixonar apenas por homens “heterossexuais”.

Douglas Booth está impecável no papel do jovenzito George, que sai da casa dos pais no subúrbio pobre e vai viver em prédios abandonados em Londres (os squats), onde encontra exótica fauna disposta a quebrar as últimas normas do convencionalismo vitoriano, que os punks ainda não o tivessem feito. Vestidos ultrajantemente, essa galera se reunia no hoje lendário Blitz Club, e seria a ponta de lança do New Romantic, que deu ao mundo delícias como o Duran Duran e o Spandau Ballet. Steven Strange, do Visage, Malcolm McLaren, inventor dos Sex Pistols; está todo mundo no filme. A grande sacada foi em relação a David Bowie, suprema inspiração dos New Romantics, que o tinham literalmente como um deus. Como Deus a gente não vê, quando o Camaleão visita o Blitz, também não é mostrado.

Com esmerada trilha sonora — Siouxsie and the Banshees, The Human League, Soft Cell — Worried About the Boy é sensível mostra do que há por trás da persona pública de uma grande celebridade, da qual hoje tendemos a lembrar apenas dos escândalos e da decadência, mas que, antes de mais nada, é um ser humano tão vulnerável como nós “anônimos”.


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