Resenha

Sete Cidades

Álbum de Bacamarte

1999

CD/LP

Por: Tiago Meneses

Colaborador Especialista

17/03/2019



Mais tranquilo e com diferentes objetivos musicais em relação à Depois do Fim

Nunca entendi muito bem algumas duras críticas em relação a este segundo disco do Bacamarte, Sete Cidades. Tudo bem que Depois do Fim é muito mais sólido, mas não acho que sejam obras a serem comparadas de maneira tão distantes em qualidade assim. Se o primeiro é uma obra-prima, o segundo não fica tão longe assim desse status. 

Sem a menor dúvida um dos principais problemas citados aqui é que Jane Duboc não está mais na banda, algo que convenhamos, é uma perda e tanto, porém, a voz de Mario Neto é bastante apropriada a música encontrada no disco e que tem sua raiz na rica música brasileira, mais precisamente na gaúcha e sul em geral com influência também em vizinhos como Argentina, Bolívia e Paraguai. 

"Portais" começa o disco com um maravilhoso solo de violão reminiscente da música do Rio Grande do Sul que combina com uma flauta doce para manter a atmosfera bucólica, mas uma explosão de guitarra e bateria nos faz lembrar que estamos diante de uma banda de rock progressivo que mistura perfeitamente o espírito étnico com o sinfônico imaculado de uma forma que você quase não percebe a transição de um para o outro. Arranjos excelentes, tudo flui suavemente de ponta a ponta nessa música. Excelente início. 

"Ritual da Fertilidade" é uma canção estranha com influências afro-brasileiras, o ritmo é contagiante e o espírito de "Candombe" está lá. Percebemos o sagrado e o profano agindo de forma misturada, eu a vejo como uma espécie de interlúdio para a faixa seguinte, "Filhos do Sol", em que um som mais sinfônico cobre o ouvinte, os bons vocais de Mario Neto combinam perfeitamente com o clima geral da faixa, o refrão baseado em mellotron também é excelente.

"Espirito de Terra" começa muito atmosférica, apresentando um suave solo de sintetizador ligeiramente reforçado pela bateria, de repente o volume começa a aumentar e outros instrumentos como a guitarra se juntam à música e os vocais completam o cenário. Canção nostálgica e melódica, realçada pelas vozes, mellotron e uma pausa instrumental violenta, incrivelmente bela.

"Mirante Das Estrelas" é uma ótima música, mas não é inédita e trata-se da última faixa do primeiro disco da banda, Depois do Fim. Não comentarei de novo sobre a faixa, qualquer coisa, só olharem minha resenha para o primeiro álbum da banda. 

"Carta" é outro pequeno interlúdio vocal-acústico que nos prepara para o final, de uma sonoridade suave e gentil, bastante interessante onde foi colocada, porque duas faixas frenéticas não poderiam ir uma atrás da outra sem danificar a atmosfera geral do álbum.

O disco chega ao fim com o épico, “Canto Da Esfinge/Portais”, uma faixa que desde o seu início já ataca o ouvinte com tudo o que tem direito, linhas de baixo espetaculares, guitarras nervosas, bateria deslumbrante fazendo com que lembremos até mesmo de Emerson, Lake & Palmer. Então que de repente acontece uma grande mudança, a música se desfaz em uma suave pausa instrumental que depois de alguns minutos leva o ouvinte a outra passagem frenética. Órgão, mellotron, violão, tudo é lançado à música de maneira extremamente equilibrada e perfeita. O órgão do final me lembra a Par Lindh Project, mas sendo justo o sueco lançou seu primeiro disco somente depois desse aqui. Acho que não adianta tentar explicar mais, porque as palavras irão me fugir para descrever a fusão de sons e estilos que surgem um após o outro, só posso afirmar que estamos diante de 11:30 minutos do mais puro rock progressivo. 

Não teria como classifica-lo com a mesma nota que o disco de estreia por um motivo apenas, o fato de ter repetido "Mirante Das Estrelas" ao invés de entregar ao ouvinte um trabalho 100% inédito, porém, também é incrível. Um disco mais tranquilo e com diferentes objetivos musicais em relação à Depois do Fim.


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Sobre Tiago Meneses

Nível: Colaborador Especialista

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"Sou poeta, contista e apaixonado por música desde os primórdios da minha vida, onde o rock progressivo sempre teve uma cadeira especial."

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Sobre o álbum

Sete Cidades

Álbum disponível na discografia de: Bacamarte

Ano: 1999

Tipo: CD/LP

Avaliação geral: 4 - 2 votos

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