Resenha

Epilog

Álbum de Anglagard

1994

CD/LP

Por: Tiago Meneses

Colaborador Top Notch

25/03/2019



O melhor da música progressiva dos anos 70 com um toque moderno

Após uma estreia assustadoramente espetacular em 1992, em 1994 a Anglagard lançava o seu segundo disco, Epilog. A principal diferença entre Hybris e Epilog é que este álbum é instrumental e muito mais maduro, algo que em qualquer banda poderia soar de maneira positiva, mas incrivelmente não aqui, pelo menos pra mim, afinal uma das coisas que mais admiro na estreia da Anglagard era a sua “inocência” musical, onde pareciam não se importar quantas influências eles tinham, então era bastante fácil perceber passagens de King Crimson,Yes e sonoridades e acordes à lá Genesis, tudo misturado e extremamente bem arquitetado e sem um acorde sequer fora do lugar. 

Em Epilog seu próprio som é mais desenvolvido, o ouvinte ainda percebe que King Crimson e Genesis tiveram uma forte influência na criação das músicas, mas parece mais distante. A ausência da voz de Tord Lindman pode satisfazer os fãs que acreditavam que ele era fraco e talvez muito feminino, mas temos que admitir que o som é mais frio sem ele, percebe-se que algo está faltando, mesmo que você não seja um grande admirador de seus vocais. A música é mais forte e menos derivada, mas eles perderam o charme ingênuo que tinham em Hybris.

O álbum começa com "Prolog", e que maneira sensacional de começar um disco, quando ouvi isso pela primeira vez, se eu não soubesse que estava ouvindo a Anglagard, certamente classificaria esta faixa não como rock progressivo, mas sim, música clássica. O ambiente barroco alcançado com violão, violino e teclado é genial, é triste, melancólico, mas extremamente bonito. No final você sente que dois minutos (sim, infelizmente só tem dois minutos) não são suficientes, eles deveriam ter feito essa música pelo menos cinco vezes mais longa.

“Höstsejd (Rites of Fall)” é uma música em que toda a banda mostra o quanto amadureceram, há uma clara inspiração no som do King Crimson, mas dessa vez sendo bem menos evidente do que de costume. As mudanças abruptas se encaixam perfeitamente uma depois da outra, o trabalho da banda inteira é incrível, mas a flauta de Anna Holmgren é a que carrega o peso da trilha. Também é excelente a bateria de Mattias Olsson que tem aqui um melhor trabalho de bumbos do que em Hybris. 

"Rosten" (The Voice)” sinceramente não merece um comentário. Não apenas catorze segundos de sons pouco audíveis, melhor seguira pra próxima. 

“Skogsranden (Eaves of the Forest)” começa som um piano suave, acrescido novamente por uma flauta semi solo de Anna, logo em seguida mais uma vez a banda toma o caminho da música clássica, mas desta vez menos barroca e mais romântica até o piano e um órgão anunciar outra explosão sonora que nos faz lembrar que estamos lidando com uma banda progressiva muito complexa, que pode ir de linhas enérgicas à passagens mais serenas como quase nenhuma banda antes. Nesta faixa, Thomas Johnson é excelente, ele usa piano, órgão e mellotron com habilidades iguais. A música termina com outra surpresa para o ouvinte, uma complexa seção instrumental que é cessada em um instante sem qualquer sinal que possa fazer o ouvinte imaginar que o seu final está próximo. 

“Sista Somrar (The Last Summer)” tem seu início através de um piano delicado, a faixa então vai mostrando outros instrumentos, mas permanece calma e suave até cerca de seis minutos quando as complexidades começam, primeiramente com uma passagem forte, seguida por uma seção quase silenciosa que leva novamente a outro acorde explosivo e rítmico onde toda a banda mostra o que eles são capazes de fazer. Antes do final, há uma seção de guitarra e bateria que me lembra o Focus, especialmente os solos de Jan Ackerman, essa semelhança é mais óbvia quando Anna se junta com sua flauta. Novamente uma música bastante complexa. 

“Sista Somrar (The Last Summer)” é a música que encerra o álbum, outra faixa curta que pode ser facilmente confundida com a música clássica, tocada apenas através de um piano triste e melancólico. Simples e linda. 

Ao contrário do que fiz no começo da resenha, comparações à parte com seu disco de estreia, em Epilog as composições são novamente de complexidade matemática. Todos seus seis integrantes são músicos fenomenais em seus respectivos instrumentos. Em alguns aspectos eles resumem o melhor da música progressiva dos anos 70 com um toque moderno. Todo amante de rock progressivo deveria conhecer a Anglagard. 


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Sobre Tiago Meneses

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Sobre o álbum

Epilog

Álbum disponível na discografia de: Anglagard

Ano: 1994

Tipo: CD/LP

Avaliação geral: 4,5 - 2 votos

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