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Mike Slamer: Um veterano a serviço dos bons sons

Artigo
Relacionado com: Seventh Key
Data: 22/09/2019
Por: Diógenes Ferreira

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Resolvi escrever um texto especial sobre esse guitarrista fenomenal pois se faz necessário que muitos dessa nova geração que ainda não conhecem a obra desse gênio das seis cordas melódicas, passem a conhecer. Infelizmente a grande mídia nunca deu a devida importância, respeito e reconhecimento à esse veterano guitarrista inglês, experiente em vários segmentos como compositor de trilhas sonoras para diversos filmes e séries, inúmeros projetos com artistas renomados do cenário melodic rock como Chris Thompsom, Terry Brock e Andrew Freeman, lendas do rock progressivo como Steve Walsh e Billy Greer, colaborações especiais em bandas como Warrant e Kix, além de carreira solo, bandas que montou e trabalhos como produtor musical. O “vovô” Slamer como eu gosto de chama-lo pois ele já era coroa desde que me conheço por gente, sempre foi um talento em várias áreas, tudo o que ele faz é com maestria e qualidade, com um ‘feeling’ musical que poucos possuem e que os fãs do universo dos bons sons só tem a agradecer, pois não só pela qualidade das composições, mas por suas excelentes produções, são obras que sobrevivem ao teste do tempo.

Michael Chetwynd Slamer começou sua carreira com a banda City Boy no já longínquo ano de 1976 com o debut auto-intitulado. Daí até o início dos anos 80 foram lançandos discos constantes em 1977: Dinner at the Ritz, 1977: Young Men Gone West, 1978: Book Early, 1979: The Day the Earth Caught Fire, 1980: Heads Are Rolling, 1981: It's Personal. A banda consistia em Lol Mason (vocal), Steve Broughton (guitarra, vocal), Max Thomas (teclados, guitarra), Chris Dunn (baixo, violão), Roger Kent (bateria), Mike Slamer (guitarra) e depois, Roy Ward (bateria, vocal). O grupo obteve relativo sucesso com as músicas "5.7.0.5". e "The Day the Earth Caught Fire", mas seus álbuns continham bem mais que isso, compostos com arranjos complexos e guitarras na cara. E detalhe, a reviravolta na banda foi graças justamente ao recrutamento de Mike Slamer, pois até então a banda apresentava uma sonoridade mais voltada para o formato acústico, mas o “vovô” Slamer veio para introduzir sua potência nas seis cordas do grupo e assim eles assinaram com a Phonogram, mudando o nome para City Boy e lançando 5 de seus álbuns sobre a produção do renomado Robert John “Mutt” Lange, produtor e hitmaker mais que lendário no cenário musical, responsável pelas obras mais bem sucedidas de nomes como AC / DC, Foreigner, Def Leppard, Michael Bolton, Bryan Adams, entre tantos outros. Com o City Boy tendo chegado perto dos charts da Billboard, mas não de fato ter feito o sucesso esperado, a banda se dissolveu e os músicos foram seguir com outros projetos, inclusive Mike Slamer.

Após sua participação com o City Boy nos anos 70, a década de 80 trouxe Slamer para os Estados Unidos, pois segundo ele, o tipo de música que ele queria tocar não estava sendo produzida na Inglaterra, mas sim na América, então conheceu o genial Steve Walsh (ex-Kansas) e logo veio uma parceria que também contava com o baixista Billy Greer e o baterista Tim Gehrt. A banda lançou dois álbuns pela gravadora Atlantic, 1st (1983) e Crimes in Mind (1985) sem falar em um álbum ao vivo do Streets que foi lançado pela gravadora BMG em 1997 e que apresenta um concerto para o programa de rádio King Biscuit Flower Hour de 1983. A banda recebia excelentes críticas ao vivo e se apresentava noite após noite, construindo uma boa reputação, mas novamente o sucesso esperado nas paradas musicais e vendagem dos álbuns não vieram como esperado e logo a banda se desfez, embora deixando dois ótimos discos característicos daquela década musical. Steve Walsh acabou voltando para o Kansas e levando consigo Billy Greer, que fez sua estreia no álbum Power de 1985, enquanto que Mike Slamer iria se dedicar às produções de trilhas de filmes e séries até a década de 90.

Com a vontade de entrar na cena novamente, Mike Slamer aliou-se aos músicos Keith Slack (vocal), Chris Lane (guitarra), Alan Hearn (baixo), Barron Dewayne (bateria) e eis que surgiu o Steelhouse Lane com um direcionamento Melodic/Hard reaproveitando muitas composições de Slamer que não entraram em seus projetos anteriores, mas com “approach” necessário para a época. Metallic Blue (1998) e Slaves of the New World (1999) foram lançados e fizeram a alegria dos ardorosos fãs de Hard/Melodic Rock (principalmente esse que vos escreve) com composições sensacionais e qualidade ímpar sempre presente nas obras do velhinho. Com isso, o Steelhouse Lane trouxe Mike Slamer de volta para o cenário musical, credenciando-o já como um músico experiente e respeitado, senão pela grande mídia, mas por todos que reconhecem seu talento e contribuição para o universo dos bons sons, tanto é que após o Steelhouse Lane, nosso vovô passou a ser figurinha carimbada em inúmeros projetos de vários artistas, seja como músico ou como produtor. 

E adentrando a década de 2000, Mike Slamer voltaria a trabalhar com Billy Greer relembrando os tempos de Streets, dessa vez com o excelentíssimo projeto Seventh Key, que nos brindou com os ótimos álbuns 2001: Seventh Key, 2004: The Raging Fire, 2005: Seventh Key Live in Atlanta, 2013: I Will Survive sempre mesclando Melodic Rock com pitadas progressivas. Perdi as contas de quantas e quantas vezes eu ouvi esses discos em determinados períodos de minha existência.

Sempre requisitado, seguiram-se outras parcerias com Chris Thompsom, Terry Brock, novamente com Steve Walsh e mais recentemente com Andrew Freeman, que em 2018 foi lançado o projeto Devil’s Hand, em que a dupla aposta numa vigorosa e atual sonoridade mostrando que o nosso veterano guitarrista continua afiado e sempre com seu ‘feeling’ habitual para provar seu talento à essa nova geração que está se aventurando no universo dos bons sons e que é mais uma oportunidade de prestigiarmos a obra desse subestimado gênio das seis cordas. Vida longa ao nosso velhinho!



Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor

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