Resenha

Demons and Wizards

Álbum de Uriah Heep

1972

CD/LP

Por: Tiago Meneses

Colaborador Especialista

16/03/2019



Uriah Heep em uma exibição primordial de suas habilidades de composição

Finalmente é fechado o círculo da banda e em Damons and Wizards é apresentada a sua formação clássica e pra mim a melhor. Não há muito que falar sobre David Byron e sua voz operística, Mick Box e sua complexidade além das incríveis habilidades das teclas de Ken Hensley através da magia tirada do seu hammonnd. Falemos apenas dos novatos, Lee Kerslake está longe de ser um baterista perfeito, mas com o poder da banda nem precisa de muito mais que isso, ainda mais quando ele trabalha dentro da seção rítmica do baixo de Gary Thain, um dos melhores baixistas da história do rock e que infelizmente teve em sua morte precoce, um desperdício de talento. 

Após o brilhante Look at Yourself foi uma tarefa difícil para a banda fazer algo ao menos equivalente, mas com a ajuda dos novos membros o nível da banda não apenas se mantem, mas sobe e evolui muito. Tudo aqui faz com que o trabalho soe de maneira maravilhosa.

"The Wizard" mostra um começo suave para um álbum bastante forte. Uma balada poderosa que começa com um belo violão e é seguida por vocais belíssimos e um refrão complexo. Mesmo que seja suave e calma, a música também mostra força suficiente e os teclados apoiam a faixa de uma maneira muito agradável.

"Traveler in Time" tem uma abordagem mais progressiva, começa de forma agressiva e violenta, mas de repente suaviza quando os vocais de David fazem sua entrada, a música continua mudando de ritmo e tempo em toda a sua duração. Destaque também para o wah wah da guitarra de Mick Box que é sensacional. 

“Easy Living" é a primeira música frenética e típica da banda, os belos vocais e refrão misturam-se com o teclado agressivo e guitarras, o som de sinos dá um toque especial e místico a uma faixa muito curta que eu sempre desejei que durasse pelo menos 10 minutos,  pois tudo é perfeito demais pra durar menos de três minutos. 

“Poet's Justice” tem uma das melhores introduções vocais e bateria que eu já ouvi na banda. O baixo de Gary Thain é absolutamente único e ao invés de apenas dar suporte para a seção rítmica, vai muito além e toca de maneira especial a melodia. Esse tipo de coisa que diferencia os grandes baixistas daqueles que são apenas virtuoses. 

"Circle of Hands" começa com o Hammond B3 de Ken Hensley no máximo e com um esplêndido apoio da bateria de Lee Kerslake, que é extremamente precisa. A voz de David Byron soa estranhamente calma e baixa (para ele) provando que ele era um vocalista completo e não apenas um cantor limitado a faixas extremamente altas. Mick Box também desempenha um papel especial com seus acordes de guitarra. Mais um lindo momento desse clássico. 

“Rainbow Demon” é a faixa mais sombria do álbum. Os teclados em tons misteriosos adicionados ao coro quase percussivo e a voz única e maravilhosa de David criam um som obscuro que situa o ouvinte em uma atmosfera meio de masmorra. 

“All My Life” é uma música que eu tenho que admitir ser a única do disco que não me agrada da mesma forma que as demais. A sua introdução é ótima e promissora, mas parece que não consegue se desenvolver totalmente. 

“Paradise/The Spell” que fecham o disco são duas faixas que devem ser encaradas como uma que forma um épico de mais de doze minutos. A primeira seção (ou faixa para os puristas) é Paradise, uma balada acústica bastante suave e bem equilibrada por uma excelente bateria onde Byron e Hensley se revezam nos vocais como se estivessem em um diálogo. Enquanto esta música vai sumindo pode-se notar as primeiras notas de "The Spell", uma das primeiras coisas que podem ser notadas é uma seção de piano, algo não muito comum no Uriah Heep, seguida pela guitarra de Mick e combinações vocais bastante complexas que diria estar muito à frente do seu tempo. Mais uma vez o piano extremamente bonito pode ser ouvido, mas dessa vez se junta progressivamente os vocais de David e o resto da banda como que se preparando para um final mais rápido e no ritmo tocado anteriormente. Um final perfeito para o álbum. 

Demons and Wizards é uma demonstração da destreza instrumental do Uriah Heep e uma exibição primordial de suas habilidades de composição em uma grande variedade de estilos dentro rock. Para muitos o melhor registro da banda, algo que eu concordando ou não, é impossível não compreender e mesmo com uma faixa menos inspirada, não tem como tirar o seu status de clássico absoluto. 


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Sobre Tiago Meneses

Nível: Colaborador Especialista

Membro desde: 28/09/2017

"Sou poeta, contista e apaixonado por música desde os primórdios da minha vida, onde o rock progressivo sempre teve uma cadeira especial."

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Sobre o álbum

Demons and Wizards

Álbum disponível na discografia de: Uriah Heep

Ano: 1972

Tipo: CD/LP

Avaliação geral: 4,79 - 12 votos

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  • 23
    dez, 2020

    Excelente disco de hard rock dos anos 70

    User Photo José Esteves

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