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Bandas obscuras que merecem sua atenção

Artigo
Data: 19/08/2019
Por: Marcel Z. Dio

Acessos: 125

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Há exatos dois anos, criei uma seção denominada - "Relíquia" para um grupo de música chamado The Stone Age. São curtas informações sobre os "esquecidos" dos anos 70 e 80, grupos de qualidade, que infelizmente exerceram pouco sucesso à época. A matéria com texto simplificado, fica mais como dica para conhecer tais grupos.
Deixarei o link (Youtube) dos discos, na parte final do texto.
Espero que gostem. Abraços.

McCHURCH SOUNDROOM
Delusion (1971)

Com influências de Black Sabbath, Jethro Tull, Deep Purple e Sir Lord Baltimore, o diferencial de McChurch Soundroom é o clima descompromissado de jam session.
Delusion também viaja no ritmo latino com forte acento de blues nas levadas guitarristicas, bebendo na fonte de Osibisa e Mandrill.
Credenciado equivocadamente como "uma banda Krautrock", o grupo mais alemão da Suíça, é pura e simplesmente uma junção de tudo o que se fez entre a psicodelia do final dos 60, com adição de outros elementos usados na nova década, num termo quase indefinível.
Delusion é um clássico absoluto das ditas bandas obscuras. A pergunta que não quer calar, é, como eles não vingaram ?. E os fatores são inúmeros, desde a alta concorrência, até o desinteresse das gravadoras por sons incomuns. Pelo menos eles deixaram a obra como souvenir.

Integrantes :

Sandy Mcchurch - Vocal, Flauta 
Heiner Althaus - Guitarra 
Alain Veltin - Órgão 
Kurt Hafen - Baixo 
Norbert "Nobbi" Jud - Bateria

AGNES STRANGE - Theme For a Dream

Agnes Strange foi um trio de Southampton liderado pelo vocalista / guitarrista John Westwood. O álbum Theme for a Dream, cuja primeira data de lançamento é incerta (as fontes são conflitantes), contém material inédito e demos, possivelmente gravado entre 1972 e 1974.

Basicamente um rock sem firulas com influência latente de Jimi Hendrix e das dezenas combos de blues psicodelico surgidos entre 1967 a 1975. Assim, Theme for a Dream consegue superar o excelente debut Strange Flower (1975) e vale a escuta por ser um registro pouco divulgado, alem de conter faixas interessantes e uns rockões a lá anos 50, turbinados com a vitalidade do Agnes Strange.

ZZEBRA 
Panic (1975)

Boa pedida para quem gosta de Osibisa, Mandrill, Cymande e algo da banda Caldera, obviamente com um som menos percussivo que as citadas, indo mais para o lado fusion com o suingue soul.
Membros:
Alan Marshall, Dave Quincy, Gus Eadon, John McCoy, Loughty Amao, Steve Byrd, Terry Smith, Tommy Eyre.

PROFIL
For You (1982)

For You surpreende desde o início, com experimentações prog/space, música eletrônica e jazz fusion, fundidos numa única peça.
O grande mérito está no bom gosto e na estrutura criativa e por vezes simplista dos solos blues com um certo "Q" jazzístico, (tal qual Andrew Latimer fazia no Camel) e também no suingue da seção rítmica. Os teclados preenchem o som de forma espetacular, com notas longas e mini solos de Moog, dando uma experiência prazerosa ao ouvinte.
O ponto negativo é gravação precária.

Músicos :

Hans Schneider - acoustic & electric guitars
Alfred "Phonts"Biebl - bass, percusion, effects
Hans-Rainer Kolb - keyboards, percussion, guitar
Bernd Mayer - drums, percussion

WINDOW
The Empyreal Ballet (1978)

Convenhamos que o rock progressivo americano está anos luz do que foi praticado na Europa, e sua linhagem se aproxima muito ao hard radiofônico com forte presença de teclados.
O primeiro nome fora dessa curva comercial, é o genial Yezda Urfa. Afora, temos poucos exemplos, e alguns aparecem como obscuridades totais, como é o caso do Window.
É bom frisar que The Empyreal Ballet extrapola o art rock clássico, com levadas de jazz rock recheadas de polirritmia e texturas que remetem ao Gentle Giant e o delirante Frank Zappa. Por entre canções intrincadas encontramos sons com arranjos suaves fazendo um contraponto interessante ao todo.

BLUES ADDICTS
Blues Addicts 1970

"Podreira" do rock dinamarquês, direto do porão escuro do gênero. Apenas um álbum lançado e de qualidade bem amadora, passando a impressão de ser gravado ao vivo. 
Uma boa escolha para os fãs do Sir Lord Baltimore e de quem gostou das experimentações rock blues do clássico debut sabbathico.

AMULET
Amulet (1980)

O quarteto de Evansville (Indiana) composto pelo cantor Cliff Hill, o guitarrista Bob Becker, o baixista Paul Skelton e o baterista John Becker, começou tocando cover em bares locais, e mais tarde soltaram esse estupendo material autoral.
O único disco dos caras, reúne um hardão visceral com uma pegada bem discreta de proto-punk, numa obra que mantem o nível a todo momento.
O vinil é raríssimo, então a gravadora americana - Monster, salvou a pele dos amantes do grupo, lançando em 2000 uma edição em CD.
Altamente recomendado!.

NECROMANDUS

Orexis of Death (1973)

A essa altura do campeonato com a massificação do youtube, o Necromandus nem é tão desconhecido, entretanto é figura carimbada em postagens do gênero. O grupo de Cumberland (Reino Unido) tem um som requintado em relação a maioria de seus contemporâneos.
Blues, rock pesado, psicodelia e até um pouco de jazz, fazem parte desse combo roqueiro.

Foram apadrinhados pelo mestre Tony Iommi, que além de ser engenheiro de som, tocou guitarra na faixa título.
Após o lançamento de Orexis of Death, o Necromandus saiu em turnê com o Black Sabbath, abrindo vários shows para o quarteto de Birmingham.

STRIFE
Rush (1975)

A vida do Strife foi curta, exatos dez anos e dois discos, o grupo do Reino Unido pegou um rabo de cometa e sumiu.
No primeiro contato com Rush, percebemos um pouco de Uriah Heep e Budgie, e também o som que influenciou diretamente a NWOBHM. Ao ouvir "Man Of The Wilderness" nossa memória busca traços do primeiro álbum do Iron Maiden.
Rush é um dos melhores discos desconhecidos do hard rock, da capa (com dois samurais lutando) ao som, tudo reflete o que de melhor acontecia em 1975.
Ideal para entender de onde surgiu o manancial inspirador da nova onda do metal britânico.

ALBATROSS
Albatross (1976)

Um dos raros grupos ianques de prog sinfônico, Albatross fez pouco alarde na época e deixou apenas o disco auto- intitulado.
Impossível não equipara-los ao Yes, embora eu não ache a totalidade tão idêntica. A comparação com os ingleses tomou fortes proporções na introdução plagiada de Close to the Edge para canção Devil's Strumpet nos minutos 19:35 a diante.
Na realidade Albatross pega fragmentos de Yes, ELP, Triumvirat e dos conterrâneos do Yezda Urfa, fazendo uma boa mescla.
Não é o suprassumo progressivo das citadas referencias, todavia tem seus méritos.

THE VIOLA CRAYOLA
Music: Breathing Of Statues (1974)

The Viola Crayola foi uma banda texana liderada pelos irmãos Anthony e Ron Viola. E o talento musical ficou só na estreia, sendo gravado pouco tempo antes do falecimento de Anthony Viola, morto em um acidente de trem. 
Aqui, o guitarrista Anthony Viola, usa e abusa de reverb e efeitos wah wah, deixando o som flutuante ou "distante" pelo reverb, como se fosse gravado em um grande galpão abandonado. No mais, é um ótimo trabalho que agradará em cheio aos fãs de Soft Machine, e também os apreciadores do holandês Focus.

Anthony Viola - guitar
Ron Viola - drums
Bill Jolly - bass

KROKODIL
Getting Up For The Morning (1972)

Dentre as bandas obscuras que ouvi, os suíços do Krokodil ficam em destaque. O complicado foi arrumar informações precisas sobre eles. São apenas 5 discos em uma curta trajetória de 4 ou 5 anos, pegando blues, rock, folk, soul e moderadamente o progressivo como influência maior, tudo bem arranjado em harmonias contrastantes e experimentais.

Getting Up For The Morning é o trabalho mais polido, guitarras com timbres cristalinos em algumas canções soando com muito groove funk , assim como Jan Akkerman fazia no Focus.
Os teclados atmosféricos dão o tom, enquanto a gaita se faz presente nas baladas, uma das especialidades do Krokodil. Ouça e tire sua conclusão, se tiver tempo extra, confira os outros discos.

WINDCHASE
Symphinity (1977)

O Windchase foi criado em meados dos anos setenta por Mario Millo (guitarras e vocais) e Toivo Pilt (teclados), ex-membros da famosa banda australiana Sebastian Hardie, uma das bandas australianas mais talentosas dos anos setenta, e uma das raras progressivas.

Symphinity explorava o rock progressivo de uma forma diferente. Boa parte remete a inglês Camel. Solos de guitarra e passagens de contrabaixo traziam o suingue do jazz rock, space e também o tradicional hard rock, a exemplo de Wishbone Ash e cia. 
Não há uma virgula que desabone esse que é um dos melhores discos de art rock de todos os tempos.

RAIZ DE PEDRA
Trajetória (1984)

O primeiro registro do porto-alegrense Raiz de Pedra, lançado de forma independente em 1984, é uma grande pérola do rock nacional. Que além do rótulo progressivo, caminhava por outras esferas, como o jazz e a MPB. 
Cheio de quebras rítmicas com suaves tons de saxofone e flautas, e também guitarras vindouras da fonte Allan Holdsworth. 
Trajetória é bem diversificado e na maior parte do tempo aposta em temas instrumentais.
Imperdível !.

SYNOPSIS
The Gamme (1981)

Em 1981 o progressivo fundia-se ao conceito pop, era isso ou sumir do mapa. Contra essa corrente nasceu o filho temporão Synopsis, que dois anos antes debutava com Minute Ville. 
Tudo o que o art rock abandonava por via dos anos 80, os franceses resgatavam em The Gamme, fazendo frente ao conterrâneo Atoll.
Doses cavalares de teclados, arranjos acústicos na escola italiana do RP e sessão rítmica bem trabalhada, eram o ponto forte. E nada bastou para que eles fossem totalmente ignorados, permanecendo no anonimato até hoje, a exceção de algum caçador de relíquias ou um cara como eu, que teve a sorte de achar o disco em um sebo e comprou sem saber o que estava levando. Na mosca!.

BADGER
One Live Badger (1973)

formado por Tony Kaye e o vocalista / baixista David Foster, Badger durou apenas 2 discos. O primeiro trabalho ficou marcado pela sonoridade incrível do vigoroso hard rock com laços progressivos, um cruzamento de Grand Funk com Moody Blues ou Procol Harum.

O lançamento ao vivo foi retirado de um show de abertura para Yes no London's Rainbow Theatre. A gravação é excelente para a época, tanto que os mais distraídos só percebem a gravação ao vivo, pelos aplausos na pausa entre as músicas.
A arte da capa, foi feita por Roger Dean.

Necromandus Playlist.



Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor

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