Resenha

Turn Of The Cards

Álbum de Renaissance

1974

CD/LP

Por: Tiago Meneses

Colaborador Especialista

07/03/2019



Boa mistura de jazz, rock e folk com ajuda de um belíssimo trabalho orquestral

Minha introdução ao som da Renaissance foi através desse disco, por algum motivo minhas expectativas não eram das maiores, porém, elas foram facilmente superadas. Este álbum é bastante calmo e bonito. Os sempre belos vocais de Annie Haslam adicionam uma boa dimensão ao som.  As texturas de pianos são sempre lindas e as estruturas musicais extremamente bem construídas. Às vezes complexos e em outros momentos mais sereno. Daqueles álbuns que é ótimo para sentarmos e relaxarmos com sua música de fundo. Turn of the Cards representa um passo evolutivo, principalmente em termos de arranjo, dinâmica e produção. Aqui as peças fluem naturalmente do início ao fim, englobando músicas melodiosas e instrumentais descritivas em uma onda orgânica de linhas enérgicas e de calmaria.

“Running Hard” é a faixa de abertura. Começa com uma improvisação bastante complexa que mistura jazz e a música clássica. Quando a música entra com sua melodia completa, mostra-se cativante, especialmente o vocal de Annie Haslam. Possui vários seguimentos onde ela se move com grande naturalidade e suavidade de um para o outro. Uma excelente música de abertura para o álbum. 

“I Think Of You” é de uma simplicidade encantadora. Orientada mais para o lado pop, também possui um tempero folk através da sua seção rítmica de violão acústico. Isso combinado com o som do clavinete faz com que a canção fique mais rica em texturas. As linhas de baixo são bastante compactas e acompanham bem a música do começo ao fim. 

“Things I Dont Understand” é uma música que se move em batidas mais enérgicas. As linhas de baixo são compostas de bastante groove. A linha vocal é muito rica, principalmente durante parte do interlúdio, enquanto a guitarra ainda domina a seção rítmica. O coral no meio desta faixa é literalmente hipnotizante. 

“Black Flame” começa com uma sonoridade ambientada por violão, baixo de fundo bastante suave e teclado também dando um fluxo a música. Antes dos vocais entrarem, algumas orquestrações de cordas enriquecem faixa. Novamente estamos diante de uma melodia bastante cativante. O trabalho de clavinete torna a música ainda mais interessante de se apreciar. Considero essa uma das minhas músicas favoritas da banda. 

“Cold Is Being” é uma música curta, serena e muito bem construída pela voz de Anne e o órgão de igreja de fundo. Pode ser vista também como um preparativo para a faixa seguinte e que vai fechar o álbum. 

“Mother Russia” é a faixa que fecha o álbum e se eu não estiver enganado foi a primeira música da banda que ouvi. Trata-se de um grande e maravilhoso épico que se move de maneira dinâmica entre altos e baixos que sempre mexe com a minha emoção. Não se trata de uma faixa maravilhosa apenas em termos de melodia, mas também por conta do seu fluxo maravilhoso de um seguimento para outro. O trabalho em sua seção de corda faz com que a música seja mais rica ainda. Maravilhosa. 

Em resumo, trata-se de um aglomerado de ótimas composições que combinam de maneira única principalmente o jazz, rock e folk com ajuda de um belíssimo trabalho orquestral. O considero um item obrigatório em qualquer coleção de rock progressivo sinfônico.


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Sobre Tiago Meneses

Nível: Colaborador Especialista

Membro desde: 28/09/2017

"Sou poeta, contista e apaixonado por música desde os primórdios da minha vida, onde o rock progressivo sempre teve uma cadeira especial."

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Sobre o álbum

Turn Of The Cards

Álbum disponível na discografia de: Renaissance

Ano: 1974

Tipo: CD/LP

Avaliação geral: 5 - 2 votos

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