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Trios elétricos...de rock!

Data: 05/08/2018
Por: marcio chagas

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O rock é composto por vários formatos de grupos. Quartetos, quintetos e até sextetos fazem a alegria dos rockeiros de plantão. Mas não há como negar que os trios tem uma sonoridade toda especial. Juntar apenas três pessoas e conseguir fazer música de qualidade, muitas vezes parecendo uma orquestra não é para qualquer um. Abaixo listei os maiores e mais influentes trios de todas as vertentes do rock. Para evitar polêmicas, usei como base  para organizar a matéria, o ano de lançamento do primeiro trabalho de cada trio.

1967: Cream – Formado por dois músicos ligados ao fusion (o baixista Jack Bruce e o baterista Ginger Baker), e um bluseiro nato (o guitarrista Eric Clapton), o cream pode ser considerado o primeiro power trio do rock. “Nós nos considerávamos um presente de Deus” disse Eric Clapton a Guitar Player em uma ocasião. Apesar de bons trabalhos de estúdio, era ao vivo que o grupo arrebentava, com longas jams e improvisos. A verdade é que com choque de egos o grupo teve um curta carreira, mas lançou vários discos seminais. John Mayall resumiu bem a importância do trio quando disse: “Ao vivo ninguém podia competir com o Cream”. Escute:  Live Cream.

1967: Jimi Hendrix Experience– Considerado até os dias de hoje como o melhor guitarrista que já pisou na face da terra, é inegável que a despeito de seu enorme talento, todo o sucesso em torno do guitarrista, se deu pelo perfeito entrosamento com seu trio, que se completava com Noel Redding, um baixista com uma tremenda noção de tempo, e Mitch Mitchell, um baterista que sabia a hora certa de segurar o ritmo ou quebrar tudo ao lado do “chefe”. Embora tenha lançado somente três trabalhos, o Experience de Jimi Hendrix revolucionou, ao lado do Cream e Blue Cheer o conceito de música feita por trios, um legado que permanece inabalável até os dias de hoje. Escute: Electric Ladyland.

1967: Blue Cheer – ao lado do Cream, o Blue Cheer, foi pioneiro no formato power trio, sendo ambos considerados percursores neste formato. O grupo, com sua sonoridade pesada pra época também é considerado um dos pais do heavy metal. O Blue Cheer sofria forte influência do blues e subvertia completamente o estilo, adicionando peso, velocidade e pitadas de improviso e psicodelia comuns no final dos anos 60.  Seu frontman, o baixista e vocalista Dickie Peterson, influenciou uma geração de músicos que viriam nos anos seguintes, de Geddy Lee ainda na década de 70, ao pessoal do grunge, já nos anos 90, passando por Metallica e Iron Maiden. 
Após o auge nos anos 70, o trio continuou gravando e tocando esporadicamente nas décadas seguintes, encerrando completamente as atividades apenas com a morte de Peterson em 2009. Vale a pena conhecer a obra de um dos trios mais influentes do rock. Escute: Vincebus Eruptum.

1970: Emerson Lake & Palmer – Um power trio diferente, pois não tinha um guitarrista a frente da banda, cabendo ao virtuoso tecladista Keith Emerson comandar o som do grupo, recheado de pianos, Hammonds, mellotrons e todos os tipos de teclados. Ao lado dele o  grande baixista e vocalista Greg Lake, que tinha feito fama vindo do King Crimson, e do super baterista Carl Palmer. Ao vivo, o grupo levava o grau de superlativo as últimas consequências, com egocêntricos solos de seus integrantes, acompanhados de fogos de artifícios e outros efeitos avançados pra época. Musicalmente o trio tentava unir o rock com peças clássicas, e muitas vezes conseguia seu intento com perfeição. Escute: Brain Salad Surgery.

1971: ZZ Top – O trio surgiu da vontade de seus integrantes de misturar blues, rock, Southern e country em um mesmo caldeirão sonoro. O guitarrista Billy Gibbons, o baixista Dusty Hill e o baterista Frank Beard, permanecem juntos desde então, gravando e se apresentando por mais de 40 anos!  A formula usada tem dado certo, e o grupo tem se mantido fiel ao seu estilo sem grandes modificações. Nenhum dos integrantes é realmente virtuoso, mas o trio funciona como uma unidade musical, soando de maneira única e com uma certa originalidade. Escute: Três Hombres.   

1972: West, Bruce & Laing – O Baixista do Mountain, Feliz Pappalardi foi o produtor dos álbuns do Cream na década anterior. O guitarrista do Mountain Leslie West era fanático pela banda. Quando seu grupo encerrou as atividades pela primeira vez, West e o baterista Corky Lang recrutaram o ex-Cream Jack Bruce para o Baixo, na tentativa de formar um power trio. Apesar de sua curta duração (apenas dois anos de atividade), o trio influenciou uma geração inteira de músicos com usa mistura de blues, rock, boogie e improviso. Uma pena que no final de 1973, Bruce abandona o barco após apenas dois discos gravados, pois o trio tinha talento e versatilidade para se tornar um dos maiores  de toda a década. Escute: Why Dotcha.

1973: Beck, Bogert & Appice – Com todo o reboliço ocasionado pela formação de vários trios no final dos anos 60, o guitarrista inglês Jeff Beck resolveu montar sua versão de power trio, e para a empreitada resolveu chamar a mais experiente cozinha dos anos 60: o baixista Tim Bogert e o Baterista Carmine Appice, ambos recém saídos do vanilla Fudge. Porém, Beck, um maniáco por carros e velocidade, acabou colidindo em um sério acidente, que o deixou de cama por vários meses, fazendo com que a dupla resolvesse integrar o Cactus, outro grande grupo dos anos 70. Com o fim do Cactus anos depois, o guitarrista refez e convite e aí sim, o grupo começou a ensaiar, lançando em 1973 seu único LP auto-intitulado. Ao vivo o grupo era dado a altos improvisos, e o fato dos três músicos cantarem, deu ainda mais liberdade a Beck, que dividindo os vocais com os outros integrantes podia se dedicar com mais afinco a sua guitarra. infelizmente o gênio difícil de Jeff complicou tudo e ele resolveu encerrar as atividades do grupo pouco antes de começarem as gravações do segundo trabalho. Um disco ao vivo foi lançado no Japão, mas é inegável que o trio tinha bagagem pra muito mais. Escute: Beck, Bogert & Appice.

1974: Rush – Talvez o trio de mais longevidade de todo o rock, os canadenses do Rush já transitaram por todos os estilos de rock, do pop rock eletrônico (Em Power Windows), ao progressivo intrincado (Farewell To kings), passando pelo rock mais direto (em Counterparts),   sempre se dando bem! Geddy Lee (baixo, teclados e vocal), Alex Lifeson (guitarras, violões e teclados) e Neil Peart (Bateria e percussão), sabem como ninguém aliar técnica e musicalidade, e tudo que fazem possui a marca da qualidade. O segredo do trio é aliar virtuosismo moderado com excelente composições. Também não seria para menos, pois o grupo está com a mesma formação há mais de 40 anos!!! Seu DVD “Rush In Rio” gravado em nosso país é uma verdadeira celebração à música do grupo, e merece ser visto até mesmo por quem não é fã da banda. As ultimas noticias não são animadoras para os fãs, pois parece que o baterista Peart resolveu se aposentar, forçando Lee e Lifeson a encerrarem a carreira do grupo. Se os boatos se confirmarem, será o encerramento de uma carreira digna do melhor e mais conhecido trio do rock. Escute: Moving Pictures.

1977: Motörhead – Quando foi chutado do Hawkwind em 1975, o baixista Lemmy não esperava que fundaria com o Motörhead, uma verdadeira instituição da música pesada. O trio formado em 1975, se mantém com a mesma formação desde a entrada do baterista Mikke Dee em 1992. Sendo que Lemmy achou no guitarrista Phil Campbell, o parceiro ideal  para sua voz rasgada e seu baixo pulsante desde o longínquo ano de 1984,
Seu som sujo e característico, aliado a voz encharcada de whisky barato e baixo Rickenbacker no talo de seu líder, conquistou uma legião de fãs de todos os estilos e vertentes do rock. Porém, segundo Lemmy, o sucesso se deu pelo fato do grupo nunca ter abandonado seu estilo fiel de fazer música. Em atividade por 38 anos, o trio ainda se manteve na estrada, gravando discos regularmente até o falecimento de seu líder Lemmy no final de 2015. E Pra encerrar vale uma frase dita por vários amantes de rock: “ O AC/DC e o Motorhead são as duas únicas bandas que podem gravar o mesmo disco várias vezes sem serem taxados de repetitivos”. Escute: Ace of Spades.

1978: The Police – O trio de rapazes brancos surgiu no final dos anos 70 com uma proposta pretensiosa: misturar o reagge e ska jamaicano com o pop rock inglês, adicionando ainda pitadas de jazz, blues e rock clássico. Um jovem baixista de jazz (sting) se juntou a um baterista técnico de rock Progressivo (Stewart Copeland) e a um guitarrista limitado mas  muito ciente de suas limitações como músico (Andy Summers). Os três decolaram com “Outlands D´Amour” de 1978, e solidificaram sua reputação com “Reggatta de Blanc”, lançado no ano seguinte. O trio teve uma influência determinante em toda música pop criada pelas bandas da década de 80, inclusive no Brasil. Pessoalmente acho que Copland é o segundo baterista que mais sabe dosar técnica com musicalidade (O primeiro é o Neil Peart), e curioso é que os 2 trabalham em formato de trio. 
Embora o trio tenha tido uma curta carreira, encerrada em 1983 (esse parece ser os maiores dilemas do trio), seu trablho instigante e ainda moderno permanece presente em nossos ouvidos até os dias de hoje. Sting e sua turma conseguiram provar que dá pra fazer música pop com qualidade. Escute: Reggatta de Blanc.


1995: Gov´t Mule – O trio nasceu no início dos anos 90, e veio da vontade do guitarrista Warren Haynes e do baixista Allen Woody ambos integrantes dos Allman Brothers,  de fazer a música despojada e cheia de improvisos, como faziam os grandes trios dos anos 70. Acharam o parceiro ideal em Matt Abts, um baterista que era reconhecido por seu trabalho com 
Chuck Leavell, pianista dos Rolling Stones.
O trio ficou famoso não só por suas excelentes composições, mas pela forma como tocava covers de várias bandas famosas no formato power trio. Durante toda a década de 90, o grupo lançous discos e excursionou incessantemente até a morte do baixista Allen Woody em 2000. Woody, grande estudioso do contrabaixo, possuia mais de 300 intrumentos diferentes, e com sua morte, o Mule perdeu muito em termos de arranjos. O grupo se superou e continuou como um quarteto, com um novo baixista e incorporando um tecladista a formação. Embora continue fazendo música de qualidade, é inegável que o Govt Mule não tem o mesmo brilho de antes. Escute: Dose.

1998: Nile – O Nile é um Trio de metal extremo com maior qualidade e originalidade que apareceu nos últimos anos. O grupo alia seu som extremo com passagens mais progressivas e  fortes influências de música egípicia, incluindo instrumentos e letras retratando a época dos faraós. Tudo construído com muita pesquisa, extremo bom gosto e técnica, cortesia do guitarrista, líder e fundador Karl Sanders, que também toca teclados, baixo e instrumentos exóticos como o saz e o bouzoki . Ao lado dele, completavam a formção clássica do trio o vocalista guitarrista e baixista Dallas Taylor Wade e o excelente baterista George Kollias. 
O grupo se mantinha como um trio nas gravações de estúdio, adicionando um baixista contratado em suas turnês. Porém, com a saída do guitarrista e vocalista Wade em 2017, o grupo trouxe Brian Kingsland e incorporou em sua formação o baixista Brad Parris  se transformando em um quarteto. Ainda assim, o Nile vem mostrando que é possivel fazer música pesada com qualidade. Desaconselhável a ouvidos sensíveis! Escute: Ithyphallic.

1999: Muse – Formado em 1994 por Mathew Bellamy (Vocal, guitarra e piano),  Christopher Wolstenholme (Baixo, voz e teclado) e Dominic Howard (Bateria e Percussão), o Muse pode ser considerado um dos últimos trios de rock a realmente fazer sucesso e influenciar futuras gerações. O grupo faz um interessante mistura de progressivo e rock alternativo, com leves pitadas de música eletrônica e clássica.  
Essa Mistura levou a banda ao estrelato mundial, ganhando vários Grammys e se tornando os queridinhos da cena alternativa. Exageros a parte, o Muse possui um som diferenciado, e é inegável que esse contraste de estilos flui bem tanto nos palcos quanto fora dele. Escute: Drones.

2009: Vintage Caravan – Trio vinda da gélida Islândia, e como tantos novos grupos surgidos nesta década, fazem um som calcado no rock clássico dos anos 70, influenciado pelas principais bandas de Southern rock, rock psicodélico, rock progressivo e hard rock surgidas naquela década.  O guitarrista e vocalista Óskar Logi Ágústsson, procura sempre privilegiar as composições quando aborda seu instrumento, agindo de maneira muito mais intuitiva do que técnica. Esta abordagem, muito comum nos anos 70, ajudou a alavancar a carreira do grupo. Apesar de surgir em 2009, o grupo foi realmente descoberto pelos amantes do rock em 2015, com o lançamento de seu trabalho “Arrival”.  O trio tenta de maneira homogênea, alternar faixas de cunho mais progressivo, com outras mais dinâmicas e hard. Os jovens islandeses estão conseguindo facilmente e de maneira quase natural, compor canções que muitos dinossauros com experiência não conseguem.  Com certeza uma das mais gratas surpresas sonoras dos últimos tempos. Escute: Arrival.

2012: Kadavar – O trio surgiu na Alemanha em 2010, mas  bebe diretamente na fonte dos anos 70, com nítida influência de Led Zeppelin, Black Sabbath e os primeiros power trios como o Blue Cheer. Porém o grupo não soa como mera cópia, incorporando ainda elementos de rock psicodélico, stoner e até progressivo em sua sonoridade um tanto suja. Quem gosta de musica feita nos anos 70 precisa conhecer o grupo. Escute: Berlin.


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