Resenha

The Firm

Álbum de The Firm

1985

CD/LP

Por: Márcio Chagas

Colaborador Sênior

17/03/2019



Paul Rodgers e Jimmy Page se rendem aos anos 80.

A história deste supergrupo começa com a participação de Jimmy Page no concerto denominado A.R.M.S. 	que visavam arrecadar fundos para pesquisa e ajuda as vitimas da esclerose múltipla, em apoio a Ronny Lane, ex baixista do Faces que sofria de tal enfermidade.

Page tocou no evento tendo como base as canções compostas na trilha sonora para o filme Desejo de Matar II, tendo como convidado nos vocais o tecladista/vocalista Steve Winwood. Para as datas do concerto seguinte, Winwood não poderia participar devido a compromissos pré-agendados e Page estava sem vocalista. Paul Rodgers estava animado a participar, havia lançando seu primeiro disco solo a pouco tempo onde tocava todos os instrumentos e não possuía uma banda. A junção dos dois se mostrou perfeita. A dupla se divertiu e até compôs alguma coisa juntos, mas ficou restrito as apresentações.

Page e Rodgers voltariam a se encontrar no ano seguinte na casa de Paul, onde começaram a compor juntos novamente e decidir iniciar juntos um projeto que denominaram de “The Firm”. Para continuar os planos do grupo era essencial que recrutassem um baixista e um baterista. Inicialmente pensaram em Bill Bruford e Pino Paladino, mas nenhum dos dois estava disponível na época.

Após algumas pesquisas, optaram por um jovem loiro de cabelo espetado mestre nos baixos fretless (sem trastes) chamado Tony Franklin, que Page havia conhecido no ano anterior quando o mesmo fazia parte da banda de Roy Harper. 

O estilo funky e soul de Tony seria perfeito para os novos caminhos musicais que a dupla intencionava enveredar, pois ambos decidiram que não soariam como Bad company ou Led Zeppelin. 

Para a bateria foi convocado Chris Slade, um baterista com pegada pesada, porém versátil, capaz de tocar pop e Rhythm and blues com Tom Jones, Progressivo com o Manfred Mann ou rock pesado com o Uriah Heep.

O quarteto se trancou nos estúdios de Mr. Page e em fevereiro de 1985 o primeiro disco homônimo chegava às lojas, assustando boa parte dos fãs da dupla. Embora fosse um álbum excelente, o som do grupo em nada lembrava as bandas originais de Page e Rodgers, deixando muitos admiradores decepcionados com a mistura de rock, pop, soul e Rhythm anda blues utilizado pelo grupo. 

“Closer” abre o álbum de maneira cadenciada, e calcada no baixo de Franklin e não na guitarra de Jimmy. Amparando os vocais seguros de Paul está um competente e tímido naipe de metais, o que já é mais do que suficiente para assustar os fanáticos pelo Led Zeppelin. Page sola no final da faixa com sua costumeira competência;

Agora sim! Em “Make or Break” a guitarra abre a canção ao lado dos vocais, mas o tema é muito mais na linha do Bad Company. A cozinha se mostra bastante entrosada e aqui os admiradores de Jimmy Page podem saborear sua guitarra com mais propriedade;

Em “Someone To Love” é perceptível a influencia maior do Zeppelin no andamento da canção, com a Gibson de Page soando característica, amparada pela bateria de Slade. O baixo Fretless de Tony também realiza um excelente trabalho preenchendo toda a parte rítmica do tema. É como se fosse uma continuidade do disco “ In through the out door”;

“Togheter” é uma balada midi tempo bem tranquila com uma cozinha correta privilegiando os vocais de Rodgers encharcados de soul. Este é o tema mais fraco do álbum, embora ainda interessante;
Em seguida temos “Radioactive”, um tema sincopado bastante influenciado pelo pop como acontece em alguns discos solo de Paul. Na verdade este tema parece ter sido escrito para que o próprio se destacasse, tanto que esta é a única canção do grupo a fazer parte de seus shows solo até os dias atuais;

Abrindo o lado B do antigo vinil temos uma grata e inesperada surpresa: O grupo apostou na regravação de “You've Lost That Lovin' Feelin”, tema bastante conhecido dos The Righteous Brothers e interpretado por artistas de todos os gêneros, do pop ao country. A versão do grupo é uma das mais interessantes, com o vocal passional de Rodgers amparado por backings femininas e o onipresente baixo fretless de Franklin conduzindo toda a canção. O solo de Page com slide também se encaixou no tema com perfeição;

“Money Can´t Buy” lembra os bons tempos do Bad Company, com a cozinha competente sustentando o tema ao lado da voz de Paul e a guitarra dando o acabamento do tema na dose certa;

A canção "Satisfaction Guaranteed" é pop em sua mais completa definição, com andamento tranquilo e sintetizadores amparando o tema. Mas, é um pop feito pelo quarteto, então, claro que possui uma qualidade inquestionável. Mais uma vez o baixo funky de Franklin é o destaque;

Os fãs do Led Zeppelin tiveram que esperar um disco inteiro para escutar a última faixa "Midnight Moonlight"	 a ÚNICA canção que nos remete ao bom e velho Led. A faixa começa lenta ao violão e vai crescendo paulatinamente com a entrada da bateria sincopada de Slade. Os vocais urgentes e passionais de Rodgers se alinham com perfeição ao tema, que sofre variações no decorrer de seus mais de nove minutos. É um tema diferente da proposta do álbum, embora ainda sofra influência de soul, notadamente pelos vocais femininos ao fundo no refrão. 
O primeiro trabalho do grupo chegou as lojas e criou polêmica, afinal, ninguém esperaria essa sonoridade do maestro que comandava o zepelim de chumbo. Deste modo, tanto crítica quanto público se mostraram divididos em relação a sonoridade apresentada, embora fosse inquestionável a qualidade das canções.
De todo o modo, o primeiro disco deste supergrupo é de qualidade irrepreensível, devendo ser ouvido desprovido de quaisquer preconceitos ou expectativas em relação aos grupos anteriormente integrados por seus membros. 


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Sobre o álbum

The Firm

Álbum disponível na discografia de: The Firm

Ano: 1985

Tipo: CD/LP

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