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Os mais influentes guitarristas de rock progressivo

Data: 11/08/2018
Por: Márcio Chagas

Acessos: 593

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A guitarra sempre foi um instrumento seminal em bandas de rock. O guitarrista é sempre o mais festejado e o mais cobrado em termos musicais. Em um estilo tão elaborado como o rock progressivo, essa cobrança é ainda mais potencializada. O músico muitas vezes divide o espaço de sua guitarra com instrumentos exóticos e pouco usuais no rock como violino, cello, alaúde, além dos tradicionais teclados. Toda essa sofisticação exige ainda mais sensibilidade e técnica do guitarrista, que precisa saber encaixar seu instrumento ao redor de todos os arranjos grandiloqüentes do estilo. Abaixo, separei dez dos grandes mestres na arte da guitarra viajante, e como sua técnica influenciou toda uma geração.  

1 – David Gilmour – Nenhum guitarrista de prog foi mais influente que este inglês de Cambridge. Seu estilo e sua música atravessaram as fronteiras do progressivo, influenciando uma geração inteira de guitarristas tão díspares como Brent Hinds do pesado Mastodon, e Steve Wilson do  grupo progressivo Porcupine Tree.
	Com uma técnica mais limitada (ele definitivamente não é um virtuose), Gilmour provou a teoria do “menos é mais” e que o importante não é só o conhecimento, mas como se faz uso dele. E que uso! Gilmour é responsável pelos mais belos solos de toda história do rock. Se ainda tem alguma dúvida, ouça “Time”, “Dogs”, e “Whish you where here” e comprove que não se estou exagerando. Seu primeiro disco solo de 1978, auto-intitulado também é altamente recomendado. Mais que um guitarrista, na terra do progressivo, David Gilmour,  além de um baluarte do instrumento, é um dos mais inspirados compositores da história do rock!
Discografia Solo Recomendada:
David Gilmour – David Gilmour (1978)

2 – Steve Hackett – Outro inglês da lista, Hackett teve a sorte de pertencer ao grupo britânico mais cultuado pelos fãs de progressivo: uma instituição chamada Genesis!
O guitarrista fez parte da fase clássica do grupo, lançando álbuns seminais para a consolidação do estilo, como “Nusery Crime”, “Foxtrot”, “Selling england By The Pound” e o excelente ao vivo “Seconds Out”
	Do ponto de vista “guitarrístico”, Hackett é bem diferente de seus conterrâneos como David Gilmour e Steve Howe. Sua guitarra se casa perfeitamente com os teclados, fazendo belos contrapontos com bases e dedilhados líricos, deixando os solos pra hora certa. Poucos sabem, mas foi ele quem inventou a técnica chamada “Two Hands”, que é o ato de solar na guitarra usando as duas mãos no braço do instrumento, técnica que na década seguinte foi imortalizada por Eddie Van Halen.
Após deixar o Genesis em 1978, Hackett seguiu com uma carreira solo regular que já dura 40 anos, e tem em sua bagagem mais de 20 discos lançados, além de vários trabalhos ao vivo e uma dúzia de DVDs. Na verdade o guitarrista foi o único músico do Genesis que conseguiu desenvolver um trabalho significativo e de qualidade, tomando para si a responsabilidade de manter viva a música progressiva criada pelo seu antigo grupo. Além de pérolas do universo sinfônico, Hackett lançou alguns trabalhos instrumentais mais voltados para guitarra, e outros munido apenas de seu violão e que beiram ao erudito. Por último, o guitarrista que embarcou em uma longa turnê denominada “Genesis Revisited”, realizando releituras de sua antiga banda, e segue sua trajetória fazendo música com dignidade.
Discografia Solo Recomendada:
 Voyage of Acolyte (1975)
Please Don´t Touch (1978)
Genesis Revisited (1996)
Out of the Tunnel´s Mouth (2011)


3 – Steve Howe – O guitarrista do Yes embora toque um instrumento  ligado  ao rock, pode ser considerado o menos roqueiro da banda. Formado em música clássica e renascentista, Stenphen James Willian John Howe possui uma técnica diferente e peculiar, utilizando no som polido do Yes, escalas de blues, jazz e country, assim como um forte vibrato, característica de seu ídolo, o mestre do country Chet Atikins.
Com seu refinado senso musical, Howe, além de varias guitarras, utiliza uma variedade de violões, violas, lap steel e até mesmo instrumentos típicos do século XVIII, como o Vachallia (uma espécie de bandolim medieval). Toda essa gama de instrumentos e inspirações, trouxe à tona, uma músico de técnica única, que pode se sair bem em todos os estilos, o que não poderia ser diferente em uma banda como o Yes. Imagine se você fizesse parte de uma banda que o baterista fosse super técnico (Bill Bruford), o Baixista tocasse absurdamente alto (Chris Squire) o tecladista fosse um baluarte do virtuosismo (Rick Wackeman) e o vocalista uma das mais belas vozes de todo o mundo? Diferente, essa é a palavra que melhor define a técnica de Howe 
Em sua carreira solo, que já somam mais de 20 álbuns, o músico também enveredou pelo caminho do ecletismo, gravando CDs dos mais variados estilos. Por exemplo, se você quer um álbum marcado pela guitarra, como fazem Joe Satriani e Steve Vai, deve escutar “Turbulence”, se o seu estilo é o progressivo, Escute “Steve HoweAalbum’, mas se o seu negócio é o jazz, “Travelling” não pode faltar na sua coleção.  
Discografia Solo Recomendada:
The Steve Howe Album (1979)
Turbulence (1991)
Spectrum (2005)
Travelling (2010)

4 – Robert Fripp – Conhecido guitarrista e líder do lendário King Crimson, Fripp já declarou que aprendeu guitarra como os outros aprendem francês, com muita dificuldade e repetição. Mas com essas limitações esse inglês inventou um jeito novo de tocar guitarra dentro do progressivo, com um jeito diferente e esquizóide, onde nem sempre a noção de tempo prevalece. Ele também inventou um aparelho denominado Frippertronics, em que a guitarra é capaz de gerar sons de sintetizadores. Pode parecer convencional nos dias de hoje, mas essa invenção nos anos 70, redimensionou o conceito da guitarra como instrumento. 
Fripp influenciou gerações inteiras que viriam a seguir, notadamente os músicos que apreciavam um estilo mais livre como o Rock in Opposition e o free jazz. Sua carreira solo é pequena e limitada, mas seu primeiro disco solo é sensacional, assim como toda sua discografia com o King Crimson.
Discografia Solo Recomendada
Exposure (1979)

5 – Andrew Latimer – Esse inglês, frontman do Camel trouxe uma dose extra de lirismo ao prog rock. O guitarrista se mostrou hábil em compor belas melodias e composições inspiradas em qualquer estilo que seu grupo resolvesse transitar. Seja na 1ª fase da banda, dividindo a linha de frente das melodias com os teclados de Peter Bardens,  na 2ª fase com acento mais pop ou na 3ª fase, quando levou a guitarra à frente das melodias. 
O fato do músico ser também um exímio flautista, ajudou muito em sua percepção de melodias e arranjos. O álbum instrumental “The Snowgoose”, lançado junto com o Camel é um verdadeiro tratado musical do século XX, , onde o lirismo de flautas e teclados  se casam perfeitamente com a guitarra pungente de Andy. E se você quer  uma guitarra solando com feeling, escute a faixa “Ice”, instrumental de quase 10 minutos que pode ser encontrada no álbum “I Can See House From Here” de  1979.
Discografia Recomendada Com o Camel:
The Snowgoose (11975)
Rains Dances (1977)

6 – Gary Green – Na década de 70 enquanto a maioria dos grupos de progressivo tentava soar o mais viajante possível, em contrapartida aos de rock pesado, que queriam se sobressair pelo peso das guitarras, aparecia o Gentle Giant, grupo que não seguiu nenhum dos dois caminhos. Ou seguiu todos, pois o grupo formado pelos irmãos Shulman misturavam ,jazz, rock, musica clássica e experimentalismo tudo em um só caldeirão, e usando instrumentos poucos usuais no rock, como Cello e vibrafone. 
Junto com o grupo estava Gary Green, musico de estrema e refinada técnica, que conseguia fazer seu instrumento se sobressair em meio a tanto exotismo. Além da guitarra, Gary tocava também outros instrumentos, como aliás todos na banda. Era responsável, por, além de sua guitarra, sons vindos do violão, tamborim, bandolim, flauta doce e contrabaixo elétrico. Seus senso melódico e diferente abriu portas a todos os músicos que vieram depois, enveredando pelos caminhos da fusão de outros ritmos com o rock.
Discografia Recomendada com o Gentle Giant:
Octopus (1972)
Playing The Fool (1977)

7 – Jan Akkerman – Holandês responsável pelas guitarras do Focus, Jan tinha uma abordagem diferente de seus colegas de estilo, pois o Focus era e ainda é um grupo eminentemente instrumental. Assim, o guitarrista além da usar e abusar de seus solos, fazia um contraponto interessante com o órgão e a flauta de seu colega This Van Leer. Em carreira solo, Akkerman enveredou pelos mais variados estilos, indo do jazz-rock ao neo clássico. Uma boa dica é o duplo ao vivo “10.000 Clows On a  Rainy Day”, onde o músico repassa  os grandes temos do Focus, ao lado de outros de sua carreira solo.
Discografia Solo Recomendada
“10.000 Clows On a  Rainy Day” 

8 – Alex Lifeson – Muitos podem estranhar a inclusão de Alex aqui na lista, porém, além de ser um músico muito subestimado, o guitarrista foi responsáveis por belíssimas melodias na fase progressiva do Rush. Lifeson usava vários tipos de guitarras, violões e sintetizadores, deixando o som do grupo ainda mais elaborado. Outro diferencial do guitarrista era o fato de não ter medo de usar o pedal de distorção, imprimindo um peso maior a música do trio sempre que era necessário. Não é à toa que o Rush é considerado um dos precursores do que viria a ser o prog metal, estilo muito popularizado décadas depois. Escute discos como “Caress Of Steel” e veja o preciosismo com que Alex tratava os temas. Realmente, um músico a frente de seu tempo.
Discografia  Recomendada com o Rush:
Caress Of Steel (1975)
2112 (1976)
Farewell To Kings (1977)

9 – Steve Wilson – Cantor, produtor, vocalista, e claro, guitarrista, Steve Wilson apareceu nos anos 90 liderando o Porcupine Tree, que se tornou o maior grupo de rock progressivo daquela década. Wilson juntou todas as suas maiores influencias, jogou  tudo em um mesmo caldeirão, misturou e subverteu os conceitos, trazendo a tona um estilo que embora fosse parecido com o criado pelos mestres, soava renovado, 
Mesmo após a hibernação do grupo, Wilson continuou compondo e gravando discos solos em um estilo mais livre que o de seu grupo, mas de maneira ainda complexa. O músico consegue transitar com igual desenvoltura, pela musica progressiva, rock pesado, psicodélico, pop rock e new age, participando de vários projetos paralelos. Sua guitarra pungente contrasta com sua voz aveludada, soando perfeito para o rock progressivo. Para “quem é entusiasta do estilo, recomendo os primeiros álbuns do Porcupine Tree e seu trabalho solo ‘Hand, Cannot, Erase” 
Discografia Recomendada::
The Sky Moves Sideways (1995)
Signify (1996)
Lightbulb Sun (2000)
Hand, Cannot, Erase (2015)

10 – Roine Stolt – Tive dúvidas no nome a ser escolhido para encerrar esta minha pequena lista, afinal, são muitos os músicos que poderiam fazer parte dela. Mas em se tratando de influência, dos anos 90 até os dias de hoje, Roine Stolt é com certeza o guitarrista de rock progressivo melhor e mais cultuado, não só pelos músicos, mas pelos fãs do estilo. Não é à toa que Ian Anderson o escolheu para parceiro em um trabalho inteiro dedicado ao estilo.
Stolt fez parte do grupo Kaipa, um dos maiores nomes do progressivo sueco dos anos 70. Após abandonar o grupo e viver a década seguinte inteira no ostracismo, o guitarrista lança em 1994, um álbum solo denominado The Flower King, um trabalho que traria o musico de volta a seara progressiva. Com o sucesso do álbum, o músico montou um grupo para cair na estrada e ajudar na divulgação do trabalho. Este grupo acabou sendo batizado com o nome do álbum e seguiu como banda do guitarrista angariando cada dia mais fãs. 
Seu estilo ao mesmo tempo lírico e versátil, possibilitou que o musico participasse de vários projetos todos ligados a musica progressiva, como Transatlantic, Karmakanic e mais recentemente o The Sea Within. 
Além de extremamente hábil em seu instrumento, misturando a sutileza de Steve Hackett com o lirismo de David Gilmour e uma técnica mais refinada, Stolt também é um excelente compositor e produtor, sendo extremamente exigente com arranjos e disposições dos instrumentos.   
Discografia Recomendada:
Solo - The Flower King (1994)
The Flower Kings - Stardust We Are (1997)
Anderson / Stolt – Invention of Knowledge (2016)

Se você acha que eu esqueci algum guitarrista influente do estilo (e realmente devo ter esquecido), comente abaixo.


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