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Jeff Beck: 74 anos de um guitarrista inigualável

Relacionado com: Jeff Beck
Data: 25/06/2018
Por: Márcio Chagas

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No dia 24 de julho completa 74 anos aquele que é, seguramente o maior e mais inventivo guitarrista de rock de todos os tempos. Falo do inglês Jeff Beck!
	
Nascido Geoffrey Arnold beck, o guitarrista iniciou sua carreira lá nos anos 60, no grupo Yardbirds, que abrigou a santíssima trindade de guitarristas daquela década. Beck substituiu ninguém menos que Eric Clapton, e ao deixar o grupo, foi substituído por Jimmy Page (Led Zeppelin).

Jeff Beck sempre foi considerado genioso, egocêntrico, de temperamento instável e difícil. Pode ser, mas esse temperamento ajudou muito para que o músico não se acomodasse em um só estilo musical e sempre colocasse a guitarra de maneira inventiva nas canções. Assim que deixou o Yardbirds, Jeff se juntou a um garoto magricela de cabelos espetados que atendia pelo nome de Rod Stewart, e com ele formou o Jeff Beck Group, que lançou dois discos seminais no final dos anos 60: "Truth" e "Beck-ola". Apesar da imensa qualidade e do enorme sucesso alcançado pelo grupo, o gênio irascível de Beck falou mais alto e depois de apenas dois trabalhos o vocalista caiu fora, começando uma bem sucedida carreira solo. Beck reformou o grupo com o seu nome, mas a nova formação durou muito pouco. Em 1973 ele termina as atividades de sua banda para formar o "Beck, Bogert&Appice", um vigoroso power trio ao lado de Tim Bogert e Carmine Appice, músicos consagrados por suas passagens pelo Cactus e VanillaFudge.  As atividades do trio terminam abruptamente após o lançamento do primeiro álbum, da mesma maneira que começou. Coisas de Beck, que sem mais nem menos decretou o fim do grupo. 

Em 1975 as coisas começariam a mudar de verdade para Jeff, que lança "Blow By Blow", um trabalho produzido pelo quinto beatle George Martin, onde se notava o guitarrista executando um jazz rock primoroso. Esse Disco elevou o status do guitarrista na comunidade jornalística e musical. Até então, só grandes gênios como Miles Davis e Frank Zappa haviam feito uma mistura de estilos tão intensa e eficiente como aquela. O trabalho do ano seguinte, "Wired" conseguiu ser ainda mais bem elaborado. Jeff se uniu ao tecladista Tcheco Jan Hammer para criar grandes composições e montar uma banda acima de qualquer suspeita, com destaque absoluto para Wilbur Bascomb Jr., baixista de raízes calcadas no jazz e na soul music, e reconhecido por seus trabalhos ao lado de Jimmy Smith e James Brown.

Milagrosamente a parceria entre os dois durou até o inicio dos anos 80 e foi encerrada, adivinhem! Isso mesmo, devido ao "maravilhoso" gênio de Beck. Nesses anos 80 Jeff Beck pegou a síndrome de Dorival Caymmi, ou seja, sombra e água fresca. O guitarrista se recolheu a sua residência e foi cuidar de uma outra paixão: o automobilismo. Em 1985 sai o álbum "Flash", mais por imposição da gravadora do que por vontade do músico. O álbum é uma colagem de sobras que ora transita pelo pop intragável, ora pelo eletrônico sem sentido. Difícil crer que um disco tão ruim leva o nome de Jeff.

Somente no fim de 1989, o guitarrista faria as pazes com sua carreira musical e reencontraria os fãs com "Guitar Shop", mais um trabalho instrumental revolucionário. Neste petardo Jeff é acompanhado pela tecladista Tony Hymas e pelo Baterista Terry Bozzio. Um trio diferente. Sua abordagem na guitarra também está diferente, o músico não utiliza mais a palheta, atacando o instrumento com as mãos e conseguindo timbres únicos.  Após esse lançamento, os fãs do guitarrista veriam um novo jejum por parte de Beck, que apesar de trabalhar em trilhas sonoras e participar de um tributo a Cliff Guadalupe, só lançaria algo novo sob o seu nome no fim da década. "Who Else" chega aos nossos ouvidos juntamente com o novo milênio, e mais uma vez Jeff se mostra a frente do seu tempo. Apesar de transitar com desenvoltura pelo blues e pelo jazz rock, estilos que o consagraram mundialmente, Beck flerta aqui com a música indiana e principalmente com a industrial e a eletrônica. O guitarrista demonstra ter olhos e ouvidos abertos ao novo e que sabe adaptar e incorporar muito bem o todos os novos sons a sua iconoclasta guitarra.  

Em 2001 com "You Had it Comming", o guitarrista se mostra ainda mais inclinado a fundir seu estilo com a música eletrônica, utilizando samplers e outros artifícios, porém, sem nunca descaracterizar seu som, demonstrando uma genialidade sem precedentes.  2003 é a vez de "Jeff", um disco denso e experimental produzido pelo excêntrico guitarrista David Torn. Mais uma vez Beck mostra que nada, nem estilo algum pode sobrepujar sua guitarra.  Em 2008 o guitarrista surpreende os fãs lançando um álbum ao vivo depois de mais de mais de 30 anos! "Live At Ronnie Scotts" mostra um Beck mais direto, sem tantas firulas ou aparato eletrônico de seus discos. Apenas um grande músico acompanhado por uma grande banda, que revelou ao mundo a jovem baixista Tal Wilkenfield. Dois anos depois chega as lojas "Emotion e Commotion", um CD de estilo variado onde Beck recebe os amigos e celebra grandes parcerias, como a cantora Joss Stone.

Em 216 Beck volta a surpreender os fãs com “Loud Healer”, pois o músico volta a trabalhar após anos com um vocalista regular, no caso a bela  Rosie "Bones" Oddie. O álbum é uma mistura de rock, blues e aquela sonoridade exótica característica de seu timbre de guitarra. A banda que o acompanha foi completamente reformulada, trazendo apenas competentes desconhecidos.

Ano passado, o guitarrista lançou um trabalho ao vivo contando com participações de convidados do porte de Jan Hammer e Steve Tyler, intitulado “Live at Hollywood Bowl

Completando 74 anos em 24/06/2018,  Jeff não parece dar sinais de cansaço como tem feito muitos músicos de sua geração. Não importa qual seja o estilo que o músico resolva se aventurar, com certeza será música de qualidade tendo a frente sua guitarra personalíssima. Poucos músicos souberam ousar e dosar estilos como Jeff Beck, e não é exagero dizer que hoje ele, ao lado de John Mclaughlin, são os dois mais importantes guitarristas do estilo consagrado com fusion(fusão do jazz com o rock).

Diferente de seus colegas de instrumento, que se encostaram passiveis a sombra do próprio nome, Jeff Beck mostra a cada lançamento que ainda tem muito a oferecer em termos de inovação musical.



Os textos publicados na página do 80 Minutos representam exclusivamente a opinião do autor

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